2x03 - Fight

2×03 – Fight

 

Contém SPOILERS.

Cada fico mais maravilhada com esta série. Masters of Sex é das melhores séries da actualidade e apenas um canal como a Showtime podia criar algo tão brilhante. Os talentos de Lizzy Caplan e Michael Sheen nunca deixam de me surpreender. Podem despedir o resto do elenco porque apenas Bill Masters e Virginia Johnson são necessário.

E foi exactamente acerca deles que foi este episódio. Confesso que não costumo ver os promos porque sei que nunca vai fazer jus ao episódio. E aqui não fez de certeza ou este não seria o melhor episódio da série até à data.

Todo o episódio girou à volta do quarto do hotel em Illinois, onde Bill e Gini continuam a sua ‘investigação’ às escondidas do mundo enquanto Dr. e Mrs. Holden.

Fight começou de maneira brutal. Vemos Virginia falar com a filha sobre princesas e o seu desapontamento quando percebe que Tessa se está a tornar como as outras mulheres do seu tempo. Virginia quer que a filha seja independente como ela e que não precisa de um cavaleiro para a salvar. Já Bill enfrentou um caso deveras polémico, quando faz um parto a uma mulher de um bebé hermafrodita. Adorei ver Bill defender a criança e nestes momento que eu mais gosto dele e percebo aquilo que Gini vê no médico.

Depois do trabalho, como de costume, Virginia e Bill encontram-se no hotel. Finalmente sabemos um pouco mais dos seus encontros, apesar de eu suspeitar que este tenha sido diferente de todos até agora.

Para os mais distraídos, o combate de boxe no qual o episódio girou em volta durante os sessenta minutos foi entre Moore e Durelle em 1959. Como se pôde ver, foi intenso e muito equilibrado e serviu de metáfora perfeita para o episódio todo.

Entre aquelas quatro paredes houve de tudo. Por muito que eles queiram negar, o estudo é só uma desculpa para estarem juntos e baixarem a guarda. Ao mesmo tempo que fazem confissões. E ainda lutam! A cena em que ele estava a ensinar-lhe a lutar pensei que fosse acabar mal mas deu tempo para rir com a pulseira de Gini no cabelo de Bill!

Desde sempre que quis saber mais sobre o passado de Masters. Era óbvio que o pai dele era violento com ele mas queria ouvir da boca de Bill porque é que ele próprio não conseguiria ser bom pai. Tinha a noção que este mistério só seria revelado a Virginia. Quem é que Bill quer enganar?

Bill: Maybe I slammed the screen door, maybe I reached for a second helping before he did. Maybe I used a word he didn’t know. Maybe it was Wednesday.

Esta resposta de Bill depois de Gini lhe ter perguntado os motivos das agressões do pai deixaram-me com pele de galinha. Que infância terrível a de Masters. Agora sim percebo a sua frieza com a mãe, a sua incapacidade de a perdoar. Quem o faria? Ele era apenas uma criança e ela nunca mexeu um dedo para o ajudar. Ela que nunca mais volte. Quem é que deixava que o marido levasse o filho embora para nunca mais voltar?

Continua a fazer-me impressão o medo de Bill para com o filho (ele poderia tentar começar do zero) mas já o percebo. Entretanto, quem sofre com isto tudo é Libby (que, cheira-me, terá um esgotamento nervoso muito para breve).

Gini também não ficou livre de confissões. Adorei a história que ela foi inventado acerca do casal Francis e Lydia Holden. Na cabeça de Virginia, quanto mais real for a vida dos seus alter-egos, menos ela se sente como se fosse amante de Bill.

Tal como Bill, também Virginia é uma pessoa muito fechada. Sem dúvida de que é mais faladora e tem muito mais jeito para as pessoas mas consegue ser tão fechada quanto ele. Por isso aquela história com o militar me tenha apanhado de surpresa. Sinceramente, mais depressa veria Bill fazer-lhe confissões do que ela.

