Todos temos aquele tipo de personagem ao qual não conseguimos resistir, que quando aparece no ecrã nos deixa arrepiados e quando desaparece uma sensação de “quero mais!”. Vocês sabem… aquela que torna a série especial, talvez o motivo pelo qual ficaram presos tanto tempo ou que até foi o que vos atraiu em primeiro lugar.

Para mim foram, são e sempre serão os psicopatas. Tate Langdon e Oliver Thredson de American Horror Story, Norman Bates de Bates Hotel, Ramsay Bolton de Game of Thrones, 90% das personagens de Criminal Minds e, como não podia deixar de ser, Dexter de Dexter… Estes são alguns dos nomes aos quais não consegui ficar indiferente. Mas o que é que torna estas personagens tão atraentes? De onde surge o seu charme? E qual o erro fulcral que a maioria dos seus criadores comete?

Para respondermos a estas perguntas precisamos primeiro de perceber: o que é um psicopata? O psicopata é um indivíduo com padrões de comportamento e/ou traços de personalidade caracterizados pela atitude antissocial, falta de empatia e remorsos e baixo controle em contraste com uma atitude de dominância e confiança. Na origem deste transtorno estão três principais causas: as disfunções cerebrais/biológicas ou trauma neurológico, a predisposição genética  e os traumas sóciopsicológicos infantis (ex: abusos sexuais, físicos e psicológicos).

Podemos identificar vários destes pontos nas personagens referidas acima, como por exemplo Tate Langdon, um jovem com óbvios traumas infantis devido ao abandono do pai, as atitudes inconsequentes da mãe e os maus tratos infantis, com um vício em drogas, atitudes imprevisíveis e uma visível falta de remorsos.

O comportamento de Tate contrasta com o de Dexter que, apesar dos homicídios que comete, é bastante mais controlado. É aqui que surge a palavra “sociopata”. Apesar de não existir numa diferença concreta entre ambos os termos, existem várias teorias que defendem que existe uma distinção. Uma delas sugere que a diferença parte das origens do transtorno, ou seja, se o indivíduo aprendeu os comportamentos antissociais no meio (ex: ambiente violento) onde vivia é considerado sociopata, mas se o transtorno tem origem em factores biológicos, genéticos e socioambientais é chamado psicopata, ou seja, uma pessoa “nasce” com o transtorno.

Já para outros especialistas, a psicopatia e a sociopatia são duas manifestações do mesmo transtorno de personalidade. Os chamados psicopatas são por norma mais impulsivos e procuram o perigo, enquanto os sociopatas são mais controlados. Tendo em consideração a segunda teoria, podemos apontar Dexter como um sociopata, tendo ele uma maneira de estar mais calma e um método mais controlado.

É importante referir que o facto de uma pessoa ter personalidade psicopata não significa que seja assassina em série. Aliás, hoje em dia supõe-se que existam várias pessoas com o problema sem qualquer tipo de diagnóstico ou atividade suspeita. Encantadoras, educadas e aparentemente normais, mas manipuladoras e sem qualquer tipo de remorsos, capazes de cometer um crime para seu próprio beneficio sem perderem um minuto de sono.

Um exemplo disto é Cersei Lannister de Game of Thrones. Casada com o rei e amante do próprio irmão, com o qual teve três filhos, apresenta-se como alguém que controla tudo e todos a seu bel prazer e não sente qualquer tipo de afeição, a não ser pelos filhos. Com o passar das temporadas o seu transtorno foi aumentando e ela perdeu a calma e a discrição que lhe eram características.

A questão agora é: o que é que torna estas personagens tão interessantes?

Obviamente existe o fator da beleza. Na sua maioria estes atores são escolhidos a dedo… Evan Peters (American Horror Story), Iwan Rheon (Game of Thrones), Michael C. Hall (Dexter) são todos homens bem parecidos, capazes de captar a atenção. Até mesmo Freddie Highmore (Bates Motel), com o seu aspecto jovem e inocente, não consegue deixar ninguém indiferente.

Depois podemos referir a inteligência. Já ficou mais que provado que a inteligência atrai as pessoas do sexo oposto. Quanto mais isso for evidente, melhor. Muitas destas personagens demonstram uma capacidade mental para além do normal. Muitas delas conseguindo enganar e manipular as pessoas à sua volta durante episódios ou até mesmo temporadas.  Um fantástico exemplo disto é o Dr. Hannibal Lecter (Mads Mikkelsen) de Hannibal, que enganou o seu parceiro Will Graham, levando à sua condenação, e mais tarde manipulou todo um sistema para o manter encarcerado, sendo Hannibal também o responsável pela sua libertação.

O estilo de bad boy ou bad girl é também um factor decisivo. Apesar das cenas perturbadoras, existe aquela aura de quem quebra as regras, de quem vive no limite, de quem está disposto a ir mais longe. Quantas de nós não suspiraram por Tate Langdon em AHS: Murder House?

Mas, tal como tudo no mundo, estas personagens não são perfeitas. E qual o calcanhar de Aquiles destes famosos psicopatas? Emma Decody, Violet Harmon, Rita Bennett, entre outros… O que é melhor que um homem que não pode amar e encontra a mulher que quebra todas as barreiras? O que vende mais que um amor impossível capaz de vencer tudo? Uma das características dos psicopatas é não conseguirem criar ligações afectivas. Podem até casar e ter filhos, mas são incapazes de sentir afeição e empatia.

Ao dar a estas personagens estas relação, apesar de as tornar atrativas, estão a retirar-lhe um dos seus traços mais proeminentes e interessantes, que os torna ainda mais desumanos. Ao sentir empatia para com outros, estas personagens perdem parte da sua essência. (Se bem que ainda hoje sinto uma comichão quando imagino se algum dia a Violet perdoou Tate por ter violado a sua mãe e ser o pai do seu meio-irmão… Uma verdadeira história de amor. Obrigada, Ryan Murphy!)

Mas a atração por estes assassinos conturbados não desaparece com ou sem defeito. Anos após ano, série após série. Uns mais violentos, outros mais inteligentes, alguns jeitosos e até mesmo alguns precoces pelo meio, o que interessa é que sejam sádicos o suficiente para nos prender ao ecrã durante algumas horas… Moda ou não, os psicopatas vieram para ficar.

Beatriz Pinto