Classificação

7.5
Interpretação
7
Argumento
7
Realização
7
Banda Sonora

[Contém spoilers.]

Uma nova semana trouxe consigo um novo episódio de Legacies. Intitulado This Is What It Takes, este novo capítulo abre oficialmente a 3.ª temporada da série, marcando o aguardado fim dos episódios ainda destinados para a instalação anterior. Aparece também como uma luz ao fundo do túnel, abordando, por fim, algumas das muitas preocupações que tenho tido com a série ao longo dos últimos tempos.

Após o desaparecimento de Landon no anterior episódio, Alaric sugere a Hope que use a caixa de terapia (There’s A Place Where The Lost Things Go) de modo a tentar alcançar as respostas que procura dentro da simulação. O cenário escolhido para este novo jogo psicológico é um campo de férias típico dos filmes de terror estilo “slasher” da década de 80, e a nossa personagem principal vê-se numa corrida para descobrir quem é o assassino em série. Entretanto, a tentativa de Lizzie de passar algum tempo com MG não corre conforme o planeado, e Josie toma uma grande decisão sobre o seu futuro.

Eis que Legacies consegue finalmente produzir um episódio capaz de reanimar a réstia de esperança que tinha em relação ao seu futuro. Longe de mim deitar foguetes antes da festa – afinal de contas, a série tem uma tendência irritante de produzir episódios razoáveis seguidos de outros péssimos –, mas acho que as bases lançadas em This Is What It Takes podem resultar numa mudança de tom favorável à história.

Pela primeira vez em algum tempo, temos o privilégio de assistir a um episódio maioritariamente centrado em Hope. Ainda que Landon e o seu desaparecimento apareçam como percursores do conflito narrativo deste novo capítulo da série (de forma justificada), é Hope quem tem que enfrentar e, talvez mais importante ainda, aceitar a realidade – uma decisão que certamente não pode ser tomada com facilidade por alguém que já perdeu tanto e que se vê agora mais uma vez forçada a dizer adeus.

Apesar do meu desagrado pela relação entre Hope e Landon ser já conhecimento comum aos leitores mais assíduos, não me senti completamente incomodada em ver a nossa protagonista tão obcecada com o personagem, neste novo episódio. Aliás, acredito que essa mesma busca incansável por uma alternativa ou uma solução à aparente morte de Landon vem a colocar em evidência o que tenho vindo a criticar ao longo dos últimos episódios, demonstrando que, afinal, os escritores de Legacies têm alguma noção do quão tóxica e absorvente esta relação se tornou.

Este facto torna-se incontornável aquando da conclusão da simulação por parte de Hope. Tendo em mente que tudo o que a personagem vê nesta simulação aparece como fruto do seu subconsciente, são várias as observações que podem ser levantadas a partir das interações da jovem Mikaelson com Lizzie, Ethan ou Josie – suficientes até para merecerem um artigo próprio. Escolho, no entanto, debruçar-me sobre as principais conclusões tiradas da experiência: primeiro, a relação entre Hope e Landon tem vindo a consumir todo o seu tempo e energia, isolando a personagem daqueles que lhe são mais próximos; segundo, Hope tem que resolver os seus traumas e aprender a aceitar que existem coisas para além do seu controlo, nomeadamente questões de vida e de morte.

This Is What It Takes faz assim um trabalho bastante razoável ao explorar a mágoa e o desespero sentidos pela personagem, criando espaço para um vislumbre ao lado mais sombrio de Hope que, em momentos, traz à memória os seus pais, nomeadamente Klaus. Apesar de aceitar, por agora, que a nossa protagonista não esteja disposta a concordar com aquilo que o seu subconsciente lhe esteja a transmitir, ficarei bastante desiludida se esta situação se tornar permanente. Acredito que seria benéfico à história se Hope aceitasse que a sua relação com Landon é prejudicial a ambos, mesmo após o inevitável regresso do personagem ao seu plano de existência. Espero que, pelo menos por uma vez, Legacies se comprometa à ideia ao invés de retroceder nos seus planos, como tem sido hábito.

Mudando agora de assunto, outra personagem que se destacou de forma bastante positiva neste episódio foi Lizzie. Para já, adorei a mudança de visual – um comentário supérfluo, eu sei, mas o seu cabelo parece muito mais natural e não me passou despercebido. Mas o que realmente me cativou foi o quanto a gémea mudou ao longo das últimas temporadas, e a forma como a sua relação com Josie é agora muito mais saudável que antes. Aqueceu-me o coração ver a personagem tomar decisões que, apesar de a magoarem, favoreciam aqueles ao seu redor (ainda que esteja à espera que resolva as coisas com MG).

Por fim, tenho apenas a dizer que não sou muito fã desta nova relação de Josie, pelo simples facto de me parecer demasiado apressada. Pessoalmente, sou uma grande apreciadora de slow burns, pelo que gosto pouco que me atirem com coisas à cara – e foi exatamente isso que senti com a introdução de Finch. Não só isso, mas esperava que a série se desse ao trabalho de desenvolver um pouco esta nova personagem antes de a colocar numa relação com Josie. Como nota final, não percebo bem o porquê de Legacies continuar a desperdiçar personagens com as quais os fãs já têm algum tipo de relação, como foi o caso de Jade e até mesmo Maya (que, na minha opinião, teria sido uma melhor aposta), apenas para trazer novas figuras para cena – ainda que seja inegável que Josie é absolutamente adorável quando tem uma paixoneta por alguém.

É com este episódio que Legacies dá início a uma breve pausa, com regresso marcado para o próximo dia 11 de março. Até lá, gostava de saber quais são as vossas previsões, desejos e expectativas para o resto desta 3.ª temporada nos comentários abaixo.

Nacionalmente, podem ver este e outros episódios de Legacies através da plataforma de streaming da HBO Portugal, com um novo capítulo disponível todas as sextas-feiras.

Inês Salvado