A protagonista de Stitchers é Kristen Clark (Emma Ishta), uma estudante brilhante com a particularidade de sofrer de displasia temporal, uma doença fictícia criada para a história. Esta doença faz com que a Kristen não consiga percecionar a passagem do tempo, o que a determinado nível também afeta a sua perceção emocional. Isto torna-a particularmente apelativa a um ramo da agência N.S.A. que desenvolveu uma tecnologia capaz de introduzir a consciência de alguém, no cérebro de um cadáver cujo cérebro ainda não se tenha decomposto demasiado.

Na equipa para a qual a Kristen é recrutada, temos o neurocientista Cameron (Kyle Harris), o engenheiro bioeléctrico Linus (Ritesh Rajan) e a líder do programa Maggie (Salli Richardson-Whitfield). Possivelmente, pelo desenvolvimento da história do piloto, também a Camille (Allison Scagliotti) fará parte da equipa.

No piloto, a equipa coloca a Kristen no cérebro de um bombista de forma a descobrir a localização de mais duas bombas. O caso é resolvido com sucesso e sem mais vítimas. No entanto, enquanto na mente do cadáver a protagonista atravessou emoções que nunca tinha sentido e não se tornou fã. A Maggie acaba por conseguir convencê-la a ficar usando o caso certo: o suícidio de Ed Clarke, o investigador que desenvolveu o programa Stitchers e tutor de Kristen. Ela não acreditava que ele se tivesse suicidado e pelos vistos, nem a agência. A reviravolta do final do episódio é que o Ed tinha um parceiro de investigação, o pai da Kristen que a abandonou em criança.

Stitchers tem um elenco talentoso e apelativo (talvez à parte da personagem Maggie, para já). Contudo, pelo menos para já, não explicaram muitos detalhes de como funciona o processo de stitch das mentes com os cadáveres e exatamente o porquê da condição da Kristen ser tão apelativa. O que, honestamente, nem é mau por si só, porém logo neste primeiro episódio a história já entra em discrepância ao mostrar a Kristen-adulta bastante diferente da Kristen-criança. Exatamente que nível de emotividade processa a Kristen? Em criança pareceu bastante diferente (em oposição a indiferente) à partida do pai.

Não foi um episódio brilhante, mas a premissa virada para a ficção cientifica, com um elenco magnético e um aspeto visual agradável, são prometedores. Se trabalhar as discrepâncias poderá mesmo tornar-se uma excelente série de sci-fi de verão, mesmo que demore um pouquinho a chegar lá.

Outras coisas:

O interesse romântico para a Kristen parece ser o Cameron. Sou só eu que achei o Linus muito mais interessante?

Nota: 6.7/10

André Filipe Dias