Em oito temporadas, foram muitos os personagens que American Horror Story nos apresentou: vilões, heróis ou something in between. Alguns atingiram o estatuto de favoritos do público no geral, outros conquistaram-nos de forma mais pessoal. Membros veteranos do elenco ou estreantes, foram vários os rostos que nos conquistaram ao longo destes anos e numa altura em que ainda teremos que esperar muito até à próxima temporada, decidimos escrever sobre os nossos personagens preferidos de cada ano da série.

Tate Constance American Horror Story

Murder House – Tate Langdon e Constance Langdon: Não há temporada de uma série como a primeira e, apesar de American Horror Story ter várias dignas de um altar, Murder House é aquela que marca o estilo e abordagem da série e que deixa na memória algumas das melhores personagens ou, talvez, das que mais facilmente nos recordamos. Duas delas são, sem sombra de dúvida, Tate e Constance Langdon. Tate é-nos apresentado como um rapaz perturbado, que se apaixona imediatamente por Violet e por quem sentimos a enorme necessidade de tomar conta. Já Constance aparece como a vizinha que gosta de se intrometer na vida dos habitantes da misteriosa casa do lado, palco de tantos horrores, e que esconde algo sombrio por baixo de toda a fachada de mulher independente e forte. É inegável o choque que, provavelmente, todos sentimos quando se descobriu que não só Tate está morto, como é filho de Constance e um assassino em massa. Também Constance tem a sua quota parte de matança, começando pela do próprio filho desfigurado. Ainda assim, isto não são razões suficientes para nos fazerem odiar estas personagens nem para nos deixarem indiferentes perante a sua derradeira aparição em Apocalypse; muito pelo contrário.

Lana Winters Sister Jude American Horror Story

Asylum – Lana Winters e Irmã Jude Martin: Lana é a verdadeira heroína da 2.ª temporada da série, não há como negá-lo. Lana surge na série como uma jornalista à procura de uma grande história para contar e nunca poderia imaginar que a conseguiria com custos tão elevados. De visitante a paciente de Briarcliff foi um instante, mas não está na personalidade de Lana deixar-se vergar e não só ela conseguiu sobreviver a toda a tortura física, sexual e psicológica a que foi submetida, como ainda foi capaz de ajudar outras pessoas e depois, quando finalmente conseguiu escapar, contou o sucedido, expondo a instituição e os crimes cometidos dentro daquelas portas. Do lado oposto, Jude apresenta-se como a primeira vilã que conhecemos de Asylum, mas surgiriam outros bem piores. Jude submeteu Lana a coisas inenarráveis, mas ao longo da temporada vamos conhecendo o seu passado e deparamo-nos com uma certa mudança na personagem que nos faz perceber que ela também é humana e capaz de expiar todo o mal que fez. Tanto Lana como Jude são personagens extraordinárias, cada uma à sua maneira e em polos opostos.

Misty Myrtle American Horror Story

Coven – Misty Day e Myrtle Snow: Coven é uma temporada que ou se gosta ou se odeia, tal como estas duas personagens. Num plot cheio de mulheres fantásticas, certamente que os nomes de Misty e Myrtle não serão os primeiros a surgir em mente. Talvez aqueles que sairiam mais facilmente seriam o de Fiona, Cordelia ou até mesmo Madison. No entanto, sem retirar o mérito que estas e outras personagens merecem, decidimos destacar Misty e Myrtle muito pelo facto de, provavelmente, serem as personagens mais underdog desta temporada. Por um lado temos Misty, uma daquelas almas genuinamente boas, que ajudam os outros sem segundas intenções e sem pedirem nada em troca. Fã número um dos Fleetwood Mac e, em especial, da sua vocalista, Stevie Nicks, que aparece na série como ela própria, Misty é dotada do poder de ressurreição, que utiliza sem pensar duas vezes. Por outro, temos Myrtle, uma personagem que, inicialmente, se desgosta e por quem só para finais da temporada se começa a sentir alguma empatia. Myrtle não olha a meios para proteger a sua adorada Cordelia, especialmente de Fiona, uma mãe no mínimo negligente. Pode-se dizer que uma das poucas coisas que estas duas personagens têm em comum é as suas mortes injustas. No entanto, essa condição final é revertida em Apocalypse, onde ambas têm oportunidade de brilhar novamente.

