Quem me conhece sabe que acompanho poucas séries de cada vez porque o tempo não estica e desde que comecei a trabalhar, já há uns anos, constatei que não era fácil conciliar mais de vinte séries. Ainda me aguentei durante uns meses, mas concluí que tinha de me livrar de várias das que via e em relação a algumas foi mesmo o melhor favor que fiz a mim mesma. Assim sendo, não tenho visto tantas séries novas quanto gostaria, mas vou apostando em espreitar algumas com poucos episódios – e que portanto são um compromisso a muito curto prazo – como Safe.

Não houve nada desde o início que me tenha feito pensar: “tenho MESMO de ver esta série”, mas fiquei suficientemente curiosa. Eram apenas oito episódios, uma produção conjunta entre o Canal+ (emissora de uma série francesa que adoro) e a Netflix (cujas produções também costumo gostar) e inspirada numa obra de Harlan Coben, um escritor que, por acaso, nunca se proporcionou que lesse, mas cujos temas dos livros me despertam algum interesse. No entanto, Audrey Fleurot foi sempre o principal motivo para querer ver a série. Ela não será um nome conhecido para muitos, mas é uma atriz francesa com papéis de protagonismo em Engrenages e Un Village Français, duas das séries de que mais gostei nos anos mais recentes e que me despertaram a atenção para a qualidade das produções europeias.

Mas chega de divagar sobre o porquê de querer e ter decidido ver Safe para começar a falar realmente sobre isso. Estaria a mentir-vos se dissesse que é uma série extraordinária, porque não é. Com o primeiro episódio senti logo, um bocadinho, aquela vontade de saber o que é que tinha acontecido, mas também tenho a noção de que se tivesse posto a série de lado apenas após o piloto não teria levado muito tempo a esquecer-me disso. A série não tem um começo muito promissor, mas é competente a deixar aquele bichinho da curiosidade. No entanto, tem o problema de se apoiar num protagonista, Michael C. Hall, que considero pouco carismático. Os fãs de Dexter poderão sentir-se indignados com isto, mas nunca acompanhei a série e ele aqui faz um péssimo sotaque britânico. Teria sido boa ideia escolher um ator do país ou então um americano com uma melhor capacidade de imitar o british accent. Hall dá vida a um pai viúvo e desesperado à procura da filha adolescente, que nunca voltou a casa depois de ter saído para supostamente se encontrar com amigos. Na verdade, Jenny foi a uma festa, mas não é isso que é verdadeiramente relevante. A família, que conta ainda com uma filha mais nova, vive num condomínio fechado que deveria ser extremamente seguro, em alusão ao título da série, mas que não é. Safe tem uns quantos clichés e há uma altura em que me começa a fazer lembrar Desperate Housewives, com todos a guardarem segredos e as desgraças a acontecerem.

No entanto, por volta do episódio 5, a série dá uma volta e começa a tornar-se empolgante. Volto a frisar, nunca é extraordinária, mas já não dá para deixar de ver. Tinha MESMO de saber o que é que se estava ali a passar. O ritmo melhora, verdades são expostas, percebemos que o desaparecimento de Jenny é muito mais do que aquilo que ao início parecia e tem ligações a um acontecimento do passado que ameaça vir ao de cima. Não nos podemos esquecer que já tinha morrido uma pessoa, mas não sabíamos ao certo se o que tinha acontecido a Chris estava relacionado com o desaparecimento de Jenny. Tirava a piada dizer que sim ou se não! Apesar de o episódio final ter sido bom, podia ter sido muito melhor. Não que tenha sido previsível (eu não adivinhei nada, pelo menos!), mas porque… não sei. Concordo com Chris acerca da hipocrisia das coisas. Porque é que são sempre os que parecem mais virtuosos a fazer as coisas piores e sem sequer terem a coragem de enfrentar a justiça?

Safe não funciona mal como série de mistério, mas não tem grandes atrativos para além disso. Apesar de a personagem de Audrey Fleurot, Zoe, ter perdido destaque nos últimos episódios, foi a minha preferida. Estranhei ouvi-la falar em inglês ao início e senti-lhe uma presença diferente da que lhe reconhecia nas tais séries francesas que já tinha mencionado, mas o inglês não é a língua materna da atriz e com o avançar dos episódios notei uma grande melhoria. O seu suposto envolvimento com um aluno adolescente também criou algum interesse e gostei bastante de ver a família de Zoe a lidar com a morte de Chris e com tudo o mais que os embalou. Há poucas coisas que me fascinam mais em séries do que ver os personagens a lidarem com sentimentos e relações complicadas e o arco de Zoe teve isso numa boa dose.

Se estão à espera de ver em Safe algo completamente novo, ficarão desiludidos. A série não se destaca particularmente de outras do género, mas nem por isso deixa de entreter. Se simplesmente gostam de tudo o que tem a ver com mistérios, espreitem. Eu faço um balanço positivo e não me arrependo de ter ‘entrado’ neste condomínio fechado.

Diana Sampaio