Classificação

10
Interpretação
10
Argumento
10
Realização
10
Banda Sonora

Atenção a todos os leitores. Isto não é uma review do episódio final de Person of Interest. Isto é a projeção do meu louvor, de modo resumido, a tudo aquilo que esta série foi e que culminou num episódio final carregado de emoção e ação, mas acima de tudo, carregado de significados e esperança.

Fãs de Breaking Bad, Game of Thrones, Lost e muitas outras grandes séries, perdoem-me. Perdoem-me, mas se não conseguem apreciar a grandeza e perfeição de Person of Interest, não chamem à vossa série predileta a melhor. Porque Person of Interest, sem fundos infinitos nem liberdade criativa ilimitada, tornou-se na série mais profunda, significante e detalhada que eu já vi. Em resumo, para a perfeição só lhe faltou uma temporada final de 23 episódios em vez de 13 e estar alojada noutro canal que não a CBS.

Person of Interest chegou ao fim da linha. Acabou. Fini. Eindigde. Finito. The End.

Mas, apesar do destroço em que ficou o meu coraçãozinho, Person of Interest chegou ao fim com uma mensagem poderosa, com um episódio que apesar de apocalíptico, deu-nos tudo. Deu-nos o reviver da relação Harold/Reese, que foi a receita inicial de sucesso da série e que merecia reaver a sua importância. Deu-nos despedidas e sacrifícios. Deu-nos moral. Deu-nos significados e sentidos. Deu-nos Amy Acker de corpo e alma (que é como quem diz corpo e voz) novamente.

Deu-nos um fim. Mas deu-nos também um reset. Um novo começo. Mesmo que nunca o cheguemos a ver na televisão.

Return 0 é exatamente o episódio que marca aquilo que o título sugere. O regresso ao zero. E só se regressa ao zero subtraindo tudo aquilo que se foi somando. Nada resiste a uma multiplicação por zero. E é assim que o episódio começa. Com a sensação de que tudo será eliminado. Mas será mesmo?

A terceira temporada terminou com Root a dar a Harold, e a nós, uma mensagem de esperança, quase que como uma profecia. Que mesmo quando tudo está perdido, quando o pior aconteceu, ainda há uma coisa no fundo da caixa de Pandora. Esperança.

Este último capítulo de Person of Interest foi o desenrolar dessa profecia.

Mas para além da mensagem de esperança, Person of Interest termina com mais duas grandes lições. Amor e Identidade. Duas grandes lutas com que os nossos heróis se depararam inúmeras vezes ao longo destas 5 temporadas. Harold e Grace, John e Jessica, Root e Shaw, Carter, Fusco… O ser bom, o ser mau, correto ou corrupto, capaz de amar ou incapaz de sentir, ser relevante ou ser apenas mais um número no sistema… Ser fiel ao que se é ou ser transformado para ser outro alguém. Person of Interest despede-se assim com lições de esperança, amor e identidade, e, nas palavras de Shaw, do “valor da vida.”

Em resumo, Person of Interest termina dando aos seus personagens os destinos que mais os definem. Aquela que deu a sua vida pela Machine transcendeu; o criador continuará a viver atormentado, mas mudado; o fiel companheiro terminou o seu tempo emprestado, mas saldou a sua dívida; o cão saiu ileso e pronto para lutar contra o crime; o gato de Schrodinger ainda tem mais algumas vidas para gastar… O telefone voltou a tocar.

Obrigada, Person of interest,

It’s been a fun ride.

Mélanie Costa