Classificação

8
Interpretação
6
Realização
8
Argumento
7
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Com Star-Spangled Man, The Falcon and the Winter Soldier parece abraçar mais o estilo que se previa, o bro comedy de ação.

Obviamente houve espaço para o drama, o piloto não ficou esquecido, mas seria um desperdício muito grande não aproveitar a química destes dois no ecrã. A série apressou-se em juntá-los sem que houvesse algum tipo de catalisador ou até mesmo aviso. Bucky (Sebastian Stan) apareceu no hangar, é isso. Pode parecer uma crítica, mas tal como referi na análise anterior, é isso que espero desta série. Ainda assim, este episódio soube-me a pouco.

Conhecemos John Walker, um Capitão América que em qualquer outra circunstância não precisava de se justificar, tal é o seu currículo. Não sei se a série irá tomar o rumo de John se juntar aos Flag Smashers (e Sam herda o escudo), mas para já faz por mostrar que há virtude e vontade de melhorar o mundo. Há, também, um “Get the hell out of my way”… algo não muito nobre, abrindo portas a uma mudança de comportamento. Não ajuda também que Clé Bennett normalmente faça papéis de vilão!

A minha maior crítica ao episódio é que me pareceu um enredo à base de “recados”. Vamos aqui, agora vamos falar com este, agora vamos falar com aquele. Não há grande fio condutor nem uma verdadeira sensação de evolução. O que sabem Sam (Anthony Mackie) e Bucky no final que desconheciam no início do episódio sobre este inimigo? Que são oito em vez de um? Tivemos diálogos, sabemos um nome (Erin Kellyman) e que estão dispostos a sacrificar-se pelos seus ideais como qualquer fanático, mas fora isso…

Tenho perfeita noção que é apenas o segundo episódio, mas continuo com o receio – por a temporada ter apenas seis episódios – de que no fim tudo acabe numa grande batalha e o aprofundamento dos personagens caia por terra. Que tudo seja martelado! Ainda só tivemos uma referência a Sharon e Zemo teve direito a uns segundos. E o arco que Sam iniciou no primeiro episódio? Dará em alguma coisa ou terá continuação? Algo que me pareceu também evidente é que ao nível de ação, principalmente em efeitos especiais, a produção não esteve ao mesmo nível. O CGI pareceu-me mais “manhoso”. O que pode ir para além da sensação pessoal. Afinal de contas, não seria a primeira vez que se gastava à larga no piloto (porque serve de montra) e depois poupam nos seguintes.

No fim desta análise pode parecer que desgostei do episódio, o que não é o caso. Está claramente em jogo as expectativas de alguém que espera algo da série sem que esta mereça necessariamente sofrer por antecipação. A atitude correta é deixar as coisas tomarem o seu rumo e ajuizar no final como um todo. Ao nível individual, cada episódio foi diferente e explorou aspetos diferentes, sendo este The Star-Spangled Man um bom antídoto a um piloto mais sombrio e carregado emocionalmente. Preocupa-me a visão global de uma temporada demasiado curta para o que parece querer contar, só isso.

Melhor:
– O primeiro episódio foi a maior estreia do Disney+ até ao momento, o que não é dizer muito, visto que o serviço só atingiu a escala global há seis meses e só três grandes séries foram lançadas. Mas é de destacar.
– Depois de uma cena com a psicóloga algo “alucinogénica” no piloto, a mesma personagem serviu para nos dar o momento mais cómico neste episódio. A Marvel consegue fazer bem estas misturas.
– “The Big Tree: Androids, Aliens and Wizards.” – Ele não está errado!
– “A Sorcerer is a wizard without a hat.” – Ele não está errado!
– A série aborda a discriminação racial em três cenas consecutivas: o perfil racial feito a Sam pelos polícias brancos, a piada com o miúdo na rua e o tratamento de Isaiah na prisão. Nesta última, pode ser interpretado que Isaiah foi sujeito a tudo aquilo por ser um super-soldado, mas interpretei um fator racial relacionado.
– Quem será o Power Broker que está a caçar os Flag Smashers?

O Pior:
– Era mesmo necessário que Bucky, na cena a correr para se encontrar com Sam, fosse em CGI?!
– Bucky, e toda esta malta que cisma em não aceitar os tempos em que vive, é alérgico à mobília.
– Porque é que Bucky arranca a manga do casaco antes de saltar do avião? Imagino a diferença que fez a cair no meio das árvores…
– Porque raio é que Redwing voou tão baixo ao ponto de ser fácil de apanhar?
– Bucky sobrevive, na boa, a uma queda de avião, mas tem dificuldade em se içar no camião? John Walker fê-lo sem stress!
– Porque é que o duo de heróis vem a caminhar depois da batalha? Não me vão dizer que as asas de Falcon ficaram danificadas, pois não?!
– A Marvel tem uma necessidade incessante de manter o público bem exposto, como quem nos dá sempre a mãozinha para atravessar a estrada. Por um lado faz séries que só quem segue o Universo conseguiria compreender plenamente. Por outro, é necessário Sam relembrar a história do roubo do escudo e dizer no final que vão falar com Zemo em vez de simplesmente aparecer o ator…

Vítor Rodrigues