Classificação

7
Interpretação
7
Argumento
6.5
Realização
6.5
Banda Sonora

[Contém spoilers!]

No Good Nick pode parecer à primeira vista uma série de adolescentes. Aliás, mal começamos a ver, certamente que muitos terão memórias dos universos Disney Channel ou Nickelodeon. Mas a verdade é que esta nova série da Netflix acaba por ser mais do que uma sitcom parva com piadas forçadas e trata de alguns assuntos bastante interessantes.

Para começar, a série traz dois nomes inconfundíveis como fortes protagonistas. Para dar vida a Ed e Liz, a série contratou nada mais nada menos que Sean Austin, o nosso Sam de Senhor dos Anéis, e Melissa Joan Hart, a eterna Sabrina que todos adoramos. Parecendo que não, isto é um excelente truque de produção, porque nós, público, já gostamos destas personagens pelos atores que as protagonizam. Já nos são familiares e, mais do que isso, são atores que quase toda a gente gosta.

Bom, a história começa quando este casal, com dois filhos, Jeremy e Molly, recebem uma visita inesperada de Nick, uma rapariga orfã que, por uma razão não muito bem explicada, foi enviada para eles por serem a sua família de acolhimento depois da morte dos seus pais. Seria de esperar uma reacção hostil, mas a verdade é que todos, com maior ou menor dificuldade, acabam por aceitar Nick. O que eles não sabem é que Nick é uma golpista que foi colocada naquela casa pelo verdadeiro casal adoptivo dela, Dorothy e Sam. O objectivo é que Nick se infiltre na família tonando-se mais fácil para esta os roubar. Ao longo do primeiro episódio, Nick acaba por se ir afeiçoando à nova família e vai empatando o plano de roubo dizendo que precisa de mais tempo.

A série foi feita para um público adolescente, disso não há dúvida, mas não cai no erro de ser uma série demasiado infantil. É verdade que vamos ouvindo aqui e ali muitas piadas estereotipadas e pouco verosímeis, digamos assim, mas não é mau de todo. Acabamos por ver dois mundos opostos, um de uma típica família americana com uma vida boa e feliz, e outro de uma rapariga com uma vida instável, a tentar sobreviver e habituada a lutar pelo que quer. A série nunca cai no erro de meter os dois mundo frente a frente, mas faz sim com que se abracem. Percebemos que todos nós, mesmo que pertençamos a grupos diferentes, teremos sempre muitos mais em comum do que de diferente.

Nota ainda para a excelente prestação da jovem actriz Siena Agudong que faz o papel de Nick. A personagem pode parecer fácil, mas só durante o piloto percebemos que Nick vai passar por várias camadas emocionais e é importante para tal um bom trabalho da atriz, que só num episódio já surpreende. A série está dividida em duas partes, cada uma com dez episódios.

Carlos Real