Classificação

8
Interpretação
8.5
Argumento
8
Realização
7
Banda Sonora

[Contém spoilers!]

E chegou ao fim o maior crossover de sempre. Antes de entrarmos a fundo numa análise da qualidade, do que correu bem e do que correu mal, é preciso denotar uma coisa: foi feita História na televisão. Nunca tinha sido feito um crossover com tantas séries e tão espaçado no tempo e é de louvar que haja poucas inconsistências ao longo destas semanas. Nunca Anthony Zuiker, criador do CSI, achou que ao criar crossovers entre os vários CSI levaria, num futuro próximo, a um crossover espalhado por cinco séries diferentes e com personagens de muitas mais, sem falar de todas as referências a filmes do universo da DC e easter eggs.

O episódio pega no ponto deixado pelo anterior, o sacrifício de Oliver levou a que as várias Terras se juntassem numa só (e, portanto, a Terra de Flash, de Supergirl, das lendas e tudo o mais é a mesma), onde trabalharem em conjunto é visto como algo perfeitamente banal, o que muito provavelmente tornaria Legends of Tomorrow uma série de muito maior qualidade, já que é só nestes episódios que não se nota a baixa qualidade face às suas concorrentes.

Este episódio teve um pouco de tudo, desde pequenos vilões que aparecem, até a uma miragem de um Beepo gigante, boas piadas, más piadas e o desenrolar rápido de um enredo lento a construir. Já vimos isso em variadas situações e não digo isto como uma crítica, mas a história que demorou quatro episódios a construir acabou em apenas 6-8 minutos, desde o tempo em que descobriram que os fantasmas estavam de volta até conseguirem salvar o mundo, novamente.

Sempre que há interações entre as personagens do mundo da DC o episódio é melhor e tem mais qualidade, mas nem tudo corre bem e tenho apenas dois pontos negativos a apontar neste episódio: o uso em demasia do nome de heróis, acho que fica muito forçado e pouco natural que, no meio de uma luta, Barry chame a Kara Supergirl e não o seu nome. O outro ponto é o excesso de piadas de metaficção; sim, resultou em Deadpool porque foi mais bem escrito, mas não precisam de pôr Ray a aperceber-se que está num crossover a cada minuto da série. É engraçado nas primeiras duas vezes, depois disso é só estranho e deixa no espectador aquele sentimento de awkwardness.

À semelhança dos episódios anteriores, também este estava cheio de referências e easter eggs, desde os mais óbvios, como o aparecimento de Weather Witch ou de Beepo, até outros mais discretos, como aquele senhor de idade que pede um autógrafo a Kara e a Barry – ele é Marv Wolfman, o criador de Crisis on Infinite Earths, os comics. Quando vemos as diferentes terras, temos vários exemplos disso, desde Stargirl e a Justice Society of America, o mundo de Green Lantern, passando por Titans e Doom Patrol, até culminar no melhor easter egg do episódio: a mesa revelada por Barry. Sim, já estava na altura e, depois de tantos crossovers, finalmente o mundo das séries da DC criou os indícios de uma Liga da Justiça. Barry revela uma mesa redonda preparada para receber Sara Lance, ele próprio, Supergirl, Superman, Black Lightining, J’onn, Batwoman e  Green Arrow. Sim, existe um lugar à espera de Oliver Queen, e até Arrow terminar e ele não aparecer, ninguém me convence que está realmente morto. Apesar de os criadores do crossover quererem fazer parecer que sim, não acredito que a DC fosse matar um dos seus super-heróis preferidos num crossover quando a última temporada da série de origem ainda vai a começar. De certeza que o arqueiro ainda vai voltar a aparecer!

No cômpito geral a opinião é boa, sabendo das limitações e das dificuldades que é fazer esta peripécia toda acho que o grande foco deve ser o seguinte: estas personagens e atores resultam bem (a maioria) quando sozinhos, mas entendem-se melhor e aumenta muito a qualidade quando se juntam. Até quase consegui gostar da presença de Black Lightning, que é o herói que considero mais fraquinho na série de origem.

E vocês o que acharam?

Raul Araújo (com inputs de Beatriz Caetano)