Classificação

5
Interpretação
4.5
Argumento
4.3
Realização
6
Banda-Sonora

Antes de mais peço desculpa pela ausência de crítica da semana passada, mas foi-me impossível criá-la. Ontem fiz uma mini-maratona destes dois últimos episódios de Quantico e, para meu desprazer, a série tem vindo a cair numa redundância incrivelmente banal e irritante.

Depois da terrível execução do episódio anterior, este novo aproxima-se de Alex a assumir-se como culpada perante um juiz e, a partir daí, ficarmos a saber que aquilo era tudo uma tramóia (demasiado previsível) para se encontrar o verdadeiro bombista de Grand Central. Depois forma-se um novo jogo de Gossip Girl vs Pretty Little Liars de quem será o potencial indivíduo que incriminou Alex, saltitando por entre os seus colegas o “momento da verdade” que acaba por nunca chegar a conclusão nenhuma.

Estou cada vez mais triste com Quantico. A série parecia estar a tomar o rumo certo, mas cada vez cai num enredo pouco sério e de entretenimento fácil quando tinha potencial para muito mais (e melhor). Especialmente este episódio que nos remete para uma espécie de confessionário da Casa dos Segredos que apenas quem gosta de ver figuras bonitas a terem atitudes feias só para chamar a atenção é que se ri. As performances são tão infantis e pouco credíveis que às vezes dou por mim a bocejar e a pensar: “a sério que alguém acredita no que estás para aí a dizer?” Mesmo que tenhamos algum potencial suspeito na nossa mente (aconselho a não se darem a esse trabalho) os argumentistas criam twists atrás de twists que prejudicam não só o fio condutor da história como começam a criar uma fórmula típica de jogo de gato e rato sem grandes conclusões ou desenvolvimentos. A pressa de querer incutir todos os intervenientes num clima de suspeita atira para o ar os objetivos da série, debilitando a temática e “manchando” um conteúdo que devia ser levado minimamente a sério nos tempos que correm.

Seja Alex, Simon, Ryan, as gémeas, Shelby ou qualquer outro recruta do FBI, já não interessa ao espectador o porquê. A narrativa é tão atabalhoada que em vez de nos encaminhar gradualmente para uma falsa sensação de segurança em que pensamos: “é este!”, injeta uma dose exagerada de segredos pelo meio que desvia a nossa atenção para todos e a péssima realização não cria sequer momentos de suspense para nos agarrar à história. Priyanka Chopra, mesmo que seja um guilty pleasure vê-la no pequeno ecrã, já não consegue conduzir a série com a mesma perspicácia e mistério como no início, não tendo margem para desenvolver nem encantar o espectador.

Sendo assim e faltando apenas um episódio para o midseason finale, não percam o vosso tempo com Quantico e vejam séries que sejam intelectualmente estimulantes. Se querem entretenimento fácil, então Quantico pode preencher alguns dos requisitos, mas mesmo que não concordem com a minha opinião, mais cedo ou mais tarde vão pensar: “realmente… isto é sempre a mesma coisa, já chateia!”

P.S. – Eu voto na Shelby para sair da “casa”, ela é irritante!

Jorge Lestre