Classificação

9.8
Interpretação
9.9
Argumento
9.9
Realização
9.6
Banda Sonora

“We will not go quietly into the night!”
We will not vanish without a fight!
We’re going to live on!
We’re going to survive!” (Independence Day, 1996)

E o peso da conclusão e do sucesso deste crossover recaiu sobre os ombros de Legends of Tomorrow. Depois de assistirmos com deslumbre e excitação às duas primeiras partes em The Flash e Arrow a fasquia era bastante elevada e pelo menos dois aspetos eram imprescindíveis que acontecessem no episódio final: que as intenções dos Dominators fossem explicadas e que finalmente nos fosse dado o esperado e épico confronto dos heróis vs. aliens para salvarem o mundo. Pela classificação dada ao episódio já devem ter adivinhado: os nossos desejos foram concretizados e este foi um espetáculo de episódio e um brutal de um crossover!

Anteriormente, os Dominators chegaram à Terra com intenções hostis. Barry reuniu uma equipa de super-heróis para lidar com o problema, indo contra as intenções do governo. Os Dominators deram o primeiro golpe controlando mentalmente a maior parte da equipa dos heróis para lutarem entre si e no final os não meta-humanos foram raptados e levados para a nave-mãe dos aliens, no espaço. Oliver e os seus companheiros foram postos num mundo de sonho enquanto os Dominators tentavam extrair informações sobre as fraquezas dos seus companheiros meta-humanos. A Team Oliver consegue escapar e com a ajuda do Waverider são salvos e estão de volta ao futuro Hall of Justice. No entanto, os Dominators continuam rumo à Terra e têm uma arma especial pronta…

O plano é então Citizen Steel (que acharam do fato? Bem porreiro, não? Pena o tecido dever ser muito fino para o tranquilizante conseguir furar e drogar Nate… mais valia terem apontado ao pescoço ou assim), Heat Wave e Vixen juntamente com Cisco e Felicity viajarem até Redmond, Oregon, em 1951, para a primeira vez em que os Dominators apareceram na Terra e assim raptarem um deles para o interrogar e descobrir o seu plano, uma peça que tanto encaixou na história do crossover como permitiu o uso do Waverider e da viagem no tempo para resolverem um dos problemas. A relação entre Mick e os geeks foi bastante engraçada e pudemos ainda ter um desenvolvimento no conflito entre Cisco e Barry. Cisco, que tem culpado Barry por ter mexido no tempo e levado à morte do seu irmão, apercebe-se com esta viagem que as melhores intenções podem levar a desastres quando se trata de alterar acontecimentos no passado. Ao salvarem o Dominator, que tinha sido preso pelo governo e pelo Homem dos Óculos, permitiram que o extraterrestre voltasse para a nave mãe e partilhasse a sua preocupação com os meta-humanos da Terra, o que ajudou nos motivos para a invasão em 2016.

Em paralelo, o Homem dos Óculos aparece também em 2016 tendo armado uma armadilha aos restantes heróis para apanhar Barry e o entregar aos Dominators. Parece que este misterioso agente do governo, que na 1.ª parte do crossover apareceu a intimidar Lyla e que defendia que não se deviam tomar nenhumas ações contra os Dominators, é mais engenhoso e perigoso do que se pensava. Ele confirma que os Dominators estão a atacar a Terra devido ao aumento incrível no número de meta-humanos e surpreendentemente revela que não só conhece a identidade de Flash como sabe dos acontecimentos de Flashpoint e que essa é a outra grande razão do ataque dos alienígenas. Esta abordagem de envolver o governo deu uma maior profundidade e realidade ao problema, passando a tratar-se de mais do que apenas esmurrar uns extraterrestres de volta para o planeta deles. O impacto de Flashpoint também ganhou uma dimensão muito maior com este crossover apesar de as alterações definitivas não serem tão profundas como anunciadas pelos produtores, mas deu para fixar que mexer com a timeline não é de todo uma boa ideia. Para além disso, quando o episódio acaba parece que o enredo do Flashpoint também fica praticamente arrumado, podendo a história prosseguir para outros rumos.

