2x01 - Parallax

2×01 – Parallax

Contém SPOILERS.

Uma das, se não mesmo a melhor estreia do Outono passado trouxe-nos a sua segunda temporada um pouco mais cedo que estava à espera. Por um lado ainda bem. Há tantas séries que estreiam em Setembro que é bom que deixei algumas para o Verão.

Para meu grande alívio, esta season premiere começou não muito tempo depois do final da primeira temporada. Aliás, considerando os grandes saltos temporais entre os episódios este foi surpreendentemente pequeno. Através da consulta médica do pequeno John ficamos a saber que se passaram exactamente três semanas desde que Bill bateu à porta de Virginia e que Libby deu à luz.

Todo o episódio andou à volta de Bill e Virginia. Depois de Masters admitir à antiga assistente que ela era a única pessoa que ele precisava, era obrigatório sabermos o que aconteceu a seguir. Michelle Ashford soube mesmo deixar-nos a sofrer.

Foi um início de temporada triste porque todas as personagens estão a sofrer com o que se passou na temporada passada.

Através de flashbacks vemos que Masters e Virginia acabaram na cama. Depois de Virginia se ter despedido no décimo episódio não estava à espera de outra coisa. Estava mais do que óbvio que Virginia não aceitaria o pedido de Nicholas e isso confirmou-se no telefonema. De todas as personagens, foi ele o único a perceber o que se passava entre os dois. Nem Jane, que trabalhou mais com eles suspeitou de algo apesar de estar mesmo à frente dela.

Tal como eu já suspeitava que ia acontecer, Masters está desempregado e isso não combina nada bem com o obstetra. Ele quer continuar o estudo a todo o custo e até aceita a proposta de Libby para dar graxa a um director de hospital que ele nem sequer gosta.

Pessoalmente, não gosto de Bill Masters. É um homem brilhante mas para mim não passa disso. Sei que a história de Virginia está profundamente ligada a ele e é apenas com ela que eu fico a gostar um bocadinho dele. Vá, e nas suas cenas com Barton Scully. As cenas em casa com o bebé confirmaram o que eu já temia. Já era sabido que Bill não queria ser pai devido à sua infância traumática mas nem a chegada do filho mudou os sentimentos dele. Pelo que nos foi dado a entender, Bill, em vez de tentar ser pai para John que ele nunca teve, limita-se a agir como a mãe quando ele estava a ser maltratado pelo progenitor. É isto que me irrita em Masters. A pessoa que ele é no trabalho, que é com Virginia é totalmente diferente da que ele é com a mãe, com Libby e com o resto do mundo. Ele está apaixonado por Virginia e recusa-se a reconhecer isso, preferindo viver a vida de fachada que construiu com a mulher. Nunca mais me esqueço das palavras de Barton quando Masters lhe perguntou o que seria preciso ele fazer para ser um médico suficientemente respeitado para desenvolver um estudo sobre sexo. Uma das coisas que o amigo lhe enumerou foi arranjar uma boa esposa. Libby preenche todos os requisitos e mais algum. É bonita, encantadora e ama mais o marido do que ele merece. Virginia é uma mulher divorciada com dois filhos. Naquela altura seria uma troca impensável.

Então o que resta a estes dois? O estudo. Acredito que o estudo seja uma grande parte da relação deles mas não é toda. Aqueles encontros no hotel enquanto Dr. e Mrs. Holden não são apenas para pesquisa. As palavras trocadas entre os dois não enganaram ninguém, apenas a eles próprios.

Masters: I think you might have misunderstood what happened between us. You referred to this as an affair. Of course we are not having an affair, Virginia. I’m a happily married man. So, I think, continuing the work is a good idea, but only if you understand the terms. 

Virginia também não está feliz. o trabalho com Dr. DePaul não a preenche como o estudo fazia e vê-se com falta de dinheiro para sustentar os filhos, tendo até de vender produtos duvidosos para a perda de peso. Odiei vê-la fora do seu elemento e da maneira como a sua reputação caiu no hospital (a maneira como os médicos a assediavam e o pessoal do hospital a tratava deixou-me revoltada) mas cheira-me que as coisas vão mudar agora que Masters arranjou um nova maneira de retomar o estudo pela maneira mais surpreendente. Lembram-se do marido de Betty, o rei dos pretzels? Ele está de volta e continua na ignorância que a mulher não pode de maneira nenhuma ter filhos. Por isso, em troca da sua ajuda, oferece um enorme donativo ao hospital que Masters, ainda que contrafeito, cobiçava e Bill volta ao activo. Só falta avisar Virginia.

Barton e Margaret voltaram a aparecer com o drama da homossexualidade do médico, que começou os tratamentos de electrochoque. Fez-me impressão a brutalidade do processo e o estado de Barton. Entre ele e a mulher, não sei de quem tenho mais pena. A cena da cama deles foi humilhante para os dois e juro que só me apeteceu chorar com a dor daquelas duas pessoas que se amam como amigos mas a natureza sexual está contra eles e não há nada que eles possam fazer para mudar isso. (Aplaudo a maneira como a Showtime está a mostrar os gays nas suas séries. Se Ian Gallagher e Mickey Milkovich de Shameless eram fantásticos, Barton Scully veio juntar-se-lhes.) Não sei o que vai acontecer ao casal mas não prevejo nada de bom no seu futuro.

Este episódio serviu de ponte para o que aconteceu na temporada passada e o futuro desta. Gostei de ver Betty de volta e parece que veio para ficar. Estou muito curiosa com a sua história. ‘Adorei’ a cena da mulher de Langham. Há muito que o médico mulherengo merecia aquilo e no meio de tanta infelicidade deu para eu mostrar um sorrizinho. Tenho pena de dizer adeus a Jane mas ainda bem que ela ficou com Lester. Eles formam um parzinho super engraçado. Apesar disto tudo, senti falta de Virginia e Bill trabalharem juntos.

Nota: 8.5/10

Maria Sofia Santos