Classificação

8
Interpretação
7
Argumento
8
Realização
8
Banda Sonora

Limitless reintroduz-nos num mundo onde a mente humana é expandida de um pequeno feixe luminoso para uma teia com milhares de luzes brilhantes.

Recentemente, temos visto o anúncio de muitos pilotos de novas séries associadas a filmes, como 12 Monkeys, Minority Report, Scream Queens, Taken e também Limitless. Com o mesmo nome do filme estreado em 2011, esta série da TV veio surpreender pela positiva ao não ser apenas uma adaptação do filme, mas sim uma continuação da sua história. A CBS reuniu como equipa produtora Neil Burguer (diretor do filme) em conjunto com Alex Kurtzman e Roberto Orci (Fringe, Sleepy Hollow), e ainda Bradley Cooper que, não só é produtor executivo, como também representará o seu papel anterior ao longo de alguns episódios.

A ideia de que nós, seres humanos, apenas usamos 10% do nosso cérebro não é nova e já foi explorada em vários filmes, desde o clássico Forbidden Planet (1956) até ao recente filme com Scarlett Johansson, Lucy (2014). No entanto, Limitless destacou-se pela simplicidade e a forma muito credível com que nos apresenta uma porta, através da misteriosa e já famosa droga NZT, para desbloquear a capacidade da mente humana.

Os eventos da série passam-se 4 anos após termos deixado o antigo protagonista, Eddie Morra (Bradley Cooper), que tinha conseguido descobrir uma solução para os mortais efeitos do uso do NZT e estava a concorrer a uma vaga no senado dos Estados Unidos, para além de ser considerado um potencial candidato à presidência. A nova série da CBS continua com os eventos da vida de Brian Finch (Jake McDorman, que já tinha trabalho anteriormente com Cooper no filme American Sniper), um músico sem sorte e sem inspiração, uma desilusão para a sua família e amigos e que vê a sua vida piorar quando o pai desenvolve uma doença que nenhum médico parece ser capaz de diagnosticar. É nesta altura que Brian se apercebe que se o pai morrer nunca o terá visto a alcançar nada de significativo… No entanto, tudo está para mudar quando Brian se cruza com um antigo amigo que lhe oferece uma oportunidade de reanimar (“jump start”) a sua vida na forma do comprimido transparente NZT.

“O teu cérebro é um milagre”. “Mas não é eficiente.”

Ao tomar a droga ele passa a ter acesso a cada célula do seu cérebro e a mente dele expande-se de tal maneira que aparece um “segundo” Brian, que o ajuda a processar toda a incrível informação a que ele agora tem acesso. Assim como a perceção dele muda também os tons do episódio mudam para dourado, de forma a mostrar-nos que este é um personagem renascido, e podemos ver alguns dos extraordinários efeitos desta droga quando ele consegue realizar um trabalho de 2 semanas nalgumas horas, vira um mestre em xadrez, um guitarrista de classe mundial e um expert em cachorros-quentes.

É claro que estas novas habilidades vêm com um preço e Brian é lançado para uma conspiração violenta onde o fornecimento de NZT é tão escasso e os sintomas de privação tão violentos que há quem mate por um comprimido. Brian torna-se ainda um alvo para o FBI, que também está consciente das capacidades destrutivas desta droga e começa a investigar assassínios associados ao seu consumo. Após uma excelente cena de ação, onde Brian é perseguido pela Agente do FBI Rebecca Harris (Jennifer Carpenter de Dexter), esta fica em dúvida se ele realmente será culpado e acaba por se aliar a ele de modo a limpar o seu nome e encontrar o verdadeiro culpado.

Temos ainda a indicação, pela superior de Rebecca, Nasreen Awad (Mary Elizabeth Mastrantonio de Scarface), de que a série se poderá focar no mistério de quem criou o NZT. Entretanto, dá-se o esperado encontro de Brian com Eddie, onde ele encontra não só um aliado, mas um fornecedor de NZT. No entanto, quais serão as verdadeiras razões para um homem tão poderoso como Eddie Morra se interessar por um aparente zé-ninguém como Brian?

“Consegues lembrar-te de como é estar dentro do ventre da tua mãe?”

Ficamos assim com um piloto com imenso potencial, com um ritmo acelerado misturando ação, drama, narrativa e comédia. Consegue prender o espectador e deixa-nos com questões em aberto e curiosidade de assistir ao próximo episódio.

Pontos positivos: A narrativa é fluída, eficiente e com recurso à comédia (fãs de Mr Robot ou House of Cards irão apreciar); os efeitos especiais trazidos para o pequeno ecrã funcionam tão bem como no filme original e dão-nos uma sensação de regresso ao Universo de Limitless; quem não assistiu ao filme pode facilmente compreender a história; o elenco é muito bom e, para além dos já referidos, temos ainda o pai de Brian (Ron Rifkin de Alias), a mãe de Brian (Blair Brown de Fringe) e o parceiro do FBI de Rebecca (Hill Harper de CSI NY); McDorman como personagem principal.

Pontos negativos: para quem viu o filme, este 1.º episódio pode parecer muito semelhante à história que vimos desenrolar com Eddie Morra; algum mistério, como o envolvimento do pai da Rebecca com o NZT, podia ter sido deixado em aberto para nós, espectadores, podermos especular; e por fim, e o ponto que considero mais importante, será que esta série irá virar apenas mais um drama policial? Espero que não, e que os escritores demonstrem inspiração para nos envolver numa história muito mais rica.

Emanuel Candeias