Classificação

8
Interpretação
6
Argumento
8
Realização
6
Banda Sonora

O Nosso Cônsul em Havana é uma série portuguesa de ficção histórica, baseada em factos reais, sobre a altura em que Eça de Queiroz (Elmano Sancho) foi cônsul em Havana, Cuba. Nesta altura, a escravatura ainda existia e havia cerca de 100 mil chineses a trabalhar como escravos nas plantações de cana-de-açúcar do país. Estes chineses saíam da China pelo porto de Macau e Eça queria travar este problema.

Este primeiro episódio dá-nos o contexto histórico em que se vai desenrolar a ação, apresentando-nos algumas das figuras políticas e humanistas mais relevantes da época. O episódio tem início em Portugal, ainda antes de Eça ser nomeado cônsul de Havana e, como narrativa paralela, vemos uma família de chineses que vai mandar dois dos seus filhos para trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar. As coisas não correm como esperado e a filha do casal de chineses, Lô, terá de se disfarçar de rapaz e ir no lugar de um dos irmãos. Ao longo do episódio vamos acompanhando a viagem de barco de Macau até Havana e na parte final já acompanhamos Eça na sua chegada à América do Sul.

A narrativa começa com pouca ação e mostrando os momentos que antecedem a nomeação de Eça como cônsul. Estes momentos já nos começam a dar algumas pistas da personalidade do escritor de Os Maias, que tem algumas peculiaridades que vão decerto agradar ao telespectador. Em Havana, estas características sobressaem ainda mais, o que torna esta personalidade bem conhecida do público português mais apelativa.

A caracterização e os figurinos estão impecáveis e os atores, muitos deles já conceituados em Portugal, como é o caso de João Lagarto, tiveram desempenhos bastante sólidos. Para mim, só ficou um pouco aquém o desempenho dos atores que fazem as personagens chinesas (penso que não são atores profissionais e/ou este é o primeiro trabalho deles), nomeadamente a jovem que interpreta Lô, assim como a cena da luta em que o irmão de Lô é levado para a guerra pelos homens do Fuchó e a cena em que Lô escapa do compartimento onde estava fechada no barco. Estas sequências não me pareceram nada realistas e dá para ver que ninguém está realmente a bater em ninguém.

Por outro lado, fiquei bastante impressionada com os efeitos especiais. Comparando com o que se costuma fazer em Portugal, posso dizer que são os efeitos especiais mais convincentes e que mais se aproximam de uma imagem real que já vi até hoje, e até melhores do que alguns de certas produções americanas.

O final fez antever próximos episódios mais interessantes do que este primeiro e estou bastante curiosa por poder ficar a conhecer melhor uma parte da vida de Eça de Queiroz  com que não estou assim tão familiarizada.

Cláudia Bilé