01x10 - Marco

01×10 – Marco

Chegámos ao final da temporada desta brilhante jornada pelo passado de Jimmy McGill a.k.a. Saul Goodman antes de o mesmo estar envolvido com Walter White e Jesse Pinkman em Breaking Bad. O spinoff, criado por Vince Gilligan e Peter Gould, explora a vida do emblemático advogado para entender o porquê de o mesmo ter optado por se tornar num mensageiro da lei num contexto… bem… ilegal.

Em “Marco” vamos recuar no tempo, para finalmente entendermos a raiz da criação de Saul Goodman que, até então, nos era desconhecida. No início da temporada, descobrimos que Jimmy McGill tinha um parceiro no crime, Marco, (Mel Rodriguez, o “some friggin’ fat guy” da recente The Last Man on Earth) que o ajudava a obter lucros das vigarices que engendravam juntos. Jimmy abandona New Mexico, depois da desilusão com o seu irmão Chuck, e decide refugiar-se no seu passado onde reencontra Marco. Marco é um vigarista nato que, ao contrário de Jimmy, vivencia estas trapacices entusiasticamente. O regresso de Jimmy às suas origens, não só reflete o à vontade do mesmo em situações maliciosas e de exploração, como também reata a amizade com este amigo com quem já não se encontrava há alguns anos. Os esquemas elaborados dos dois vigaristas funcionam como um íman para atrair uma série de pessoas em busca por dinheiro fácil e que acabam por ser as vítimas da sua própria curiosidade (uma chicotada engenhosa de Peter Gould que ficou encarregue do argumento e realização deste final de temporada). No entanto, Jimmy sabe que após esta semana de recordações, o dever chama-o e decide regressar a New Mexico o que, para Marco, assinala o fim da sua parceria. Para isso Marco pede encarecidamente a Jimmy por uma última vigarice para reviver os velhos tempos e as surpresas não tardam a surgir.

Em “Marco” a presença de Mike ficou reduzida a uns breves minutos no final do episódio e, apesar de a sua personagem ser um ícone, não foi realmente necessária para a fluência da narrativa. Não nos podemos esquecer que acompanhamos a vida de Jimmy McGill e que os capítulos de Mike são secundários, por muito que isso nos aborreça a certa altura. Peter Gould completa este primeiro arco narrativo da história de Saul Goodman com muita classe e dá aos fãs aquilo que eles pretendem saber do seu adorado protagonista. As respostas que procurávamos para explicar o comportamento do advogado são dadas detalhadamente, com destaque para o momento no lar onde Jimmy menciona momentos do seu passado (e que nenhum velhote quer saber) e o faz revisitar Marco. Voltar às origens é, muitas vezes, um momento de reflexão do presente e do futuro e resulta no encaminhamento de decisões que nos mantém nos eixos da vida e nos leva a não perder o nosso rumo. Jimmy apercebe-se que, por muito que sinta a falta de Marco, a vida que levava com o seu parceiro já se encontra atrás das costas e a consciência começa a pesar.

O final de Better Call Saul não é hilariante, nem repleto de momentos inesperados, mas é um trocadilho que desafia o curso normal de uma história. O passado, neste caso, ajuda Jimmy a tomar as decisões do seu futuro e esta artimanha argumentativa funciona como a cereja no topo do bolo. Não fiquei totalmente convencido com a ausência de Mike, até porque a sua história necessita de concluir alguns pontos importantes, mas fiquei satisfeito com a brilhante conclusão que deram a Jimmy McGill e que o aproxima mais de se tornar Saul Goodman.

Nota: 8/10

Jorge Lestre