Classificação

8.5
Interpretação
9
Argumento
8.6
Realização
8.3
Banda-Sonora

Bem, se não bastava dose dupla durante a semana para a CBS despachar uma das suas melhores apostas televisivas, esta semana a dose aumentou! Sim, três episódios de Person of Interest esta semana!

O sétimo episódio começa exatamente onde ficámos no anterior. Até podia recapitular, mas penso que dadas as circunstâncias todos devem ter a memória bem fresca. Lionel está hospitalizado após o acidente e a equipa está preocupada, não só com o seu estado de saúde, mas também com a sua curiosidade, que o poderá atraiçoar ainda mais. Estar no escuro parece ser o mais sensato para proteger o nosso caro Fusco. Enquanto John e Harold aguardam pela melhoria do detetive, Root é encaminhada para uma nova missão pela Machine. Esta missão está envolta em mistério, mas tudo leva a nossa heroína favorita até uma estação de rádio onde o locutor Max Greene está a receber umas estranhas chamadas de um ouvinte. Esta rádio não é uma qualquer. É uma que se foca em fenómenos paranormais e alienígenas, daí que Root esteja um pouco “às aranhas” com o que tem de fazer. Shaw continua a ser submetida à tortura psicológica de Samaritan até que um incidente ocorre numa das simulações.

“QSO” volta a centrar-se na história principal e continua a perpetuar o sucesso criativo da equipa de Person of Interest. O episódio trabalha tão bem a dinâmica das personagens e do argumento que nos faz franzir uma sobrancelha de tanta perplexidade coerente. Quando a série abre o jogo, as possibilidades tornam-se tão interessantes que se nos leva a refletir em determinadas coisas que nunca tínhamos pensado antes. Estão a ver aquele barulho irritante quando o nosso telemóvel vibra ao lado de uma coluna? Sim, aquele tic tic tic tic tic tic – peço desculpa mas não consigo exemplificar de outra forma – pois bem, em Person of Interest isso tem uma lógica de existência e a maneira como é incutida na história é simplesmente genial. Para além desta destreza argumentativa ainda temos mais de Amy Acker do que é costume, o que é sempre uma mais-valia. Relembrando as minhas reviews anteriores, as mulheres em Person of Interest são de uma força incrível e o seu carisma sobressai dos restantes protagonistas masculinos.

Portanto, “QSO” não só progride na narrativa como a torna ainda mais entusiasmante, auxiliada pela fantástica Amy Acker e por umas quantas respostas sobre a vida alienígena na Terra.

Reassortment

John persegue o novo número que é dado: James Ko. Este indivíduo está doente e vai parar ao hospital com o que parece ser uma gripe momentânea. Ao ser-lhe dado um antibiótico, o paciente morre de uma super-gripe que, segundo os dados clínicos, não correspondia ao seu diagnóstico. Nisto, é dado o alerta de quarentena na ala hospitalar e John precisa de encontrar o culpado da transmissão do vírus e que adulterou os medicamentos que a impulsionaram. Shaw tenta escapar mais uma vez do esconderijo de Samaritan onde se encontra, mas não sem encontrar alguns obstáculos pelo caminho. Root ajuda os seus compinchas enquanto Fusco fala com Elias para descobrir o que realmente se está a passar com as pessoas desaparecidas já que não pode confiar nos seus amigos. Jeff Blackwell, o novo recruta de Samaritan, começa a questionar as suas ordens, levando a I.A. a tomar uma atitude.

Mais um capítulo de bastante emoção no repertório de Person of Interest. “Reassortment” é engenhoso, bem fundamentado e palpitante. Mesmo que não seja, de todo, o capítulo mais forte da história principal, pelo menos continua a manter a narrativa fresca com os recuos e avanços das duas inteligências artificiais, bem como nos proporciona momentos inesquecíveis de Shaw. Era eu o único a ter saudades daquele sarcasmo maravilhoso dela? Sarah Shahi brilha nas suas cenas para aquele que parece ser o papel da sua vida. Já o resto da equipa parece algo embaciado, dadas as circunstâncias do seu novo caso.

Ainda que o episódio tenha as suas falhas, não deixa de ser empolgante a forma como o argumento se vai desmistificando e apresentando o projeto global de Samaritan gradualmente, abrindo as opções e deixando-nos perceber os seus planos maquiavélicos. Ver Elias é sempre um ponto positivo, ainda que pouco explorado, e manter Fusco na penumbra dos acontecimentos também já merecia um avanço significativo. Ele merece, tem sido um bom menino e já deu para ver que gosta de sarilhos, portanto, vamos lá dar-lhe uma palavrinha. Enquanto isso, Person of Interest aproxima-se rapidamente do seu final – caramba, três reviews em menos de um dia, até eu estou a precisar do final – mas não sem deixar a sua marca inconfundível como um magnífico exercício de televisão.

Jorge Lestre