Classificação

9
Interpretação
8.7
Argumento
8.3
Realização
10
Banda Sonora

Um ano e alguns meses à espera. Mas alguém merece? Mas alguém merece estar este tempo todo à espera daquela que é das melhores, se não mesmo a melhor, série da atualidade? Ainda por cima com uma season finale como aquelas!

Como se devem lembrar, a 6.ª temporada acabou com Cersei a explodir o Septo de Baelor, matando, assim, uma data de coelhos de uma cajadada só (o Alto Pardal, Loras, Mace e Margaery Tyrell, Lancel e Kevan Lannister) e a tornar-se Rainha dos Sete Reinos (buuuuhhh); com Jon Snow a tornar-se Rei no Norte e confirmou-se também a muito antiga teoria de que o jovem bastardo era, na verdade, filho de Lyanna Stark e Rhaegar Targaryen. Daenerys aliou-se a Olenna Tyrell, a Ellaria Sand, a Yara e Theon Greyjoy e zarpou para Westeros com a sua equipa de confiança; Arya começou a sua vingança. Foi, sem dúvida, o melhor fim de temporada que Game of Thrones nos apresentou em seis anos.

Como sabem, a temporada passada mudou completamente o jogo. Agora todas as personagens se encontram em Westeros; agora há todo um mundo de possibilidades de alianças. A ida de Dany para Westeros vai para mudar tudo. Vai deixar de ser uma personagem “à parte”, isolada em Essos e com mais paleio do que ação. A Rainha dos Dragões está pronta para pegar o touro pelos cornos, mas Cersei Lannister não está para brincadeiras. Duas rainhas totalmente diferentes estão prestes a medir forças. No entanto, o verdadeiro perigo encontra-se para lá da Muralha e não há-de faltar muito até começar a invasão a Westeros.

Game of Thrones nunca teve estreias de temporada muito aparatosas. Desde o início da série que o primeiro episódio foi sempre calmo, com muita informação, com pouca ação. Mais como um impulso e uma amostra do que nos espera nos próximos seis episódios.

As Gémeas

Arya: Leave one wolf alive and the sheep are never safe.

Arya Stark nunca foi a menininha típica. Depois da desgraça que assomou a sua família, Arya parece ter ficado vazia por dentro, cega de ódio e vingança. Terá a jovem lobita perdido parte da sua humanidade? A imagem de ela a dar a comer os próprios filhos a Walder Frey  ainda me persegue. Mas terá ido Arya longe demais a matar todos os membros da Casa Frey?

Não nos podemos esquecer que Arya estava presente no final do Casamento Vermelho. O Cão de Caça e ela tinham acabado de chegar às Gémeas, mas foi tarde demais… a matança já tinha acabado. Logo no momento em que pensava que se iria reunir com a família, ficou novamente sem chão. É que Arya viu ao vivo e a cores a decapitação bem pública do pai em Porto Real… E está sozinha há demasiados anos… Estas coisas deixam marcas num adulto, quanto mais numa adolescente.

O que Arya precisa, na minha opinião, é rumar a Norte e não a Sul. Ela há-de saber de qualquer maneira que Jon é o Rei no Norte e Sansa está com ele em Winterfell. Arya necessita de família, dos Stark. De se reencontrar e controlar todo o fogo de vingança que, aos poucos, a vai consumindo.

(Vale a pena mencionar a participação de Ed Sheeran? O rapaz canta mais que bem, é o cantor favorito de Maisie Williams e D&D deram um presentinho à moça. Foi relevante? Longe disso, mas não há necessidade de tanto gozo. Pobre rapaz!)

Porto Real

E quem mais tem vontade de partir o copo de vinho na cabeça de Cersei? Que ela é maluca, mas está cheia de manhas toda a gente sabe. Mas Jaime tem razão. Ela tem poucos ou nenhuns aliados. E as pessoas a quem apelidou de traidores são simplesmente Casas que ela afastou sozinha.  Tudo bem que ela ainda tem o exército dos Lannister e agora o Euron Greyjoy chegou recheadinho de navios e piadas bem à patrão.

Mas o que está Cersei a pensar fazer exatamente para derrotar Daenerys? Ela só pode contar com o Rochedo de Casterly e as Ilhas de Ferro. Quem é que agora tomou conta de Correrrio após a desgraça da Casa Frey? Eles também nunca foram grande ajuda, sinceramente!

Quando vi Jaime regressar a Porto Real e ver a enorme nuvem de fumo que assolava a capital, sempre pensei que tivesse uma atitude mais assertiva com a irmã. Mas não. O gémeo continua coladinho à mana, mas a tensão entre os dois é palpitante. Jaime sabe que a irmã está a perder o juízo, mas ainda se deixa cegar pelo amor que tem por ela.

Mas será esta confiança de Cersei de que vão derrotar todos os inimigos? É que já sabemos que existe uma certa profecia que persegue a rainha desde criança. Da morte dos filhos e de uma jovem rainha que iria ocupar o seu lugar. Logo agora que Cersei pensava que tinha dado cabo da profecia ao explodir Margaery vem outra, ainda por cima apetrechada com dragões.

