Classificação

8
Interpretação
8
Argumento
8.5
Realização
6
Banda Sonora

Quem não se lembra em 2002 do filme de Steven Spielberg, Minority Report, baseado no conto com o mesmo nome, de Philip K. Dick, onde três pré-cognitivos (pre-cogs), indivíduos com a habilidade de prever crimes violentos, permitem a uma unidade especial da polícia, o Pré-Crime, prender os pretensos assassinos mesmo antes de estes cometerem os atos? No entanto, John Alderton (Tom Cruise) é acusado de um crime futuro e tem de provar que o sistema não é tão fiável quanto parecia ser. No fim, o projeto Pré-Crime é abandonado.

[Contém possíveis Spoilers]

Passados doze anos, a FOX decidiu encomendar um episódio piloto de Minority Report para o pequeno ecrã, ficando este ao encargo de Max Borenstein. A sequela ocorre onze anos após os eventos do filme, em 2065. Nos primeiros minutos, o episódio define o seu mundo, introduzindo os três pre-cogs, Agatha (Laura Regan), a irmã mais velha e a mais dotada, e os seus irmãos adotivos, os gémeos Dashiell (Stark Sands) e Arthur (Nick Zano).

Após a desintegração do programa Pré-Crime, os pre-cogs são levados para uma ilha secreta bem longe da sociedade e por lá ficaram durante dez longos anos. No entanto, quando tudo estava calmo, Arthur é raptado quando se encontrava sozinho em casa e Dash, que vive assombrado por constantes visões fragmentadas de crimes e pelo futuro, resolve partir para Washington D.C. para fazer uso da sua habilidade, na tentativa de prevenir crimes e procurar o seu irmão.

O piloto desencadeia-se a um ritmo emocionante. Dash, que vê frustrada a sua primeira tentativa de impedir um crime, acaba a perseguir uma detetive da polícia, Lara Veja (Meagan Good), responsável pela investigação e assombrada pelo passado, com o objetivo de a ajudar a apanhar o assassino. Mais tarde, Lara Veja descobre a verdadeira identidade de Dash e os dois unem esforços, numa relação improvável, para evitar o assassinato de um ex-deputado do Pré-Crime. Pelo meio ficamos a conhecer o caretaker Wally (Daniel London, personagem do filme que foi mantido na série), responsável por cuidar dos pre-cogs, desde crianças até aos dias de hoje. Foi ainda elucidativa a vontade de Agatha no que diz respeito ao regresso de Dash e um aviso da irmã quanto à visão que teve do futuro de Dash. O episódio acaba com Arthur a pedir ajuda a Dash.

Minority Report, uma das maiores expectativas para esta Fall Season, é uma série bem executada, trabalhada e pensada. Os pre-cogs são mantidos, no entanto a série pula o passado, permitindo um novo começo e um futuro imprevisível. A tecnologia do futuro presente na série mantém-se fiel à do filme e, acima de tudo, é realista para o ano em que se desenrola a série. A interpretação de Sands pela sua maneira bizarra e falta de “people skills”, bem como a sinergia improvável entre Dash e Lara (aqui à semelhança de Sleepy Hollow), são outros dos pontos positivos da série.

Fernando Augusto