Classificação

7
Interpretação
7
Argumento
7.5
Realização
8.8
Banda Sonora

Contém Spoilers!!

Comecei a ver este piloto sem ter a mais pequena ideia sobre o que seria a série e ao descobrir que cada episódio era sobre um tema diferente fiquei desiludido. Como irão perceber mais à frente não é por eu ser contra este formato de séries (adoro Black Mirror, por exemplo), mas sim porque acabei o episódio com a sensação de que havia potencial, mas ficou a faltar algo. Mas não quero pôr a carroça à frente dos bois e começar logo pelo final. Como estava a dizer, cada episódio tem um tema e o deste é o Halloween! Um dado curioso sobre a série é que os episódios tendem a sair no mês do feriado em que são inspirados.

Logo desde o início que se percebe a atmosfera característica de uma produção de terror, mas com uma aura de mistério. Com a banda sonora e a personagem principal, Wilkes, que parece meio deslocada da realidade, até chega mesmo a dar umas vibes de Altered Carbon que rapidamente são afastadas, pondo fim a qualquer parecença. Wilkes revela-se, ao longo do episódio, uma personagem muito interessante. Trata-se de um hitman bastante requintado e sofisticado e o que o torna único é a sua visão sobre o mundo. O seu discurso sobre o quão vazia é a vida e que podemos fazer o que quisermos porque as consequências não importam nada no plano geral, é simplesmente brilhante e faz pensar que é para momentos e reflexões destas que a arte do entretenimento existe. Afinal de contas o que importa ao Universo se eu tirar uma vida humana?

No entanto, este momento genial foi apenas um pequeno pedaço num episódio bastante longo e a série salta à corda com a tentação de a adicionar à minha lista de séries para ver ou não. O grupo que Wilkes encontra quando está pacatamente a transportar um corpo embrulhado na rua, algo apenas possível por se tratar do Halloween, contribuiu para descer a qualidade do episódio, sendo que Jack, Allan e Dorothy são três clichés do que se espera encontrar no clássico filme de horror e para mim isto não é bom. Não sou um fã de violência gratuita (não me repugna absolutamente nada), mas sou um apreciador de um bom enredo, não apenas sustos e sangue, e Into the Dark vai misturando um pouco dos dois.

Maggie é uma mulher que não se sente realizada na vida e quando é confrontada com a visão do mundo de Wilkes e o vê a matar alguém mesmo à sua frente não se sente repugnada nem assustada, mas sim cativada. Deixa-se ir into the dark side e junta-se a Wilkes na perseguição a Jack, Alan e Dorothy. A dinâmica entre os dois serviu, inesperadamente, como uma lufada de ar fresco no episódio, permitiu voltar a discussões mais profundas em vez de apenas vermos Wilkes a atirar facas certeiras à cabeça de umas quantas pessoas (o que também tem o seu interesse, claro). Quanto a Maggie, achava que já tinha percebido para onde ia a sua relação e evolução quando a série me surpreendeu verdadeiramente, com Wilkes a decidir esfaqueá-la, deixando-a a morrer. Devia ter feito um trabalho mais limpo porque no final do episódio esta acaba por matá-lo, libertando-se das correntes da sociedade e ficando livre para continuar o rumo que começou, sendo que todos os outros envolvidos nesta noite estavam mortos.

O episódio deixou umas pontas soltas, nomeadamente referem inúmeras vezes que o homem que Wilkes foi contratado para matar era extremamente famoso, mas passamos o tempo todo inteiro sem saber quem ele era ou pelo menos ao que é que estava ligado. Tal como quem foi o homem que o contratou, apenas temos a noção que era um alguém muito poderoso ligado à Dark Web. Para ser honesto, não achei que o regresso da Maggie fizesse muito sentido, mas repito o que disse no início, não sabia que iria ser um tema por episódio e, portanto, era necessário dar um final satisfatório a esta história. Sinto que ainda havia um pouco mais sobre Wilkes para explorar e acabo o episódio com aquela sensação agridoce de que gostei do episódio, mas não vou obter nunca algumas respostas, se bem que esse é um mal do qual muitas vezes sofremos enquanto espectadores de séries – e às vezes talvez seja melhor ficar em aberto do que ter uma resposta insatisfatória. Termino refletindo que foi um episódio sólido e que apesar de não ter a certeza se irei seguir até ao fim, irei ver mais um episódio antes de pôr um ponto final na série. Sendo que o próximo episódio só sai dia 2 de novembro!

O que é que acharam? Estão a pensar continuar a ver a série?

Raul Araújo