Classificação

10
Interpretação
9
Argumento
9
Realização
9
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Antes de começar esta review devo explicar que o atraso se deve ao facto de me ser complicado concentrar-se em coisas relacionadas com o entretenimento neste momento, quando parece que o mundo ocidental está mais perto do que nunca de uma revolução. Mas, ainda assim, tenho uma obrigação para com vocês, assim como para com o Séries da TV, que tão bem acolheu as minhas reviews nestes últimos meses, as mais constantes que alguma fiz na vida! E, sendo que esta será a minha última, por agora, aproveito também para agradecer. 

E pronto, chegamos ao fim! O que acharam? Eu gostei MUITO! Foi o melhor episódio da temporada na minha opinião. Tirando a revelação acerca da morte de Kenny, tudo me pareceu muito bom. Passo a enumerar…

Primeiro, é óbvio que do que gostei mais foi do arco das nossas lindas protagonistas, Eve (Sandra Oh)  e Villanelle (Jodie Comer), que estão tão apaixonadas, bless them. As cenas delas são tãooooo boas!!! A dinâmica entre estas duas personagens é sem dúvida das mais deliciosas e fascinantes de que tenho memória nas muitas séries que vou vendo. “O meu monstro encoraja o teu monstro,” disse Villanelle, mas Eve pede-lhe que a ajude a que esse não seja o caso. Elas trazem o pior uma da outra ao de cima, mas curiosamente, trazem também o melhor. Elas fazem atrocidades pela cegueira da obsessão e paixão que partilham, mas também se acalmam e tornam afetuosas quando juntas. Neste episódio vimo-las questionar o passado (o que seria Villanelle se nunca tivesse feito a sua primeira morte) e o futuro (Eve não consegue imaginar um em que Villanelle não esteja presente), de uma forma sempre tão terna e genuína que quase parece estranha nestas duas personagens, mestres do sarcasmo, da mentira, do disfarce. Mas resulta. A forma como elas são pessoas diferentes quando estão juntas é aquilo que define todos os grandes casais fictícios. Fiquei com a garganta apertada quando, na ponte, se começaram a afastar. Berrava para o ecrã do meu computador, entre palavras menos bonitas, “VIREM-SE!”. E claro, viraram-se. E foi o fim perfeito. Deixa suspense, deixa expectativa, deixa uma enorme vontade de ver a 4.ª temporada já!

Segundo, a morte de Dasha (Harriet Walter)! Insignificante e humilhante, tal e qual como ela merecia. Muito satisfatório depois de descobrir que ela não tinha morrido ainda na semana passada. Na minha opinião esta cena podia já muito bem ter acontecido nesse episódio, mas não fico muito preocupada, porque resultou igualmente bem.

Terceiro, o final do arco de Konstantin (Kim Bodnia). Cada vez gosto mais dele e sinto que agora, com os pontos nos is, e sabendo que tinha sido ele a mover o dinheiro, a storyline dele parece-me uma das mais completas, mais bem conseguidas e constantes da temporada. Desde praticamente o primeiro episódio que foram deixadas pequenas pistas de que poderia ser Konstantin, mas sempre confundindo ao máximo os espectadores. O espião, como os espiões são, agiu sempre pela calada, mas aos poucos fomos descobrindo que planeava fugir, fomos ligando os fios deixados ao longo da temporada. O confronto final com Carolyn (Fiona Shaw), que já agora, teve um percurso incrível nesta temporada também, foi de cortar a respiração. O passado deles é claramente controverso e não estaria contra um episódio estilo flashback na próxima temporada, com uma Carolyn e um Konstantin jovens.

Agora passando ao que não gostei (e podem também comentar as vossas escolhas), começo talvez pela personagem de Geraldine (Gemma Whelan). Não consigo perceber muito bem o papel dela na temporada. Sinto que a dor de Carolyn pela morte de Kenny conseguiria ter sido mostrada na perfeição sem a sua presença, mas, se para aprofundar a personagem de Carolyn lhe quisessem realmente dar uma filha, ao menos que a fizessem ligeiramente menos pãozinho sem sal. Desta forma, como foi feito, sinto que Geraldine esteve sempre, sempre a mais. Afinal de contas, estava a mais também para Carolyn, por isso se calhar era isso que eles queriam demonstrar? Seja como for, espero não a ver na 4.ª temporada.

Também dececionante, como já referi, foi a explicação da morte de Kenny (Sean Delaney). Por um segundo, por interpretar mal a cena em que Bear mostra as gravações a Carolyn, pensei que Kenny tivesse fingido a sua morte com a ajuda de Konstantin e que haveria uma revelação bombástica de que Kenny estava, de facto, em Cuba, para onde Konstantin ia também, a ajudá-lo a desmantelar os Twelve. Se assim tivesse sido, teria ficado mais contente, mas não foi o caso e afinal Kenny simplesmente caiu dum edifício como se fosse parvo, coisa que todos estamos fartos de saber que não é. Ele viveu literalmente com Konstantin durante a maioria da 2.ª temporada e Killing Eve quer fazer-me acreditar que estava assim tão aterrorizado com ele, como se o homem fosse um estranho, para se esquecer que estava num telhado do qual poderia cair? Não compro essa!

Ainda de salientar foi a reação de Paul quando Villanelle lhe falou de Hélène. Estou quase convencida de que Hélène não trabalha para os Twelve, mas pode também ser uma questão de níveis de confidencialidade dentro da própria organização que façam com que um chefe (Paul) nem saiba da existência de outro chefe (Hélène). Fica a teoria!

No geral, foi uma boa – não ótima – temporada, que para mim pecou pela falta de rumo em certos momentos, mas ganhou pela direção em que decidiram levar Eve e Villanelle (principalmente quando deixaram que finalmente se beijassem!), assim como Carolyn e Konstantin. Qualquer momento, para mim, em que a história não se focou em pelo menos um deles, foi dispensável.

Deixem nos comentários os vossos pontos altos e os vossos pontos baixos! Tal como disse, a minha concentração neste período de comoção social não foi máxima, portanto é natural que me tenha escapado alguma coisa. Adorava ouvir-vos! Obrigada a quem leu as minhas reviews de Killing Eve ao longo destas semanas e até à próxima!

Francisca Tinoco