Há basicamente três coisas que podem acontecer com o tema de introdução de uma série: adoramos, cantamos a música ou tamborilamos os acordes; não adoramos, mas também não é chata ao ponto de nos darmos ao trabalho de a passar à frente; ou então, terceira opção, temos de a passar à frente, quer porque é longa de mais e aborrecida, quer porque odiamos a música. Já passaram mais de três anos desde que dedicamos uma crónica às nossas intros preferidas das séries, por isso achámos que estava na altura de fazer o oposto e escrever um bocadinho sobre aquelas que temos sempre vontade de passar à frente.

American Horror Story: Cult: Esta temporada voltou a recuperar a qualidade que a série teve noutros tempos, mas esta abertura! A música é um bocado creepy, embora até goste e ache que combina na perfeição com aquilo que a série é, mas esta sequência de imagens é perturbadora. Eu não tenho nenhuma fobia, mas quando vejo as imagens penso que aquela abertura pode ser o pior pesadelo de muitas pessoas: sangue, padrões com buracos, assassinos, ameaças biológicas, caixões, palhaços, os candidatos presidenciais com máscaras… Parece que tudo foi feito para nos fazer sentir desconfortáveis, quase como que a preparar-nos para o que se segue. No entanto, a abertura foi sem dúvida a parte que achei mais perturbadora de toda a temporada.

Arrow, The Flash, Legends of Tomorrow e SupergirlAs intros das séries de super-heróis da DC podem ser giras das primeiras vezes, mas ao fim de uns episódios uma pessoa fica farta. Até podem ser curtas, mas já não existe paciência para ouvir vezes e vezes sem conta “O meu nome é Oliver Queen e passei cinco anos no inferno numa ilha…” Além de que acabam por ter um sentido um pouco ridículo. Por exemplo, a de The Flash costuma ser muito gozada na internet por este referir vezes e vezes sem conta que é o homem mais rápido que existe e no entanto a cada temporada aparece alguém mais rápido que ele. Destas quatro, a menos má, na minha opinião, ainda é a de Supergirl, mas o facto de serem todas repetitivas leva a que carregue no botão para avançar.

Better Call Saul: Esta também tem uma intro gira e diferente da primeira ou segunda vez que a vemos. A intro é num estilo antigo, com uma música a condizer, mas acima de tudo é parada. O que, por exemplo, Hannibal mostra-nos que não tem mal absolutamente nenhum, exceto quando a própria série é de um desenvolvimento muito lento que nos leva a passar aquela intro à frente e categorizar como aborrecida. Pessoalmente nas primeiras temporadas vi os episódios de seguida após saírem todos, o que não ajuda a este facto.

Elementary: Apresenta-nos uma intro onde uma espécie de berlinde em movimento dá origem a uma série de acontecimentos em dominó, ao som de uma música que fica no ouvido, mas não é particularmente marcante. O pior é as comparações que inevitavelmente se fazem com uma série homogénea, Sherlock. Assim, aqueles 30 segundos da intro servem apenas para um período de reflexão em que me pergunto porque raio estou a ver isto e não a repetir Sherlock pela 45.ª vez. A melhor solução é clicar no botão que avança 30 segundos para a frente, parecendo ter sido criado especialmente para esta intro.

Fear the Walking DeadEsta intro é maior, durando quase um minuto e ainda mais aborrecida, é apenas uma série de imagens, a maior parte quase parecem aleatórias, com uma banda sonora repetitiva e irritante. Não é que seja de odiar, mas tendo a opção de passar à frente não encontro qualquer motivo para não o fazer. A meu ver pareceu-me uma tentativa mal sucedida de imitar a série-mãe, sendo que a principal diferença é a banda sonora escolhida. Apenas mais um exemplo da grande diferença que esta pode fazer.

Homeland: A intro de Homeland é longa, demasiado longa. Até pode ser interessante de um ponto de vista histórico, mas é aborrecida e parece ter bem mais do que o seu minuto e meio de duração; a música também não ajuda nada. É mesmo daquelas aberturas que se vê no primeiro episódio para saber como é – mas que a meio já estamos a desejar ter passado à frente – e que das vezes seguintes nos fará, inevitavelmente, carregar no botão de avançar.

Luke CageLonga, aborrecida e repetitiva parece ser uma descrição recorrente, mas adequa-se mais uma vez e perfeitamente a Luke Cage. Com um minuto e onze segundos trata-se de imagens de Harlem misturadas com a silhueta de Luke a dar um soco em slow motion enquanto aparecem os nomes dos criadores e protagonistas. Mais uma vez a banda sonora escolhida faz a diferença, pela negativa, em comparação com as séries do mesmo universo. Tentam recriar a boa intro que fizeram em Daredevil, mas o mesmo estímulo nem sempre produz a mesma resposta.

New Girl: Eu até gosto da Zooey Deschanel, é pateta de um modo adorável, mas quando começa a cantar a primeira parte da música de abertura de New Girl acho-a um bocadinho para o irritante; não morro de amores por ela como cantora. É certo que são menos de trinta segundos, mas é tempo suficiente para querer avançar. Ou melhor, era. A série tornou-se uma comédia tão má que não foi só a abertura que deixei de ver.

ShadowhuntersLembram-se da crítica que fiz às intros das séries da DC/CW ? Agora multipliquem isso por dez e temos a intro de Shadowhunters. De todas as séries que vejo esta é mais cringe, é repetitiva, sempre com o mesmo discurso da Clary, em que apresenta os seus amigos enquanto estes aparecem em imagens e diz que sozinhos são muito fortes, mas juntos ninguém os para. Este para mim é um exemplo de que às vezes nem uma banda sonora excelente como Ruelle consegue salvar uma intro. Mas vejam por vocês mesmos e avaliem se concordam ou não.

The MusketeersEsta é de longe a melhor intro que entra nesta lista. A música escolhida é fantástica, visualmente muito apelativa, se bem que em certos pontos é demasiado e, apesar de ser longa, não é nada do outro mundo, dura 40 segundos. Então porque é que está nesta lista? Porque é sobre intros que se passam à frente e nem sempre a intro é vista ou não pela sua qualidade, mas sim como reflexo da série. The Musketeers, apesar de ter começado bem, para mim começou a perder o interesse e à medida que isso acontecia passava a intro à frente para o episódio ficar mais curto. Serve como exemplo de que algumas intros vemos porque a série é épica e não por serem boas per si e vice versa.

Diana Sampaio e Raul Araújo