Classificação

10
Interpretação
9.5
Argumento
9
Realização
8.7
Banda Sonora

Após ter criado das séries mais populares do momento, American Horror Story, Ryan Murhy (que foi também o criador de Glee) traz-nos American Crime Story. A receita é semelhante à série irmã mas retrata casos criminais americanos.

E porque não começar em grande, com um dos casos mais mediáticos e polémicos da década de 90 nos Estados Unidos e um elenco de luxo? Cuba Gooding Jr., Selma Blair, David Schwimmer,  Sarah Paulson, John Travolta, Connie Britton! Gooding Jr. está brilhante no papel de Simpson. Aliás, nenhum dos atores desiludiu. Até já consigo ver os prémios a chover (especialmente para a Sarah Paulson!!)

O.J. Simpson foi um dos jogadores de futebol americano mais famosos de sempre. Deram-lhe a alcunha de “the Juice” e era considerado um ídolo, um ícone, um herói americano. Portanto, não é surpresa nenhuma que o facto de ter sido acusado pelo violento assassinato da ex-mulher Nicole Brown e do amigo Ronald Goldman tenha tido o seu grande mediatismo. O ex-atleta foi acusado e o julgamento teve a duração de oito meses. No final, Simpson foi considerado inocente.

Neste episódio piloto, somos apresentados a praticamente todas as personagens e começa na noite da morte de Nicole. Simpson é considerado arguido pouco depois e a história começa.

A série é baseada na obra de 1997, The run of his life: the People v. O.J. Simpson do analista da CNN e da revista The New Yorker, Jeffrey Toobin. No entanto, enquanto o advogado e escritor não duvida da culpabilidade da ex-estrela de futebol americano, a série é mais ambígua, pelo menos no primeiro episódio.

Por um lado temos Marcia Clark, a procuradora do caso. Mãe de dois filhos e no meio de um divórcio complicado, Clark nem sabe quem O.J. é e não tem problemas nenhuns em construir um caso contra ele. Descobre que Simpson tem um temperamento irascível e as várias queixas de violência doméstica por parte de Nicole e que a polícia de Los Angeles nada fez. A seguir, ouve o interrogatório (mal) feito a Simpson. Ouve várias testemunhas e cria uma cronologia que aponta Simpson como culpado. Ele teve motivo e tempo para cometer o crime, mesmo tendo voado para Chicago naquela noite. A própria Nicole andava aterrorizada com os ciúmes do ex-marido (tal como foi dito pelas amigas Faye Resnick e Kris Kardashian no funeral) e Kato não consegue acertar com os factos do que aconteceu na fatídica noite.

Por outro lado, vemos um O.J. destroçado pela morte da ex-companheira (a ponto de querer cometer suicídio) e a negar sempre qualquer envolvimento no crime. Robert Kardashian acredita piamente da inocência do melhor amigo. Honestamente, a fé de Kardashian é quase contagiante.

No final, após uma tentativa falhada e ridícula da polícia em prender Simpson (o homem teve tempo para tudo), O.J. foge da casa de Robert e deixa toda uma confusão atrás de si.

American Crime Story foi, sem dúvida, o melhor episódio piloto que vi em 2016 até agora. Tudo isto aconteceu há mais de vinte anos atrás, mas os temas tratados são intemporais. Racismo. Violência doméstica. Manipulação dos media. Corrupção. Sexismo. E mais. From the Ashes of tragedy foi só uma entrada do que parece ser uma autêntica refeição gourmet.

Maria Sofia Santos