Classificação

6.5
Interpretação
6
Argumento
6
Realização
7
Banda Sonora

Contém spoilers!

Foi com grande entusiasmo que o mundo acordou, algures em 2016, com a notícia que mais uma obra de George R. R. Martin iria ser adaptada para a televisão. Nightflyers baseia-se no conto homónimo que se inclui num conjunto de pequenas histórias que foram sendo publicadas entre 1980 e 1985.

Nightflyers é uma série de ficção-científica, de cariz futurista e espacial. Ambientada em 2093, altura em que a Terra se encontra moribunda, uma equipa de cientistas e um telepata viaja a bordo da Nightflyer ao encontro de uma nave espacial alienígena que poderá ser a salvação, ou a destruição, do que resta da Humanidade.

A cena inicial é muito simples, a missão da Nightflyer corre mal e a nave está parcialmente destruída. Se por um lado é um valente spoiler, por outro acaba por nos apimentar a curiosidade, já que esta cena foi cuidadosamente feita para não dar pistas sobre o que realmente aconteceu durante a viagem para chegarem a este ponto.  Com o avançar do piloto é fácil perceber que a missão tem tudo para correr mal, já que a sua preparação se baseou única e exclusivamente no desespero de uma espécie em extinção. Tratando-se de uma informação importante para o desenlace da temporada, acabou por marcar a diferença, para a positiva, e ajuda a evitar o desastre que foi a recente aventura do género, Origin.

A personagem-chave da missão acaba por ser Thale (Sam Strike), um telepata L1, dos mais poderosos existentes na Terra, e, pelo que foi descrito, nunca soube o que é a liberdade. A presença de Tale apresenta a esperança e a perdição em simultâneo. Embora nada saibamos sobre ele, pois ainda não foi um dos comtemplados com um flashback, Thale tem uma história que é uma mina de ouro. Explorar a origem e a extensão dos seus poderes poderá preencher a limitação de enredo, já que o grupo se encontra confinado a uma nave… e já conhecemos o desfecho catastrófico. Teremos aqui a evolução natural do Homem, ou a mão da ciência na purificação/aprimoração genética?

As (pequenas) adversidades que foram surgindo e que puseram em causa o bom funcionamento da missão e a vida dos tripulantes são elementos essenciais e preciosos para entendermos o desenrolar da temporada. Se por um lado temos um grupo desconfortável com a presença de um telepata poderoso, que desvia a atenção dos problemas, por outro temos a verdadeira razão, que, a meu ver, permanece secreta. Será que os poderes de Thale são poderosos ao ponto de conseguir interagir com a nave? Ou será que, conforme comprovado pela conversa entre Rowan (Angus Sampson) e Karl (Eoin Macken), haverá alguém contrariado com a missão e tudo fará para a sabotar? Ao que parece, a missão defendida por Karl está longe de reunir consenso e entre a equipa que viaja consigo inclui elementos que preferem que o contacto os extraterrestres Volcry não se concretize. Outra hipótese, mas ainda mais mirabolante, prende-se com a suposição de que os Volcry não querem entrar em contacto com os humanos e, também como já apresentado, poderão eliminar o que resta da humanidade.

É impossível não estabelecer comparações com Origin, do Youtube, e, embora Nightflyers esteja longe da perfeição, destaca-se pela positiva: a base do enredo apresenta-se mais sólida e nota-se uma melhor exposição dos motivos desta missão quase suicida, levando o expectador a criar uma emocional com os nightflyers; no que concerne aos personagens, estes estão melhor construídos, havendo mesmo papéis que já demonstraram a sua força e consistência, nomeadamente Karl, Thale e a doutora Agatha Matheson; o desfecho foi apresentado de forma díspar em ambas, enquanto Origin sempre apostou na esperança da chegada da tripulação a Thea, o planeta perfeito, em Nightflyers sabemos, logo à partida, que a nave está bastante danificada e boa parte da equipa estará morta, levando-nos a levantar inúmeras questões sobre o que de facto aconteceu.

Vou continuar a assistir com esperança que as minhas dúvidas se dissipem nos próximos episódios. A série tem potencial, contudo, o canal Syfy tem o condão de debilitar boa parte das promessas que emite.

Rui André Pereira