Durante todos estes acontecimentos, Stein e Caitlin tentam arranjar uma forma de criar um dispositivo para enfraquecer os Dominators e facilitar a batalha final. E entretanto Caitlin decide pedir a ajuda da filha de Stein, Lily. Victor Garber conseguiu exprimir bem os sentimentos de confusão e arrependimento com a aberração temporal de ter criado uma filha que antes não tinha, para depois se deixar levar pelo coração e não pela razão e finalmente aceitá-la como filha e não uma aberração a ser eliminada (contrariamente ao que pensava, neste caso a culpa não foi do Flaspoint de Barry, mas sim da interação de Stein com o seu eu passado). Graças ao ator e a Christina Brucato (no papel de Lily) este plot foi cativante o suficiente para não ficar na sombra dos restantes. Resta a dúvida se iremos ver Stein a abandonar o grupo das legends, talvez no final da temporada, uma vez que decidiu aceitar Lily como sua filha e não a apagar da história, o fato de estar programado que Christina Brucato vá entrar em mais episódios indica que a história de pai e filha está longe de ter terminado. É também uma pena, ou estranho ou “não faço ideia porque estas cenas das linhas temporais dão um nó na cabeça”, o facto das memórias de Stein não se terem alinhado com a existência da filha após o tempo que passou em 2016. Os rumores do regresso de Ronnie podem indicar que Firestorm poderá vir a ser formado por Jax e Ronnie num futuro próximo.

Um dos melhores momentos do episódio foi quando Barry decide sacrificar-se e entregar-se aos Dominators para estes restaurarem o tratado de paz (apesar do erro com o Flashpoint, neste ponto Barry já deu a perceber que entendeu a gravidade do que fez e agora mostra que estava disposto a fazer o sacrifício final para pagar pelos seus erros. Não se pode esperar mais de uma pessoa, já que ele não é um Deus e errar é humano), e ao contrário da primeira parte do crossover em que a equipa virou todas as costas a Barry, neste caso, todos eles, inclusive Cisco, mostraram que estavam juntos até ao fim.

E eis que chega a hora do confronto final com os Dominators. Não havendo Barry, os Dominators espalham naves espaciais à volta do mundo e largam uma bomba enorme (Gene Bomb) com o objetivo de eliminar todos os meta-humanos da Terra. A melhor parte da ação do crossover foi deixada para este episódio e não desiludiu de todo. Na situação anterior da emboscada do Homem dos Óculos realçam-se as cenas da seta do Green Arrow a fazer ricochete no chão e a atingir o seu alvo e o Flash a derrotar todos os seguranças, muito ao género do Quicksilver dos filmes dos X-Men. A luta no tejadilho de heróis vs. Dominators foi épica, dando calafrios só por podermos ver tantas personagens da DC reunidas no mesmo sítio em live-action. O sonho de qualquer geek! Um grupo de cada lado a correr em direção um ao outro fez lembrar a célebre cena do recente filme Captain America: Civil War e o confronto foi perfeito, permitindo que víssemos cada um dos heróis em ação e a usar os seus poderes (até o pobre Spartan lá andava aos tiros aos Dominators).

Mesmo assim, as luzes da ribalta foram roubadas pela Supergirl (aquele salvamento ao Green Arrow foi impressionante) e por Flash, que correram à volta do globo a colocar os dispositivos criados por Stein (como teve ele tempo de produzir tantos dispositivos? Ninguém sabe!). E também por Firestorm, que após Sara e Cisco abrandarem a queda da Gene Bomb com o Waverider, este pode transmutá-la de forma a deixá-la inofensiva. No arsenal de Firestorm este é capaz de ser um dos seus poderes mais potentes e apesar de o vermos usá-lo poucas vezes (na 1.ª temporada de Legends of Tomorrow, Jax e Stein usam a Trasmutação primeiro para transformar um rifle em areia e depois um meteorito em água) é um delírio sempre que o faz.

