Não é grande novidade para quem acompanha American Horror Story que há uma ligação entre todas as temporadas. Ryan Murphy já o referiu várias vezes, mas não sabemos exatamente em que medida se dá esta conexão. No entanto, quando se trata de séries de televisão e de especulação, teorias não faltam, mas uma destacou-se das outras e a verdade é que até faz sentido: que a série é uma alegoria ao Inferno de Dante e apresenta um olhar próximo ao nosso verdadeiro inferno pessoal.

Sobre o Inferno de Dante é importante reter que ele corresponde a nove círculos de inferno: o limbo, a luxúria, a gula, a ganância, a ira, a heresia, a violência, a fraude e a traição.

Cada temporada de American Horror Story tem um enredo diferente, personagens diferentes, mas se pensarmos bem, conseguimos descobrir alguns círculos de inferno, embora numa versão moderna, adequada à época em que vivemos. Ora espreitem:

Temporada 1 – Murder House

A luxúria é uma constante nesta temporada de estreia, onde tudo começa quando uma família muda de casa e de cidade depois do affair do marido. A personagem Moira também representa na perfeição o tema da luxúria. Ela tem uma aparência jovem e sensual aos olhos dos homens, mas as mulheres vêem-na mais como alguém que podia ser perfeitamente uma avó.

Temporada 2 – Asylum

A fraude é o tema apontado para esta segunda temporada da série. Aqui temos uma instituição para malucos. Sim, porque, nesta altura, os doentes mentais eram vistos desta forma, pessoas com uma orientação sexual diferente eram consideradas doentes… No entanto, enquanto supostamente se tentava curar perversões como a homossexualidade, eram utilizados métodos dignos dos tempos de tortura medieval. Já para não falar das personagens ligadas à Igreja, que deveriam seguir uma doutrina de amor pelo próximo, mas não. Não nos podemos esquecer do Dr. Thredson, que parecia ser o único elemento minimamente são dos cuidadores de Briarcliff, mas que, afinal, era pior que os outros todos juntos. Nesta temporada nada nem ninguém era bem o que parecia.

Temporada 3 – Coven:

A traição é, claramente, o pecado dominante desta terceira temporada de American Horror Story. As personagens traem-se umas às outras, na ânsia de ascender ao título máximo da feitiçaria, o de supreme; Hank, o marido de Cordelia, tem culpas na cegueira desta; Fiona é atraiçoada pelo seu próprio corpo ao adoecer com cancro… No entanto, há também teorias de que a raiva poderia ser o tema desta temporada, devido a todas as ‘guerras’ entre personagens.

Temporada 4 – Freak Show:

A ganância destaca-se aqui, com pessoas com deformidades físicas que são exploradas e usadas por Elsa Mars para o espetáculo de aberrações que dá título à temporada. Elsa finge querer dar a estas pessoas, dentro do circo, aquilo que nunca obteriam no mundo exterior, mas na verdade ela limita-se a usá-los como veículo próprio para atingir fama e dinheiro.

 Temporada 5 – Hotel:

A gula é o foco desta temporada, mas não da maneira como habitualmente encaramos este ‘pecado mortal’. A Condessa e Donovan estão sempre sedentos de sangue, enquanto outros  não conseguem resistir ao apelo das drogas e do álcool. Cada um dos personagens anseia por algo, independentemente dos custos para o atingir.

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A verificar-se esta teoria, a série deverá ter um total de nove temporadas – ou seja, mais quatro – onde serão abordados os temas em falta. Será? Acreditas nesta teoria?