Qual será o presente que Euron vai trazer para Cersei? Eu tenho duas opiniões. Uma é Tyrion. Cersei já sabe que o irmão é Mão da Rainha e está desertinha para colocar as garras nele e dar cabo dele de uma vez por todas. Se ela soubesse o bem que o irmão faz a Dany e como lhe consegue meter juízo na cabeça… A outra é a famosa trompa que controla dragões. Nos livros, Euron traz uma trompa que diz que achou nas ruínas de Valyria e que tem o poder de controlar dragões. Na série ainda não houve menção a tal objeto, mas…

Winterfell

Bom, por muito bonito que seja o facto de Jon e Sansa estarem novamente reunidos, a verdade é que os dois são muito diferentes e têm prioridades diferentes. Sansa passou demasiado tempo em Porto Real e aprendeu a não perdoar inimigos, por ter sido traída tantas vezes. Já Jon herdou do pai adotivo o sentido de justiça. Por muito que tenha concordado com a decisão de Jon de não banir os herdeiros das Casas que ficaram do lado de Ramsay na Batalha dos Bastardos, a verdade é que Sansa tem conhecimentos daquilo que se passa a sul. E sim, Jon tem razão quando diz que têm de se focar na ameaça que são os Caminhantes Brancos, mas ignorar Cersei não é uma opção. E aí Jon devia parar de ser casmurro e ouvir a irmã que passou anos a viver na Fortaleza Vermelha e conhece bem a nova rainha de Westeros.

Por outro lado, estas divergências são mesmo para dar murros no estômago dos fãs que ansiavam a reunião dos manos Stark. Eles estão juntos sim, mas isto não é nenhum mar de rosas. O problema é que estas diferenças de opinião não são tão interessantes como a de Cersei e Jaime, nem de perto nem de longe. Ainda por cima quem se fica a rir disto tudo é o Mindinho. Só dá mesmo vontade de o atirar da varanda. Quando é que o Jon lhe dá uma bela sova? É que nas primeiras temporadas ele ainda era relevante e interessante de ver, mas agora já cansa. Livrem-se dele. Estamos a doze episódios do final da série e estes joguinhos da treta já são bem dispensáveis.

Cidadela

Pobre Sam! Pobre, pobre Sam. Nunca teve a vida facilitada na Muralha e agora que pensava que estava nas sete quintas na Cidadela fica encarregue das piores tarefas de todas. Até eu fiquei agoniada ao ver tanto vómito e dejetos.

No entanto, as cenas da Cidadela ficaram interessantes quando Sam fez o melhor que sabe… meter a cara nos livros. E foi assim que descobriu que há toda uma montanha de vidro de dragão em Pedra do Dragão. Aço valiriano, vidro de dragão… Tudo vai dar ao mesmo. E ainda não sabemos se  o fogo dos dragões faz alguma coisa aos Caminhantes, mas uma coisa é certa, Sam vai enviar uma carta a Jon sobre o que descobriu e o jovem rei só vai ter um destino: zarpar à ilha da ancestral Casa Targaryen e informar Daenerys de tudo o que se passa e pedir auxílio.

Então foi na Cidadela que Jorah pediu refúgio para tratar da Greyscale. Será que ele e Sam vão acabar por interagir? Estou curiosa para saber o que ainda têm planeado para o eterno apaixonado de Daenerys Targaryen.

Muralha

E Bran chegou à Muralha. Com visões do exército dos Caminhantes Brancos e Wun Wun à mistura! Quanto tempo ficará o jovem Stark na Muralha? Ed certamente colocá-lo-á a par de que o irmão e a irmã estão instalados em Winterfell e esse será o destino de Bran. Vamos é ver se chegará a tempo de encontrar algum dos irmãos. Em Game of Thrones estas coisas nunca são certas. Bran é uma peça essencial na luta contra os Caminhantes Brancos e pode ajudar e muito o irmão, mas lá está, é tudo uma questão de timing!

Pedra do Dragão

Daenerys: Shall we begin?

Como é óbvio, a primeira paragem de Dany foi no ancestral castelo da família. O sítio onde nasceu e o primeiro sítio que os Targaryen reclamaram como seu quando rumaram a Westeros. Nem fazia sentido ela ir para outro sítio. Dany precisa de se ligar com Westeros e Pedra do Dragão é exatamente o sítio onde deve começar. E estrategicamente era o sítio que mais fazia sentido, como disse Jaime.

A cena teve poucas palavras, que também não eram precisas. A expressão na cara de Dany fez tudo e deu toda a emoção que a cena precisava. Desde o momento em que toca na areia na praia, a abrir as portas do castelo e a puxar o estandarte de Stannis Baratheon para o chão, ver a mesa-mapa até, no fim, se sentar no trono como herdeira legítima do castelo. Vamos começar a festa?

Maria Sofia Santos