Sabem aquela sensação rara de estarem a ver o episódio piloto de uma série e ser mesmo aquilo de que estavam à procura? Não? Também não me acontece muitas vezes, mas aconteceu com The Astronaut Wives Club. Ando sempre à procura de séries com poucos episódios para me entreter durante um curto período de tempo e nesta encontrei tudo aquilo que me faz agarrar ao ecrã.

São sete as protagonistas, mulheres dos primeiros homens que a NASA colocou a trabalhar com o objetivo de alcançarem a lua. Nos anos 60, a corrida ao espaço agarrou meio mundo à televisão, com a expectativa de que o Homem conquistaria feitos até então impensáveis. Homens normais tornaram-se heróis para aqueles que acompanhavam com atenção os desenvolvimentos desta corrida que tinha a lua como destino. Enquanto isso, as suas mulheres agarravam a oportunidade de apoiar os maridos, como boas esposas dos anos 60, e de terem elas próprias alguma espécie de voz em todo aquele contexto. Até porque esta história é sobre ELAS e não eles. Estas mulheres, Louise, Betty, Rene, Trudy, Marge, Annie e Jo, começaram como esposas de astronautas, mas são tão mais do que isso!

A sério, a magia desta série não tem nada a ver com a NASA, com o espaço, com a lua ou com astronautas, até porque tudo isso acaba por ficar em segundo plano. O papel principal desta narrativa não é distribuído por cada uma destas sete mulheres, individualmente, mas faz-se valer pela união, pela amizade e sentido de pertença que encontraram umas nas outras. Os maridos disputavam lugares de destaque na corrida à lua e elas viviam isso de forma intensa, mas os feitos individuais acabaram por ser sempre uma vitória para todos e tanto as tristezas como as alegrias eram partilhadas. Lidaram juntas com os melhores e os piores momentos das suas vidas, viram os filhos crescer, enfrentaram problemas no casamento e lidaram com as suas próprias questões de identidade, acerca de quem eram e do que queriam fazer para além de serem esposas. Isto para nós pode não ser nada de mais, mas estamos a falar de há quase 60 anos atrás, numa altura em que as mulheres praticamente não tinham qualquer papel ativo na sociedade. E estas mulheres eram inspiradoras! Algumas delas começaram carreiras extraordinárias, atreveram-se a sonhar para além da vida doméstica, outras livraram-se de casamentos infelizes numa época em que o divórcio era quase um tabu, fizeram frente à NASA para que mudassem os protocolos de funcionamento em caso de tragédia… Algumas perderam os maridos e viram-se obrigadas a seguir em frente depois de terem perdido tudo numa vida que não tinham escolhido, mas que aceitaram como sua.

Talvez se eu tivesse nascido há muito tempo atrás fosse capaz de entender a expectativa e a esperança que as pessoas daquela época parecem recordar acerca da chegada à lua. No entanto, e a série não deixou de mostrar isso também, embora brevemente, a verdade é que os Estados Unidos gastaram uma quantidade absurda de dinheiro a pôr o Homem no espaço e na lua e, enquanto isso, na Terra, os negros viviam como cidadãos de segunda (ou terceira) e a condição da mulher era também muito diferente da de hoje. Um pequeno passo para o Homem, um grande passo para a humanidade. Mas o que é que realmente fez pelo bem da humanidade? Era tão mais importante resolver os problemas reais das pessoas comuns do que ganhar à Rússia nesta corrida! No entanto, tal como já referi, nada acerca da questão espacial é a peça central da narrativa. Esta série é um hino à amizade feminina e à força das mulheres. Somos muito mais fortes quando nos juntamos para lutar contra as injustiças e estas mulheres – que começaram como um grupo de sete, mas que foi crescendo à medida que a corrida ao espaço se intensificava – perceberam isso e que juntas podiam fazer coisas grandiosas.

The Astronaut Wives Club foi concebida como minissérie, mas se tivesse sido bem recebida pelo público havia planos para mais temporadas, com as esposas de homens noutras profissões, situações e décadas, como as das mulheres dos soldados da Segunda Guerra Mundial. Tenho muita pena que a série se tenha ficado pela 1.ª temporada, porque via muito potencial nestas histórias. No entanto, esta foi contada e proporcionou-me muito bons momentos em frente ao ecrã. Já há algum tempo que não sentia um carinho assim especial por uma série. Vale ainda a pena mencionar o elenco, em especial o feminino, claro. Confesso que foi Yvonne Strahovski que me deu vontade de espreitar a série, mas todas as personagens e todas as atrizes acabaram por me conquistar, com destaque para Dominique McElligott e Erin Cummings.

Diana Sampaio