Classificação

6.8
Interpretação
6.5
Argumento
6.3
Realização
7
Banda-Sonora

Ryan Booth está ferido e o FBI está a fechar o cerco a Alex Parrish, que continua a ser injustamente incriminada por um atentado bombista a Grand Central. Simon, Shelby e Nimah estão agora nas mãos do FBI e Alex precisa de uma estratégia se quer provar a sua inocência. Na Academia, os recrutas recebem uma nova tarefa, o de cada um resolver um caso que lhes é atribuído. Apesar de os casos parecerem, a uma primeira vista, isolados, os recrutas começam a descobrir pequenas ligações que os levam a concluir que este exercício está interligado. Enquanto procuram solucionar a sua nova missão, vão também descobrindo alguns segredos entre si. Caleb e Shelby começam a desconfiar um do outro e Raina sente ciúmes pela crescente “amizade” entre a sua irmã Nimah e Asher. Alex e Booth aproveitam a sua visita à sede do FBI para procurar novas provas sobre o passado de Alex e descobrem novos desenvolvimentos.

Como tenho vindo a referir com alguma regularidade, a premissa de Quantico procura incutir novos mistérios assim que caminha para conclusões. Em “Over” a narrativa continua a aquecer e, não só atira um provável novo suspeito, como dá destaque a elementos que até agora estavam adormecidos. Agora com a ajuda dos “The Unknown” a fugitiva precisa de tomar uma decisão que poderá pôr em causa o seu futuro e Caleb está cada vez mais a desconfiar das verdadeiras intenções do seu pai, atual chefe da investigação contra Parrish. E, ao que parece, uma fuga de informação dá a Alex novos indícios de quem a poderá ter incriminado, ainda que não tenha sido explorada a questão.

Enquanto a história de Quantico no segmento de Alex fugir do FBI está a apalpar terreno para os fãs se sentirem mais próximos de uma conclusão, na parte da Academia o mesmo não acontece. O calcanhar de Aquiles continua lá, seja na versão do “diz-que-disse” ou do “vamos-aproveitar-aquele-que-já-ninguém-desconfia” e isto vai empatando o fluxo normal da narrativa. É engraçado ver que o final de cada episódio tenta surtir o mesmo efeito de outras séries da ABC como How to Get Away With Murder ou Scandalem que um desenlace improvável é entregue ao espectador, mas Quantico simplesmente não consegue lá chegar.

Vêem-se pessoas bonitas a terem atitudes feias e a própria caracterização e estilização das personagens acaba por não ser tão carismática quanto necessário, veja-se o exemplo do pai de Caleb, encarnado por Mark Pellegrino, ou o de Josh Hopkins como o enigmático Liam O’Connor. Afinal qual é a agenda destes dois? O que os motiva a agirem assim? Ou mesmo Miranda, que tem ainda tantos segredos por contar.

Gosto de pensar em Quantico como uma versão (muito) leve de Homeland, cujo foco de entretenimento está lá, mas que se perde por querer elevar demasiado os seus personagens a um estatuto de seriedade que os atores simplesmente não têm. Tirando Priyanka Chopra, o elenco não é convincente o suficiente para nos fazer agarrar à história do episódio. Mesmo as relações entre os personagens que estavam a caminhar para bom porto ficaram-se pelo “drama adolescente” e acabam por infantilizar ainda mais o conteúdo. O maior trunfo continua a ser a sua protagonista que consegue carregar a narrativa firmemente e que rouba a atenção sempre que entra em cena. E se a credibilidade e a leveza da história fragilizam um tema controverso e sério como o terrorismo, a única salvação reside em apostar única e exclusivamente no fator entretenimento.

Jorge Lestre