Classificação

5
Interpretação
4.5
Argumento
6
Realização
5
Banda-Sonora

Estamos quase no final de Quantico e as emoções estão a aumentar e uma certa ansiedade começa a despertar-se para saber quem é a misteriosa Voz que tanto atormenta a sobredotada Alex Parrish, encarnada pela encantadora Priyanka Chopra.

Shelby e Caleb continuam às turras depois de Shelby presenciar um momento deprimente e que colocou em risco toda a sua relação. Depois de Drew abandonar o FBI por motivos de saúde, Alex volta a centrar a sua atenção em Ryan, tentando reatar com o mesmo. Os recrutas são submetidos a uma nova missão de treino que envolve conhecerem novos agentes, onde as gémeas Amin, em particular, recebem um atraente colega e que as coloca em teste. No presente, uma Alex desesperada e já quase sem tempo descobre que Drew está no hospital e este conta-lhe que Ryan é o suposto terrorista que se disfarça de Voz.

Mais uma semana, mais uma decepção. Eu sei que os fãs de Quantico são fiéis à camisola, mas não consigo deixar de me sentir revoltado com estes twists de pouco impacto, que se destroem e que não causam qualquer melhoria no enredo e desenvolvimento da história. Foi finalmente revelado quem é o 2.º terrorista e não há qualquer tipo de surpresa visto que ninguém é de confiança durante os episódios. É ainda mais dececionante quando o espectador se apercebe que este nada tem a ver com a história original. Ou melhor, nem sequer se enquadra no “esquadrão de recrutas” inicial. Ainda que os argumentistas tenham conseguido criar algum ambiente de ação interessante e com algum ritmo, isto não é suficiente para esconder toda uma panóplia de falhas. Falhas que não conseguem tornar Quantico credível.

Os diálogos e as constantes intrigas parecem saídos de uma revista cor-de-rosa. O complexo divino atribuído à protagonista despromove um sentido de realismo necessário. O retrato da Academia é como um colégio onde todos dizem mal de todos e colocam nas redes sociais. As personagens tornam-se infantilizadas num tema sério e isto não é ajudado, em nada, pelos próprios atores. Quantico tinha tudo para ser uma excelente surpresa e, em vez de procurar ser original sem destruir os seus próprios momentos inesperados, está tão desesperada por dizer o que se está a passar que se torna incomodativa a forma como os intervenientes se ligam entre si.

Ainda que tenha sido, mais uma vez, um episódio não muito original, o clima consegue tornar-se um dos pontos positivos mais interessantes, especialmente um certo momento de ação entre Alex e Ryan (sem aquela dualidade amorosa que já começa a ser parola demais). Mesmo assim, absolutamente descartável, desnecessária, pretensiosa mas sem coração, Quantico está a caminhar para o desfecho e eu só agradeço para que os capítulos seguintes ajudem pelo menos a catapultar a próxima temporada ao agrado dos seus fãs mais dedicados.

Jorge Lestre