A despedida deixou-me de coração partido porque era evidente que, pela vontade deles, fariam daquele hotel a sua casa. Tudo foi muito formal (excepto a parte da pulseira) e soube a uma chapada para nós que os assistimos a cenas tão íntimas (e não falo só do sexo, claro) e depois vermos aquela despedida fria.

Regra geral, fico sempre muito reticente em relação a dar notas máximas mas não consigo dar outra que não um GRANDE 10. Este episódio deixou-me completamente sem palavras de tão perfeito que foi. A escrita estava sublima, a direção de tirar o chapéu e… Lizzy Caplan e Michael Sheen. Oh, meu Deus, encham estas duas pessoas de Emmys em 2015, por favor!

Bill: Sometimes the best fighter isn’t the one who lands the hardest punch. It can be the one who absorbs it. 

Nota: 10/10

2x04 - Dirty Jobs

2×04 – Dirty Jobs

Foi estranho voltar ao mundo real após um episódio tão íntimo como o anterior. Se nós tivemos só Virginia e Bill em Fight, neste tivemos toda a gente!

E não é que as coisas se complicaram para Gini e Bill? Austin Langham estava no sítio certo à hora certa para testemunhar a saída dos dois do quarto do hotel. Tiveram sorte porque Austin seria a última pessoa que os iria julgar por uma coisa daquelas. E a sério que Virginia pensou que o conseguiria enganar? Tentar não custa mas mesmo assim… Apesar de eu a perceber. Ele quer tudo menos que se descubra do seu caso amoroso com Bill. Já bem bastam os seus problemas de consciência. Acredito que se o sexo com ele fosse só físico, Gini não se sentiria assim mas ele há muito que sabe o que realmente se passa. Ela não consegue parar mas não quer dizer que se sinta bem com isso.

Bill não teve mãos a medir este episódio. A sua paciência com Betty já não era muita e forçou-a a dizer finalmente ao marido que é impossível ela engravidar. Não estava à espera que Gene soubesse as origens de Betty mas só me fez gostar ainda mais dele. Ele é genuinamente boa pessoa e é mesmo uma pena Betty ser homossexual. Agora com a gravidez fora do plano, como vão isto avançar?

No hospital, Bill avança com o seu estudo mas é óbvio que Gini faz tanta falta que é impossível que o médico consiga levar aquilo para a frente sem ela. E a falta da assistente está a deixar marcas em Masters, viu-se pela maneira como lidou com os colegas. Não estava nada à espera que ele fosse despedido depois de tão pouco tempo. Quando é que Masters chegará finalmente a ‘casa’?

Pobre Lillian DePaul. Nem o seu adorado dr. Papanikolau a leva a sério. A médica está às portas da morte e nem conta com a sinceridade de Virginia. Era disto que falava relativamente às reticências de Gini. O segredo do caso está fechado a sete chaves (ou espera ela) e nem mesmo a amizade pela sua empregadora a faz falar. E, mesmo sem saber, essa omissão é como uma facada para Lillian que não é propriamente a mais eloquente das pessoas. O que acontecerá a estas duas?

Mas o lado que mais me tocou foi mesmo Libby. A mulher de Masters não é fácil de se representar mas Caitlin Fitzgerald faz esse trabalho na perfeição e dá tudo o que tem à sua personagem e evita que caia no ridículo. Libby não está bem e é óbvio nas cenas com a empregada. Pobre Coral, que foi humilhada pela patroa. A cena em que Libby obriga a ama do seu filho a lavar o cabelo por causa dos piolhos foi intensa e a vida doméstica de Mrs. Masters não vai melhorar. Bill também se apercebeu das mudanças da mulher quando gritou com ele por causa do emprego. Mas será que vai fazer algo?

Não foi um episódio tão bom como anterior mas também não estava à espera disso – as cenas passaram demasiado depressa. Fight foi especial e deixem-no estar naquele pedestal. Contudo, este quarto episódio não se ficou muito atrás. A história continua e está tudo em aberto nas vidas de Virginia e Bill.

Nota: 8.8/10

Maria Sofia Santos