Classificação

7.5
Interpretação
6
Realização
7
Argumento
7
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Em Power Broker, The Falcon and the Winter Soldier continua a um ritmo cardíaco inconstante.

Sam (Anthony Mackie) e Bucky (Sebastian Stan) continuam os recados pelo mundo, procurando pistas que os coloque no encalço dos Flag Smashers (que seriam oito membros, mas poderão ser potencialmente 20). Apesar de sabermos mais um pouco sobre os vilões, o seu “aprofundamento” (e uso aspas porque equivale à profundidade da piscina dos pequeninos), dá mais a sensação de encher chouriços entre cenas de heróis do que qualquer outra coisa. Não sei se estou a ser extremamente duro, mas ao terceiro episódio estamos a assistir uma verdadeira masterclass em como manter as coisas em movimento sem sair bem do sítio.

A grande novidade do episódio é o alargamento da equipa em 100%. Zemo abandona o papel de catalisador em Civil War, transita por um momento de Hannibal Lecter na prisão e acaba em comic relief. O facto de tantos espetadores referirem a dança de Zemo como o melhor do episódio, diz muito sobre o que a Marvel está disposta a fazer para entreter. Porque uma coisa é termos uma buddy comedy com ação enquanto as personagens lidam com a perda e traumas passados, outra, é colocar o homem que torturou pessoas em Civil War como estrela de memes de TikTok. Parece haver uma necessidade infindável à lá Disney de tornar tudo leve e fácil, aceitável para todas as idades e públicos, enquanto a lógica fica por vezes lá fora.

Outro regresso de destaque é, claro, de Emily VanCamp. Sharon é uma mulher diferente, mais amargurada, que seguiu o caminho de Hawkeye pós-Blip. Claramente sentiu-se abandonada e teve de lutar pelo seu canto no mundo. Não me parece que vá abdicar dele com muita facilidade.

Pergunta para queijo: não surgem dúvidas a ninguém de que é ela a Power Broker, certo? Avisa Sam e Bucky para se afastarem do caso para bem deles, tem uma casa riquíssima e reuniões com “clientes”, sabe exatamente onde o cientista está e não está presente durante a conversa porque ele iria obviamente reconhece-la… Poderão pensar que a história não seria assim tão óbvia, eu relembro o parágrafo acima e as zero indicações de que a série deu até agora sobre estarmos a ver algo “intelectual”. Obviamente, a outra possibilidade é que o próprio Zemo seja o Power Broker, já que o “homem” mistério só lhe merece elogios…

Ayo (Florence Kasumba), a número dois das Dora Milaje e guarda-costas de Black Panther, aparece no final do episódio para nos lembrar que o plano de Bucky não é moralmente aceitável. Porque a mensagem não fora martelada o suficiente até então. Ainda assim, deixo em aberto a possibilidade desta adição ser potencialmente benéfica para a série, que adiciona novas personagens a um ritmo alucinante. Ou então é a tentativa da Disney em lançar mais uma produção (há rumores de uma série focada em Wakanda estar a ser produzida).

Acho que foi o episódio que menos gostei até ao momento. Episódio que dá continuidade ao “desperdício de tempo”. Relembro que metade da temporada já passou. Temporada que demonstra ser bastante desequilibrada em arcos narrativos: John Walker (Wyatt Russell) em enorme destaque no segundo episódio e agora merecer apenas duas mini-cenas; imensos efeitos especiais para agora vermos Avengers a ter lutas de tiroteios no meio de contentores, etc. Tudo é referenciado, mas nada é realmente desenvolvido. Isto torna a série entretida, mas facilmente “esquecível”.

O Melhor:
– Zemo a explicar porque Marvin Gaye é bom e Sam obrigado a concordar. A data de estreia do episódio coincide com o aniversário do cantor.
– A CIA é revelada duas vezes no episódio. Uma por ligação ao “Frankenstein” que criou a fórmula dos super-soldados e outra por John Walker…
– Por falar em John Walker: “Do you know who I am?!“, mais uma frase que Steve Rogers nunca diria.
– Global Repatriation Council, a agência que assiste quem regressa do Blip, algo de estranho se passa ali… Hydra?!
– Oeznik, nome do Alfred de Zemo, em eslovaco significa “carniceiro”.
– A comparação de Madripoor a Skull Island tem o seu lado de engraçado considerando a estreia de Godzilla Vs. Kong.
– Madripoor é mais uma referência do Universo Marvel aos X-Men. Mas também pode ser Madrid para pobres… deixem-se estar, eu saio por mim…

Pior:
– É suposto acreditarmos que Sam, um agente cheio de experiência, deixaria o telemóvel com som durante a missão?!
– Portanto, o bartender sabe perfeitamente que bebida é que o Smiling Tiger costuma beber, até tem uma cobra sempre à mão não vá o senhor aparecer, mas não identifica que Sam não é ele? Mais, vamos assumir por momentos que uma cidade cheia de gente vilã não sabe a história de redenção de Bucky, mas é suposto acreditarmos que não reconhecem um Avenger como Sam?!
– Sam, cuja 50% da missão nesta série é dar exposição de eventos passados para relembrar o espetador. Não há qualquer razão para ele interpretar aquele papel. Poderia ser simplesmente um guarda-costas mudo de Zemo e não faria qualquer diferença para o que precisavam de fazer em Madripoor.
– O trio tem de fugir de Low Town porque tem uma enorme recompensa sobre as suas cabeças. Mas vão abanar o capacete livremente para a festa de Sharon.
– Zemo, o manipulador que lê Machiavelli. Original.
– Foi algo que me escapou ou não foi ainda explicado o que aconteceu ao Old Man Steve Rogers desde que deu o escudo a Sam?
– Sharon deu umas cambalhotas com Steve Rogers nos filmes, mas neste Universo ela viu-o com a Tia Peggy desde criança, certo?!

Vítor Rodrigues