Classificação

6.5
Interpretação
5.5
Argumento
6
Realização
7
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Recentemente órfã e determinada a descobrir o que aconteceu aos pais, Jax (Priscilla Quintana) inscreve-se na Earth’s Space Training Academy. Aqui, conhece finalmente o seu frio e distante tio Donovan Osborn (Noah Huntley), que parece saber mais do que revela sobre a morte dos seus pais.

No estilo de séries como Star Trek (e, mais recentemente, Star Trek: Discovery, The Expanse e até The Orville), Pandora tem muito potencial. O cenário é familiar, mas a história de Jax e Pandora e todo o mistério que envolve as capacidades das duas, assim como o possível perigo que representam para a humanidade, tornam tudo novamente interessante. Especialmente porque, desde o início, Jax é uma personagem carismática e desenvolta a quem facilmente nos afeiçoamos. Damos por nós super investidos e completamente envolvidos na sua história quando, assim de repente, nos largam a bomba do perigo que Jax e Pandora representam para a sobrevivência da nossa espécie e não conseguimos evitar querer saber como é que ela vai resolver toda esta situação que, ainda por cima, desconhece.

O grande ponto forte da série é, portanto, esta capacidade de nos envolver. No entanto, há aqui muita coisa que não me satisfaz. Uma delas é a própria questão Jax/Pandora, que é a única coisa que interfere fortemente com o piloto. Temos um vislumbre de uma criatura, do género de uma Inteligência Artificial, que reconhecemos apenas por ser interpretada por Priscilla Quintana. Não temos qualquer contexto ou explicação para o que se está a passar e só mais tarde, mediante a referência do Professor Osborne, percebemos que deverá ser Pandora. Mas quem é e o que é Pandora? Apesar do carácter investigativo da série (e da própria Jax), o tom leve e despreocupado do piloto não sustenta bem estes momentos. Ficamos sem perceber se é um mistério, uma coisa a ser desvendada mais tarde, ou se nos escapou alguma informação importante que devíamos ter retido para que este momento fizesse sentido. Esta questão, aliada à maneira como o tempo passa sem qualquer indicação de que saltámos semanas ou meses para a frente, torna a série um pouco confusa.

Há, no entanto, uma coisa muito positiva a funcionar a favor de Pandora, coisa essa que me faz pensar que é uma série que vai, com certeza, surpreender o espectador. É o facto de que, apesar de ter as suas falhas, Pandora funciona muito bem como um todo. Nenhum ator se destaca particularmente, mas a química de grupo é inegável. O pós-guerra intergaláctico e a demanda pela resolução da morte dos pais não são temas originais, mas funcionam muito bem um com o outro. A série, no geral, apesar de qualquer falha, qualquer momento que nos deixe confusos, deixa-nos com a ideia de uma história muito gira da qual queremos ver mais. É uma ótima série para acompanhar este verão.

Raquel David