Contém spoilers!

Descobri Jeux d’Influence graças à RTP2. O título não me chamou logo a atenção, mas a sinopse, por outro lado, fez com que ficasse com bastante interesse em ver a série. Além de tratar os jogos de poder no governo, a série fala de um tema muito atual e de muitíssima importância: os problemas ecológicos.

A série começa por nos apresentar Michel Villeneuve, um agricultor que desmaia no campo em que trabalha e que depois é diagnosticado com leucemia. A razão mais provável para o aparecimento deste cancro é o pesticida com que pulveriza as suas plantações, o Lymitrol. No decorrer da narrativa, o amigo de Villeneuve, Guillaume Delpierre, político, vai fazendo todos os esforços para implementar uma lei que proíba a comercialização e utilização deste pesticida. Há muita relutância por parte dos restantes membros do parlamento e ainda mais da empresa que fabrica o pesticida. O que está em jogo não é apenas a retirada do mercado de um produto, mas sim muito mais do que isso, como a reputação e a continuação de uma empresa no mercado, que estará, caso a medida seja implementada, condenada a perder grande parte dos lucros que obtém com o produto. Tendo apenas esta questão em vista e uma vez que Delpierre não se deixa pressionar a deixar cair esta ideia, a empresa tenta que a proibição só tenha efeito a partir de certa data, data essa que será a estimativa para o escoamento total do stock de Lymitrol produzido. Desta forma, não ficam a perder nada. A empresa também tenta persuadir Villeneuve e a família a não levarem o caso a tribunal, oferecendo-lhes uma quantia avultada de dinheiro, mas este pai de família não aceita e segue em frente com a acusação. É desencorajador e triste ver que, no fim da série, Delpierre acaba por mudar a sua posição e que as ameaças e pressões sobre ele surtiram efeito.

Tendo lido há uns dias que, atualmente, os jornalistas que mais sofrem pressões e ameaças e são assassinados são aqueles que investigam crimes ambientais, fez-me ficar ainda mais convencida de que, apesar de todos os esforços que se fazem hoje em dia para poupar o planeta, não valerão de nada se estes jogos entre empresas e governos continuarem a existir. O que está no topo da importância para estas empresas é o dinheiro e o lucro, ninguém quer saber do ambiente ou das pessoas. Veja-se o caso real da empresa Monsanto, que é constantemente condenada a pagar indemnizações porque os seus produtos provocam cancro ou outras doenças. Apesar de tudo isto e do burburinho existente à sua volta, a Monsanto continua a funcionar e a pôr os seus produtos no mercado.

Os pesticidas são perigosos não apenas para a saúde, mas para o meio ambiente em geral. Os solos e as águas em redor da sua pulverização são contaminados e as partículas são também espalhadas pelo ar. A agricultura biológica local é a alternativa mais saudável, pois a utilização de pesticidas é muito mais baixa ou não são utilizados sequer. Apesar destes prós, não há incentivos por parte do Governo a que isto aconteça, continuando a promover-se o cultivo em massa e para as massas.

É preciso mudar mentalidades, é preciso mudar comportamentos e é preciso que as grandes empresas comecem a ter maior consciência ambiental e a ver o consumidor como um ser humano e não como um mero comprador. Infelizmente, o dinheiro e os lucros costumam estar acima de tudo o mais, pelo que não tenho grandes esperanças que consigamos inverter esta situação. Contudo, o facto de uma série abordar este tema é um sinal de que a sociedade está cada vez mais preocupada com as questões ambientais e com o seu futuro no planeta e do próprio planeta. O importante é não baixar os braços.

Cláudia Bilé