Naomi Watts não faz parte da minha lista de atrizes de eleição, mas adorei vê-la em Lo Imposible e em Mulholland Drive e gostei de a ver também em filmes como King Kong e The Painted Veil. Quando se começou a falar em Gypsy confesso que fiquei moderadamente curiosa; muito porque, de certa forma, me fez pensar automaticamente em Mulholland Drive.

No entanto, a minha moderada curiosidade não foi muito instigada porque o trailer também não é especialmente intrigante e nem o facto de ter Netflix no mês em que a série estreou me fez vê-la. Tenho Big Little Lies, This Is Us, 13 Reasons Why e The Handmaid’s Tale em lista de espera para ver há muito mais tempo e ainda não ataquei nenhuma delas porque não tenho muito tempo disponível para ver séries para além das que já acompanho.

Só que há pouco tempo Gypsy foi cancelada e já é sabido que eu gosto de séries curtas, por isso foi a altura certa para começar a ver. Não vou dizer que o piloto foi amor à primeira vista, porque não foi. Gostei, mas isso é um sentimento bastante moderado. Continuei a ver, também ciente de que não perdia muito em ver mais um episódio antes de decidir que levaria a temporada até ao fim. Dez episódios não é um compromisso muito grande… Até meio da temporada até fui gostando, mas acho que chegada ao 7.º episódio já tinha perdido a vontade de continuar. Mas depois pensei: agora também só faltam mais três episódios. Vi-os a todos e não é que a série tenha sido má, mas também não foi boa.

Gypsy, a meu ver, tem vários defeitos:

  • Primeiro, não tem propriamente um propósito. Numa série policial é óbvio que o que interessa é encontrar o criminoso; num romance é perceber se o casal principal vai ficar junto… Seja o que for, a maioria dos produtos televisivos e/ou cinematográficos estabelece logo no início algo a que terá que responder, uma espécie de final para o espectador. Gypsy falha nesse departamento, ao não ter um propósito claro
  • Os personagens não me conseguiram envolver nas suas histórias; não consigo dizer que tenho um personagem preferido, simplesmente porque não me consegui ligar a nenhum deles e vi a série totalmente desprovida de emoções
  • Depois parece haver uma espécie de tentativa de fazer o espectador acreditar que algo de terrível vai acontecer a qualquer momento. Isso seria bom se eu me importasse com o rumo da história, mas como sinceramente não me importava… Além disso, nada de trágico aconteceu!
  • Ok, é certo que Jean/Diane (como lhe queiram chamar) não é muito boa da cabeça e que há uma certa aura de mistério em que o seu passado está envolto, mas sinceramente parece mais uma história mal contada ou, pelo menos, que não é contada na medida e alturas certas

Já vi séries bem piores, mas Gypsy até tinha uma premissa interessante e começa bem, com o nada ético envolvimento de Jean com os seus pacientes, de uma uma forma ou de outra, mas acho que tudo se torna exagerado porque ela não se envolve apenas na vida de um, mas basicamente de todos. Depois, a relação com Sidney (e com Sam como paciente também) é tão estranha, inapropriada e obsessiva… E a verdade é que com Michael as coisas não são muito melhores! Por um lado amam-se, mas por outro parece sempre tudo tão desconfortável e tão off… Eu que até gosto de personagens messed up, achei esta gente toda demasiado estranha. Em termos de personagens, só se aproveitou Dolly! A miúda é fofa e é óbvio que é diferente das outras crianças, mas espero que os pais tenham a capacidade de lidar com isso porque a verdade é que ela parece sentir-se bem na pele dela. Também não desgostei do plot da paciente com problemas de dependência de droga, mas foi outra coisa que ficou por esclarecer.

Gypsy ficou-se pela 1.ª temporada e acho que foi uma decisão legítima por parte da Netflix. Bem, só o facto de ter sido assim curta é que me fez vê-la até ao fim. É caso para concluir que Naomi Watts não teve a mesma sorte que outras colegas do mundo do cinema ao dar um saltinho à televisão.

Diana Sampaio