A grande motivação dos Dominators com a emergência do meta-humanos e a Gene Bomb para os eliminar são idênticas à versão dos comics dando uma satisfação a quem leu de poder ver agora a história no pequeno ecrã.

A maior falha do episódio para mim deveu-se à atitude de Oliver para com Kara, repentina e não muito lógica. Fez com que a Supergirl só participasse no final do episódio (claro que a razão desta escolha dos produtores pode-se ter devido a não recair tudo em Supergirl, que com os seus poderes era capaz de resolver a maioria dos problemas). Melissa Benoist é uma atriz muito fácil de gostar e a sua relação com os outros atores e personagens é sempre muito positiva e bem-disposta. Esperemos que em 2017 tenhamos o prometido crossover musical entre The Flash e Supergirl, onde poderemos ter um maior foco na interação entre Melissa Benoist e Grant Gustin, que fazem uma dupla incrível.

Atadas todas as pontas e resolvido o conflito com os Dominators, a cereja em topo do bolo foi ter havido tempo para seguirmos as comemorações dos nossos heróis. Com a morte do antigo presidente (muito ao género do filme Mars Attack), a condecoração dos valentes heróis ficou ao cargo da nova presidente, que quando disseram que era uma mulher achei que fosse Lynda Carter, devido ao seu papel também como presidente em Supergirl, mas pelos vistos, apesar de os produtores terem pensado nisso, os estúdios acharam que isso seria muito confuso. A despedida entre todos eles foi carinhosa, com Diggle a desculpar Barry, Cisco a dar de presente a Kara uma forma que decerto facilitará futuros crossovers e connosco a desejar um crossover mais focado na trindade: Oliver, Kara e Barry. Quem é que alinha em ir beber uma cerveja mais o Oliver e Barry?

 “Skirt, call me.” os poderes de sedução de Mick são de outro mundo. Ahah.

Como sempre, e como os produtores já nos habituaram, não faltaram referências pop a filmes, séries e por aí fora que trazem sempre a sua dose de piada. Uma delas foi Ray Palmer no final a dizer que Kara era parecida com a sua prima. O ator Brandon Routh fez de Superman no filme de 2006, Superman Returns, pelo que isso é uma referência ao seu papel no passado com o homem de aço, mas como os produtores já disseram não significa mais nada, não iremos ver uma doppleganger da Kara a aparecer nem nada do género. Também no final Kara diz a Oliver e Barry que eles são os “Earth’s mightiest heroes”, esta é uma famosa definição muito usada pela Marvel para definir os Avengers. Já agora, criando o caos: entre a equipa de super-heróis que vimos no crossover vs. Avengers quem ganharia?

Para quem ficou a pensar no impacto que a invasão de aliens pode ter tido nas pessoas da Terra-1, a resposta é: nenhum. De acordo com os produtores KreisbergGuggenheim, o Homem dos Óculos é bom no seu ttrabalho e numa representação dos casos reais de encobrimento do governo e fazendo lembrar Men in Black ou Doctor Who, foi capaz de inventar uma desculpa de queda de satélites meteorológicos cobrindo toda a situação. “I want to believe”.

E assim chega ao fim um dos grandes eventos de 2016 do mundo dos super-heróis. Este era o crossover que queríamos, este é o crossover de que precisávamos e este é o tipo de crossover que tem de haver no futuro. Gostaram? Na próxima semana tudo volta ao normal nas séries da CW e os nossos heróis têm que enfrentar os seus próprios problemas. Quanto às legends irão até ao ano de 1927 para corrigir uma aberração temporal, mas quem os espera é a Legion of Doom constituída por Eobard Thawne, Damien Dahrk e o seu novo membro… Malcolm Merlyn. Parece que vamos ter uma midseason finale lendária. Até lá, o tempo voa.

Emanuel Candeias