Elsa Dandy American Horror Story

Freak Show – Elsa Mars e Dandy Mott: Naquela que é a última performance de Jessica Lange (pelo menos até ao regresso de Constance em Apocalypse) e a primeira de Finn Wittrock em American Horror Story, Elsa e Dandy foram os escolhidos para representar a 4.ª temporada da série. Focada nos freaks que tinham de atuar em circos onde os seus corpos deformados ou diferentes eram alvo de gargalhadas alheias, Freak Show traz ao pequeno ecrã duas personagens que, à primeira vista, seriam os menos freaks de todos. Elsa Mars, uma mulher cujo sonho era ser uma estrela mundialmente conhecida, acabou com ambas as pernas amputadas para um filme macabro e mórbido e destinada a ser ofuscada por aqueles que resgatou como meio de atingir o seu objetivo. Sem dúvida que Jessica deu tudo de si para dar vida a Elsa. Apenas podemos felicitá-la pelo excelente trabalho que fez na série e sentir saudade por não estar presente nas restantes temporadas. Por sua vez, Dandy Mott é, possivelmente, a pessoa mais mimada à face da terra. Só o seu comportamento encorajado pela mãe já é razão suficiente para nos fazer revirar os olhos cada vez que entrava em cena. Contudo, a tendência psicopata que lhe era inerente devido ao incesto praticado pela sua família tornou-o, simultaneamente, numa personagem odiada (caso para dizer “I hate you! I hate you! I hate you!”) e num dos grandes destaques da temporada.

Elizabeth Countess Liz Taylor American Horror Story

Hotel – Condessa e Liz Taylor: Perante o anúncio de que Jessica Lange não iria regressar a American Horror Story, foi com receio que, sem dúvida, a fanbase de AHS recebeu a notícia de que seria Lady Gaga a tomar o lugar de personagem principal em Hotel. Contudo, estes receios provaram-se infundados, uma vez que a cantora pop demonstrou o que vale enquanto atriz num papel que não lhe poderia ter assentado melhor. Com o plot mais creepy de todos, Hotel é uma das temporadas com direito a altar. A personagem de Gaga, a Condessa Elizabeth, destaca-se por todas as razões e mais alguma. Faminta por sangue fresco e puro e com queda para raptar crianças louras, Elizabeth cativa-nos desde o primeiro momento em que entra em cena até ao seu último, sempre com a sua icónica luva pontiaguda. Por sua vez, Denis O’Hare traz-nos aquela que é a sua personagem mais interessante em AHS. Liz Taylor é uma drag queen com um passado que deixa a desejar. Tal como todas as outras personagens, Liz está ligada ao Hotel Cortez pelas piores razões, no entanto é uma personagem que fascina e intriga, levando-nos a sentir uma atração incompreensível. Na verdade, todas as personagens desta temporada nos atraem sem razão aparente – todas são vis e cruéis e isso é a beleza de American Horror Story.

Audrey Agnes American Horror Story

Roanoke – Audrey Tindall e Agnes Mary Winstead: Naquela que é sem dúvida alguma a temporada mais fraca de toda a série, a escolha de duas personagens que se tenham destacado torna-se difícil. Assim sendo, a balança pende para o lado de Sarah Paulson e Kathy Bates. No papel de Shelby Miller, Audrey Tindall e Lana Winters, Sarah destaca-se pela sua capacidade camaleónica de interpretar mais do que uma personagem numa temporada. Primeiro aparece como a atriz que vai desempenhar a parte de Shelby (interpretada por Lily Rabe) na reconstituição dos eventos paranormais que decorreram na Carolina do Norte. Sarah Paulson a fazer de Lily Rabe: how crazy is that?  Depois, quando as coisas começam a caminhar para o lado do horror desta american story, a Audrey vem ao de cima e deixa-nos ver a habilidade de Sarah para chorar e gritar. Simplesmente impressionante a forma como esta mulher é capaz de chorar baba e ranho e de gritar sem nos fazer querer tapar os ouvidos. Para terminar a temporada em grande, Lana Winters regressa para nos presentear com uma entrevista que, claro, termina mal. Kathy Bates é incrível em todos os papéis que representa e, mesmo sendo Roanoke a pior temporada, Agnes Mary Winstead consegue ser interessante muito devido ao talento de Kathy, mas também pela fixação que criou em torno da personagem que representava, The Butcher, acabando por não se conseguir dissociar dela.

