Classificação

7
Interpretação
7.4
Argumento
7.3
Realização
7.2
Banda-Sonora

Este artigo pode conter SPOILERS:

As épocas festivas chegaram à Academia do FBI em Quantico e todos se preparam para celebrar o ano novo com muito entusiasmo. Enquanto os rapazes vão passar esta altura especial com a família, as meninas decidem aproveitar para se divertirem dentro dos dormitórios da Academia. Alex, Shelby, Nimah e Natalie vão bebendo uns copos e falam dos seus arrufos amorosos, bem como trocam algumas impressões dos seus casos durante o treino. Miranda também se dedica ao trabalho, uma vez que ainda não há sinais do paradeiro do seu filho Charlie. No entanto, este divertimento das meninas de Quantico é interrompido quando Caleb decide levá-las para passar a transição do ano com a sua família. Dando um salto temporal, tínhamos visto que Simon havia sido sequestrado por Elias, mas como já estamos habituados, será ele o terrorista? Bem, Alex tem apenas 3 horas até ser condenada e a equipa precisa de se apressar para descobrir se Simon é mesmo o bombista de Grand Central e impedir que a segunda bomba expluda.

A chegada das festividades provocou uma subida neste midseason finale de Quantico. Mesmo que os segredos não tenham sido todos desvendados e algumas das desculpas dadas soem um tanto a esfarrapadas, é certo que este final acaba em nota alta. Postas de parte as típicas futilidades e superficialidades da série, Quantico começou a levar mais a sério o seu tema base: o terrorismo. Não tanto quando é supostamente desvendado o “grande mistério”, por assim dizer, – até porque isso não mostrou ser tão conclusivo quanto isso – mas na forma maravilhosa como Nimah, em conversa com Miranda, dá uma belíssima lição de respeito sobre a integração dos muçulmanos na América do Norte:

“Tal e qual como ao meu povo depois do 11 de setembro. Todos os homens muçulmanos foram um alvo, questionados, seguidos, vigiados. Viam-nos não como humanos, mas como uma mão do monstro que odiava a América. Vi pessoas na minha comunidade a agirem de maneira como nunca agiriam se não tivessem sido tratadas tão injustamente. O que quer que se imagine que as pessoas possam ter feito, não devemos perder a fé na humanidade”.

Aqui está a visão moralista de que a América precisa para se desprender daquela figura odiosa chamada Donald Trump que incute tanto medo na comunidade americana quanto a ISIS tenta fazer no resto do mundo. É aqui, neste momento particular que Joshua Safran, o criador da série, finalmente expõe algo a que o público se consiga agarrar para além da constante troca de identidades dos recrutas. Se até então Quantico brincou com a situação, está aqui a tomada de consciência de que as coisas devem ser levadas a sério. Há também uma melhoria notável na prestação de Priyanka Chopra, que volta a liderar o episódio com firmeza, muito também graças ao realizador Thor Freudenthal (que nalgumas situações tem ido ao resgate das séries mais populares do momento). Rick Cosnett, esse “pobre coitado” que, em todas as séries em que mostra o ar da sua graça, tem o infortúnio de não durar muito, também conclui a sua performance de forma competente.

Mas as falhas de Quantico continuam lá, desde a visão infantilizada de uma Academia do FBI, à constante dúvida nos companheiros de Alex que parecem esconder ódios tão grandes numa idade tão jovem. Especialmente a história de Caleb que a certa altura já se torna incomodativa. Mas independentemente dos seus erros já habituais e que dificilmente irão mudar, “Inside” marca uma pausa natalícia muito interessante e divertida e que melhora muitos aspetos da série em apenas 45 minutos. É caso para dizer que quando é o papá a escrever o guião, o amor pela filha é notório em cada momento e ainda bem que assim foi.

A série regressará em março, mas até lá Bom Natal a todos e Feliz Ano Novo, com a equipa de Quantico!

Jorge Lestre