Classificação

7.6
Interpretação
7.7
Argumento
8
Realização
7.9
Banda Sonora

Atenção: esta review contém spoilers!

Crisis on Infinite Earths continua agora com a sua segunda hora em Batwoman, a mais recente adição às séries do Arrowverse. Depois de um primeiro episódio repleto de ação e capaz de colar qualquer um ao ecrã em Supergirl, o ritmo deste crossover abranda um pouco quando Monitor partilha novas informações com os nossos heróis, forçando-os a dividir-se por várias missões para tentar alcançar um objetivo comum: derrotar o Anti-Monitor, travar a crise e impedir a destruição de todos os universos.

À semelhança do que aconteceu com Supergirl, Batwoman não teve qualquer tipo de build-up para este crossover – o segundo em que Kate participa, depois de Elseworlds. No entanto, se a primeira série foi bem integrada neste evento, contando com colaborações importantes de várias personagens para além de Kara, o mesmo não pode ser dito sobre Batwoman, cujas personagens apareceram de forma breve e apenas como outras versões de si mesmas da Terra-99. Ainda que, muito provavelmente, isto se deva ao facto de Luke ser ainda o único personagem na Bat Team familiarizado com a verdadeira identidade de Batwoman, o episódio poderia ter feito um melhor trabalho em incorporar outros elementos da série, pelo que deixou bastante a desejar nesse departamento.

Descobrimos, neste episódio, que existem sete Paragons (ou, por outras palavras, sete pessoas tidas como o exemplo perfeito de uma determinada qualidade) capazes de derrotar o Anti-Monitor. Com a ajuda de Felicity, Monitor sabe já a identidade de duas destas personagens: Sara Lance, o Paragon do Destino, e Kara Zor-El, o Paragon da Esperança. Sobre os restantes cinco, existem pistas sobre a identidade de apenas dois, sendo um deles outro kryptoniano e, o outro, “o morcego do futuro”. Sem grande esforço mental, percebemos desde logo que Kate será um destes Paragons (por sinal, o da coragem), mas os heróis não chegam a essa conclusão de forma tão rápida e, em vez disso, Kate e Kara partem em busca de um Bruce Wayne de uma outra terra, enquanto Lois, Clark e Iris procuram um outro Superman.

É esta busca por verdadeiras agulhas no enorme palheiro que é o multiverso que faz com que este episódio do crossover seja, em grande parte, movido por cameoseaster eggs, direcionados aos grandes fãs de banda-desenhada – até porque, na realidade, pouco se passa neste episódio no que diz respeito ao desenvolver do conflito principal. Assim, vemos uma reprise de Tom Welling no papel de Clark Kent em Smallville (um cameo que tem vindo a gerar alguma polémica entre os fãs da série, devido ao facto de o personagem ter abdicado dos seus poderes para se tornar num homem de família). Já o nosso próprio Brandon Routh tem finalmente a hipótese de vestir novamente o fato do kryptoniano, desta vez dentro do Arrowverse, acabando o seu Superman por ser o Paragon da Verdade. Por fim, Kevin Conray, o homem por detrás da voz de Bruce Wayne em Batman: The Animated SeriesBatman Beyond, dá corpo ao personagem neste crossover, interpretando o Cavaleiro das Trevas da Terra-99.

Estes não foram, no entanto, os únicos personagens a aparecer neste novo capítulo de Crisis. Num episódio que esteve mais próximo do estilo de Legends of Tomorrow do que de Batwoman, ouvimos ainda a voz de Leonard Snart no lugar da de Gideon no waverider quando Lyla recruta o Mick de uma terra alternativa para que os heróis possam usar a sua nave como base. John Constantine junta-se também à equipa para ajudar Sara, Mia e Barry no seu plano para trazer de volta Oliver (sobre quem passaremos já a falar) e até Jonah Hex faz uma pequena aparição. O problema é que nenhuma destas personagens tem uma grande performance, acabando Mick por ser um bocado desnecessário a toda a situação e os poderes de Constantine por não serem fortes o suficiente para a tarefa em mão – algo que não se percebe, dado que é suposto ser perito no assunto.

Conforme foi teorizado na review do episódio anterior, a morte de Oliver não é permanente, nem poderia ser, dado o conhecimento que temos já deste universo. Assim, e em típico estilo Arrowverse, Sara, Mia e Barry recrutam os serviços de Constantine para localizar um Lazarus Pit numa outra terra para trazer de volta o Green Arrow, missão que acabam por completar de forma mais ou menos bem-sucedida. Este back and forth com Ollie acaba por retirar algum poder à morte do personagem e chega mesmo a passar a ideia de que esta narrativa não foi bem pensada por parte dos guionistas da série. Num evento desta magnitude, a morte e, principalmente, todo o processo de ressurreição de Oliver (e, no futuro, a recuperação da sua alma) parecem ser anti-climáticos e distrair um pouco da narrativa principal, para não falar do facto de o Lazarus Pit continuar a ser uma solução bastante óbvia, conveniente e previsível para a morte de personagens. Gostaria que este problema tivesse sido resolvido de forma diferente, talvez mais tarde no crossover, mas não posso negar o alívio em ter Oliver de volta à land of the living.

Por fim, acho que este episódio peca em não se focar tanto quer nas Terras que continuam a ser destruídas a cada momento, quer nos sobreviventes da Terra-38. Acredito que o primeiro capítulo do crossover foi bastante mais impactante neste sentido e que o segundo veio tirar um pouco a humanidade e o sentimento de urgência inerente a este tipo de acontecimento. Mesmo no que diz respeito às personagens, estas têm lidado com os problemas que se apresentam com relativa facilidade, pelo que a crise em si não tem estado tão presente quanto imaginava.

Com três episódios até ao final deste crossover, parece que tudo pode acontecer. Será definitivamente interessante ver de que forma os nossos heróis irão resolver este grande problema e, talvez mais interessante ainda, descobrir quais as repercussões que a crise terá para o futuro de cada uma das séries do Arrowverse.

Crisis on Infinite Earths segue agora para o seu terceiro e último capítulo de 2019 em The Flash, antes de regressar em janeiro do próximo ano.

Inês Salvado (com inputs de Beatriz Caetano e Joana Henriques Pereira)