Ally Kai American Horror Story

Cult – Ally Mayfair-Richards e Kai Anderson: Mais uma vez, Sarah Paulson assume o papel de heroína da temporada, mas não sei até que ponto. De mulher assustada que mal consegue lidar com as suas próprias fobias a alguém que percebe que tem que assumir o controlo sobre os próprios medos se quiser sobreviver, o percurso de Ally é extraordinário. Ela passa de presa de Kai e do seu culto a uma verdadeira adversária à altura que está preparada para fazer o que for preciso para se salvar, bem como ao filho, e pelo meio está também disposta a vingar-se da mulher, que a traiu de uma forma absolutamente desprezível. Ally acaba por conseguir estar sempre um passo à frente dos acontecimentos e as experiências que viveu mudaram-na. O final de temporada é sugestivo e leva-nos a pensar que Ally se deixou corromper pelo mal enquanto o combatia. No entanto, depois de tudo o que passou, não é de estranhar. A personagem tem uma jornada extraordinária, é certo, mas Kai é um adversário à altura. Também ele não foi sempre assim, um vilão. Era um rapaz normal, mas que, de alguma forma, acabou por se tornar num monstro que o seu eu anterior odiaria. Kai é incrivelmente brilhante e faz uso do seu carisma, da sua inteligência, para manipular os outros, conquistando a sua confiança de tal modo que depois consegue que façam tudo por ele. Kai estabelece um falso sentido de lealdade que lhe dá todo o poder de que se quiser aproveitar. Kai é genial e explora uma sociedade repleta de valores errados de forma eficaz, por mais desprezível que seja. Ally e Kai não podiam existir um sem o outro. Para cada herói tem que haver um vilão a combater, mas nem todos são verdadeiros heróis que conseguem manter-se no caminho do bem. Esta é uma das partes boas desta temporada, os personagens não são apenas uma coisa, têm lados muito diferentes que vamos conhecendo aos poucos.

Cordelia Mallory American Horror Story

Apocalypse – Cordelia Goode e Mallory: A Cordelia que conhecemos no início de Coven não é a mesma líder extraordinária da mais recente temporada de American Horror Story. Cordelia é uma grande mulher, muito forte, mas ao mesmo tempo com uma vulnerabilidade que a torna extremamente terna e humana. Muitas no lugar dela podiam ter-se deixado seduzir pelo poder e estatuto que ser Supreme lhe conferia, mas Cordelia teve sempre o coração no sítio certo e nunca hesitou em fazer todo e qualquer sacrifício para proteger as suas meninas, mesmo que à custa da sua própria vida. Aceitou sempre o seu destino e a sua mortalidade de forma corajosa. Tudo aquilo que Cordelia tem de bom passou-o também aos outros membros da coven, nomeadamente a Mallory, que tem todas as qualidades necessárias para ser uma excelente sucessora de Cordelia. Ela pode não ser o tipo de personagem que se destaca logo ao início, até porque a ideia era que a víssemos como alguém comum, mas Mallory tem a oportunidade de florescer à medida que a temporada se desenrola. Ela é a chave para derrotar o Anti-Cristo e o futuro da Coven, mas não é com leveza que abraça o seu destino, já que sabe que a sua ascensão será a queda de Cordelia. Esta temporada é um hino à força das mulheres e à sua amizade e estas duas personagens honram muito bem esse espírito. Billie Lourd já tinha tido a sua oportunidade de mostrar o que vale em Cult, mas Apocalypse deixou-a brilhar e mostrar verdadeiramente o seu talento. Houve espaço para Sarah/Cordelia e Billie/Mallory brilharem sem que o talento de uma eclipsasse o de outra.

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Beatriz Caetano e Diana Sampaio