Classificação

8.7
Interpretação
8.3
Argumento
7.6
Realização
8
Banda Sonora

Se o primeiro episódio de Legends of Tomorrow foi uma experiência agradável, mesmo com as falhas que apresentou, o segundo episódio mostrou o quão rapidamente a série está a caminhar para colmatar essas falhas, pelo menos no que respeita à evolução das personagens. Se eventualmente o telespectador estivesse na dúvida sobre a mais recente aposta da CW, este episódio deve ter sido elucidativo.

A segunda parte do piloto de Legends of Tomorrow focou-se no impacto que as viagens no tempo podem ter sobre o presente, explicando talvez a recusa dos mestres do tempo em dar uma nave a Rip Hunter para pôr um fim a Vandal Savage. Neste episódio, as consequências da alteração da linha temporal foram, se não algo grave, algo a ter em conta para futuras viagens. Ray perdeu uma pequena peça do seu fato de Atom na luta contra Vandal Savage e este, através de engenharia reversa, tentou restaurar a tecnologia e criar uma arma mais poderosa do que uma bomba nuclear. Outra influência no cronograma temporal veio diretamente da interação entre o Stein do presente e do passado, de 1975, a fim de obter um aparelho tecnológico capaz de localizar a peça que Ray tinha perdido. Esta interação fez com que o Stein do presente perdesse o seu anel de casamento.

Um dos aspetos interessantes nesta semana, e claramente evolutivo em relação ao primeiro episódio, foi a evolução dos personagens. A interação entre os dois Marty Stein fez perceber ao presente o quanto arrogante o seu eu mais jovem era, e os ecos que o seu comportamento tiveram na pessoa atual. Uma vez que a premissa de Legends of Tomorrow não permite, por assim dizer, explorar, à semelhança de outras séries, as inúmeras personagens nela presentes, este episódio veio provar exatamente o oposto. Podendo-se dizer que este episódio foi feito para Marty Stein e para a sua evolução enquanto personagem principal, resta-nos saber se este tipo de episódio vai ser uma rotina, o que podia ser benéfico para a série ou se, pelo contrário, foi caso isolado.

A adição de Miller e Purcell ao elenco continua a ser, para mim, a melhor decisão que os produtores tomaram até agora. Sinceramente, sem estes dois, não sei se a série teria pernas para andar e não caía na monotonia. As melhores cenas de todo o piloto foram quando este duo esteve presente, ora por Miller pensar que é o terrorista mais perigoso do mundo, ora por mostrar ao egocêntrico Palmer como invadir a casa de Vandal Savage ou então por querer sempre, em qualquer caso, partir para a violência. A cena na mansão de Savage é fantástica. Palmer que se está a esforçar para ser o herói perfeito e fazer o bem, embora quase sempre cometa erros que colocam em perigo quem está com ele, contrasta com Cold e Heatwave, que só querem ser os maus da fita. No fim, é engraçado ver que opostas personalidades colmatam os defeitos uns dos outros.

Outro aspeto positivo foi Rip Hunter. Não que já não tivéssemos gostado dele na primeira parte do pilot, embora algo arrogante e frio, mas este lado dele mais passivo, dando liberdade à tripulação com os riscos que isso acarreta, foi bonito de se ver. No final, a sua atitude de ajudar o Stein mais novo a conhecer a sua futura esposa, e desta forma repor a linha temporal, provou que Rip está com a tripulação.

Claro que nem tudo foi diversão na segunda parte do pilot. Carter, o Hankman, tornou-se Carter o mártir, após Vandal Savage o esfaquear e condenar à morte (pelo menos por agora). No entanto, gostei da interação entre Carter e Kendra durante todo o episódio e da evolução desta última, onde no final do episódio finalmente aceita o seu passado e o amor eterno pela sua cara-metade. Embora ache que o sacrifício de Carter tenha sido algo positivo, mostrou que não teme Savage e que estava disposto a tudo para acabar com ele. Por outro lado, vi sempre como curta a sua presença na série. Desde a sua inclusão em The Flash pareceu-me que um deles, Carter ou Kendra, ia ter de ser morto a fim de motivar o que ficasse a levar a luta até Vandal Savage.

Fica no ar se Carter ficará para sempre morto ou se as viagens temporais vão trazê-lo de volta à série. Por outro lado, a morte de Carter levanta uma outra questão. Matar assim uma personagem diretamente ligada a Savage e à premissa da série mostra que a CW pode não considerar preciosa a presença dos seus heróis e está disposta a matá-los. Podemos esperar no futuro mais mortes das nossas lendas?

Por outro lado, e aqui vou gerar possivelmente muita discórdia, Legends of Tomorrow continua a desapontar em relação às cenas de luta. Embora o terem copiado o plano de 360º feito em Avengers e deste ter sido uma surpresa agradável, as sequências de ação sem foco, as explosões algo aleatórias deixam-me algo dececionado. Sim, entendo que são muitos personagens para cobrir e dar ênfase, mas acredito que podem melhorar neste aspeto. Por outro lado, as cenas de luta corpo a corpo são muito mais envolventes e mais próximas ao que estamos habituados em Arrow e Flash.

Para terminar, Damien Dahrk? Em 1975? Muito interessante, de facto. Mas fico à espera de mais desenvolvimentos.

Resumindo, Legends of Tomorrow começou bem e ainda ficou melhor no seu segundo episódio. A segunda metade do piloto abordou alguns dos problemas da primeira, especialmente em relação à caracterização dos personagens, embora Vandal Savage continue a ser um elo fraco entre o elenco principal.

Fernando Augusto