01x04 - Hero

01×04 – Hero

Para conhecer o verdadeiro Jimmy McGill, é necessário recorrer a elementos passados. Num flashback inicial, Jimmy caminha com um estranho em direção a um beco, contando piadas (aquele pequeno tesourinho linguístico de S’all good, man! forneceu logo um dos melhores momentos do episódio); não tarda nada, os dois descobrem uma carteira cheia de dinheiro caída no chão e o seu dono inanimado atrás de um contentor. Jimmy e o seu companheiro estão hesitantes em levar a larga quantia que se encontra dentro da carteira, sendo que o dono da mesma parece estar alcoolizado, babujando butthole vezes sem fim.  No entanto, Jimmy decide levar o Rolex do homem caído e o seu parceiro negoceia para ficar com o relógio, ludibriando o nosso herói.

Toda esta situação, aparentemente espontânea e repentina, foi calculadamente planeada por Jimmy e pelo homem alcoolizado estendido no chão. Uma daquelas parcerias sorrateiras típicas do advogado.

Esta pequena introdução assume a identidade de Jimmy como um vigarista astuto e matreiro, com grande capacidade esquemática. De volta ao tempo de ação da narrativa principal, o nosso advogado discute com os Kettlemans depois de os descobrir em fuga e eles tentam suborná-lo para não divulgar o seu paradeiro. Jimmy sabe que o dinheiro lhe faz falta, mas também sabe que isso lhe pode trazer consequências menos boas. Aceita o dinheiro, mas procura clarear as ideias para lidar com Nacho, a quem traiu a confiança.

Assim que calcula até quanto pode gastar do dinheiro dos Kettlemans, Jimmy decide dar um pulo na carreira. Farto dos trocos recebidos nos tribunais e da concorrência pela qual nutre um intenso sentimento de rivalidade, Jimmy coloca-se nas luzes da ribalta, através de mais um dos seus elaborados esquemas de… vigarista!

Continuo a ficar agradavelmente surpreendido com a consistência e evolução argumentativa de Better Call Saul. A criatividade com que moldam esta extraordinária personagem parece não ter limites e o pano de fundo característico de Breaking Bad está sempre presente. Os artífices que unem ambas as séries, desde marcas distintas nos visuais, cenários e frases típicas, são tratados com carinho e atenção. E, claro, o bom humor de Saul Goodman e das suas asneiras prometem cativar até ao final da temporada.

Nota: 9/10

Jorge Lestre