Classificação

Com Scott Ryan como realizador e ator principal no papel de Ray Shoesmith, a série Mr. Inbetween vem contar-nos a história aparentemente vulgar de um homem que vive na sociedade moderna que é pai solteiro – e tem que viver com todas as advertências disto enquanto ao mesmo tempo é um criminoso contratado.

2.1
Interpretação
2.9
Argumento
3.1
Realização
3.5
Banda Sonora

CONTÉM SPOILERS!

Esta é uma das novas apostas do canal FX. Com Scott Ryan como realizador e ator principal no papel de Ray Shoesmith, a série Mr. Inbetween vem contar-nos a história aparentemente vulgar de um homem que vive na sociedade moderna e é pai solteiro – e tem que viver com todas as inerências disto enquanto ao mesmo tempo é um criminoso contratado (bouncer, para ser mais específica).

Durante o decorrer desta meia hora, vamos conhecendo um pouco do dia a dia de Ray. Este é um estilo de realização que em termos de gostos pessoais me incomoda um pouco. Enquanto vamos vendo as várias fases da vida de Ray (ou a levar a filha a passear, ou passear o cão e tropeçar numa mulher bonita, ou atirar com um rapazinho que deve dinheiro ao seu chefe escadas abaixo), os cenários vão parecendo sempre ‘partidos’. Sendo sincera, fiquei sem perceber exatamente em que ponto do dia (ou dias) é que estávamos enquanto o episódio foi decorrendo. Ora era noite, ora era dia, como era de noite ou de dia outra vez. Tudo isto em pequenos cortes de cinco minutos cada, como se não houvesse um fio condutor da história.

Houve uma tentativa por parte do ator/realizador de tentar criar um traço empático em Ray. Claro, ele é um homem do crime, mas também fraqueja quando vê uma mulher bonita, também compra gelados para a filha, também ajuda o melhor amigo em apuros. Mas onde ficou o talento? Scott ficou completamente aquém desta representação. Que. Falta. De. Know-how. Nossa senhora. Lembram-se quando a internet dizia que a atriz Kirsten Stewart só tinha uma expressão facial? É do estilo. Fico-me por aqui.

Consegui chegar ao fim do episódio e entender que esta é uma história completamente narcisista, que não tem história nenhuma. Não há propósito nem fim – só há um homem com um dia a dia normal, com um trabalho noturno questionável. Ainda se a filha se apercebesse da vida dele – ou tivesse havido alguém completamente descabido como personagem secundária nesta série, só para apimentar… Mas não. Apenas uma pessoa. Estranha. Mal representada. Sem sal. E um grupo de amigos sem sal. E uma filha que pede 1 dólar cada vez que alguém diz uma asneira. Wow.

Vinte e seis minutos de nada – de tempo perdido. Ainda bem que estou de férias, senão ia chorar para o cantinho por ter estado meia hora a ver o episódio e meia hora a escrever sobre ele. Esqueçam. Abortem missão. Não vale a pena, nem com uma velinha. Para não dizerem que sou mau feitio: vale a música dos créditos finais, que é gira.

Joana Henriques Pereira