Classificação

8
Interpretação
6.9
Argumento
7
Realização
7.5
Banda Sonora

Dizem que não devemos julgar um livro pela capa. O mesmo se aplica a séries. Salvo em raras excepções, não devemos julgar uma série pelo seu episódio piloto. É só uma ínfima parte do que vem aí.

Blood and Oil é a nova aposta da ABC dos domingos à noite e só pelo nome percebemos que isto muito se assemelha a uma telenovela, mas não só. Confesso que nunca acompanhei Dallas, nem a versão dos anos 80, nem a sua continuação de 2012. Contudo, sei o suficiente para saber que as séries têm em comum o petróleo, gente rica e drama. Muuito drama. Só que em vez de o cenário ser o Texas, é a Dakota do Norte.

Tudo começa quando o jovem casal Cody e Billy LeFever se muda para Rock Springs em busca de uma vida melhor, mas a sorte não está do lado deles e acabam por ter um acidente que lhes destrói, literalmente, os sonhos que procuravam concretizar.

Gostei de ver a dinâmica dos pombinhos. Este é o primeiro grande papel de Chace Crawford depois de Gossip Girl e, embora tenha gostado do papel dele, não posso deixar de reparar que o forte do ator (talvez o único?) seja de meninos bonitos. Billy LeFever é um homem honesto, embora ambicioso, eapaixonado pela mulher. Neste tipo de séries, o percurso natural é corromper os bons da fita e pergunto-me se Crawford estará à altura do desafio.

Enquanto que os recém chegados lutam para ganhar o seu lugar ao sol, o ricaço da zona, Hap Briggs, tem de lidar com os negócios e com o seu filho imaturo, mimado e demasiado impulsivo para o seu próprio bem. Wick Briggs gosta de criar problemas e não demora muito para ser expulso de casa e da vida de luxo que levava. Wick é o típico vilão, com problemas com o papá e com aquele ódio típico pela madrasta. Até agora nada de novo.

A mulher de Hap, Carla (que por momentos confundi com Robin Wright e a sua Claire Underwood de House of Cards) é que parece mais interessante. Com olho para os negócios, ela é o braço direito de Hap. Não pudemos ver muito dela, mas alguma coisa ela terá para ser tão odiada pelo enteado. Aposto que daria uma vilã muito melhor do que ele.

Ora, a vida de Cody e Billy dá uma volta interessante quando ela descobre que os Briggs andam atrás de um terreno que porventura estará cheinho de petróleo. Outra surpresa na vida dos LeFever é a descoberta de que vão ser pais e que é a pior altura possível para arriscarem ainda mais e contraírem ainda mais dívidas. Mas Billy está desesperado e Cody demonstrou que está a cem por cento do lado do marido e a sorte desta vez não os abandona. Compram o terreno e fazem um negócio milionário com Hap. Vemos ali o início de uma boa parceria. Hap e Billy têm valores semelhantes e, agora, um futuro em comum. Resta saber que linha vão seguir, se veremos uma aliança entre LeFever e Briggs ou uma luta entre famílias.

No final, vemos a loucura e a frustração de Wick para com a vida e o pai, quando tenta assassiná-lo numa visita pelo terreno à noite. O episódio acaba com um cliffhanger daqueles, agora a questão é… será que nos deixaram em suspense para continuarmos a ver e afinal todos estão de boa saúde ou é um momento que muda o rumo da série?

Em geral, foi um bom início. Não temos aqui nada de novo, mas o truque é investir nos personagens, desenvolvê-los e mostrar-nos que Blood and Oil é mais do que uma cópia barata de Dallas. Numa altura com tanta oferta de séries, o pessoal não se vai prender a uma série mediana quando tem tantas outras com excelente qualidade onde investir o tempo.

Maria Sofia Santos