2x02 - Kyrie Eleison

2×02 – Kyrie Eleison

 

Contém SPOILERS.

Todo este episódio se centro no lado psicológico das personagens. Apesar das histórias do episódio, o que mais me chamava a atenção eram as personagens e em como estão a lidar com os problemas numa altura de mudanças.

Comecemos pela rainha da série desde o primeiro episódio: Virginia Johnson. Na minha opinião, ela é o centro de todas as personagens e rouba o lugar de destaque que tanto querem dar a William Masters mas que não conseguem. Não me interpretem mal, a interpretação de Michael Sheen é perfeita. Só que…

Apesar de todas as adversidades que encontra no hospital, ser olhada de lado pelos colegas, na falta de força de vontade de Lillian apesar dos esforços de Gini e a separação de Masters e do estudo. A verdade é que ela é uma mulher à frente do seu tempo, inteligente, ambiciosa, independente e com uma enorme força de vontade. Na altura esta atitude não era bem vista pelos outros. Virginia foi uma mulher que claramente nasceu antes do seu tempo. O único que é capaz de a compreender é, estranhamente, Austin Langham.

Austin: We are lone wolves. driven from the pack of our refusal to conform. 
Virginia: Is that it? Sure we weren’t asked to leave ‘cause we couldn’t play nice with the other wolves? 
Austin: Lone wolves don’t always play nice
 

Apesar de tudo, é Austin quem me dá mais pena no meio daquilo tudo. Seria de esperar que fosse Libby, certo? Mas já lá chegamos. Austin é um homem que tinha tudo o que um homem pode querer, um bom emprego e família mas a sua irresponsabilidade e falta de carácter deixam-no sozinho e, parece-me, bastante inseguro. Estou muito curiosa com o que está reservado para ele nesta temporada.

Libby, pobre, pobre Libby. Claro que ter um bebé não ia melhorar nada. A ideia de que o bebé John ia deixar Bill mais entusiasmado com a vida caseira só podia vir de uma pessoa que não conhece o médico. É agora que Libby começa a aperceber-se o quão distante o marido está dela e a falta de interesse dele tanto por ela como pelo filho. É tão óbvio que Bill prefere estar em todo o lado menos em casa que por vezes até me esqueço que ele ainda vive lá.

Com a saída de cena da sogra, Libby contrata uma ama e, se ao início tudo parecia estar bem entre ela e Coral no final vemos finalmente Mrs. Masters soltar as garras de fora. A conversa não foi nada de especial mas viu-se ali o desprezo de Libby. Ela é demasiado fraca para enfrentar o marido mas isso não a impede de soltar o veneno para quem menos merece. Excelente trabalho de Caitlin Fitzgerald.

Bill Masters começa finalmente o seu trabalho no novo hospital mas nem tudo está como ele queria. A ausência de Virginia é a mais notória apesar de eu achar uma certa piada a Barbara. (Gostava de Jane por ela ser uma espécie de lufada de ar fresco dentro da constante tensão no consultório. Pode ser que Barbara fique.) O caso no hospital foi, sem dúvida, interessante e, apesar de tudo, gostei bastante do seu papel. Debaixo da sua fachada fria e insensível, Bill consegue criar empatia com as pessoas devido ao seu espírito (relativamente) aberto. A rapariga (que, cheira-me, era ninfomaníaca) precisava que alguém, de um amigo, e Masters preencheu esse papel na perfeição e ajudou a sua paciente. Bom trabalho, Dr. Masters.

Betty, por seu lado, começou os ‘tratamentos de fertilidade’ e procura fugir a todo o custo à sua antiga vida. Ela já aguentou um ano sem ser descoberta pelo marido. Tenho que a aplaudir, esconder a sua homossexualidade e o seu passado deve ter sido uma dor de cabeça. Eu gosto dela, é apenas uma mulher que quer encontrar o seu lugar no mundo – ao contrário de Virginia, que não tem medo de quem é. A sua história vai ser interessante, espero que explorem bem esta personagem. As suas interacções com Masters são qualquer coisa!

Bom episódio, como sempre. Não há dúvida que temos um elenco fantástico, actores fabulosos. Apenas faltou aqui algo que ligasse melhor todas estas histórias.

Nota: 8.5/10

Maria Sofia Santos