Classificação

6
Interpretação
4.5
Argumento
5
Realização
6.2
Banda Sonora

[Alerta de Spoilers!]

Criada por Lauren Gussis e com produtores executivos como Ryan Seacrest, Nina Wass, Todd Hoffman, Merrill H. Karpf e Andrew Fleming, chega ao serviço de streaming Netflix a série que antes de estrear já tinha sido massacrada pela crítica: Insatiable. A “dramédia” (série de drama e comédia) tem dado que falar – e não pelos melhores motivos – devido aos temas que aborda, num tom de humor negro até agora não apreciado pelos espectadores.

Debby Ryan interpreta Patty, uma adolescente gorda que toda a vida sofreu de bullying por parte dos colegas da escola, até que um dia é agredida por um sem-abrigo e fica três meses sem poder comer coisas sólidas, acabando por perder os quilos que tinha a mais. A jovem promete agora vingar-se de todos os que a trataram mal. Pelo enredo conhecemos Bob Armstrong (Dallas Roberts), advogado que é contratado pela mãe de Patty (Sarah Colonna) para defendê-la da agressão de que tinha sido acusada por parte do sem-abrigo. Bob tem como objetivo de vida vencer um concurso de beleza e destronar o seu arqui-inimigo Bob Barnard (Christopher Gorham).

Após ter sido lançado o trailer oficial da série de televisão, surge uma notícia no jornal The Guardian, alegando que mais de cem mil pessoas tinham assinado uma petição online a pedir o cancelamento da série à Netflix, acusando o argumento de Lauren Gussis de fat shaming. Depois de a série estrear na plataforma de streaming, o word of mouth não tem sido melhor, atualmente a série está com 6.7 no IMDb e tem sido constantemente criticada.

No seguimento deste backgroud, é importante constatar o facto de a série ter altos e baixos muito frequentes, sendo ao mesmo tempo extremamente imprevisível e nem sempre no bom sentido. Insatiable acaba por ser daquelas séries em que era preferível a previsibilidade dos acontecimentos, isto porque em certas ocasiões é o 8 e noutras o 80.

Por exemplo, as personagens têm sentido de ser e acabam por ser o ponto alto da série; no entanto, o argumento é de tal forma controverso que acaba por se tornar (desculpem a expressão) parvo. Ao longo do episódio tem coisas que dão para rir, tem coisas que dão que pensar e depois tem coisas mesmo WTF. Aconselho a ver nem que seja o primeiro episódio, só para terem a noção do que conto aqui, e, para quem quiser queimar tempo, binge-watching for sure!

Em relação ao fat shaming de que a série é acusada, percebe-se tanto a parte que acusa como a parte que produziu Insatiable. Uma sociedade que vive movimentos de apoio à comunidade LGBT ou o #Time’s up pretende ser mais coesa, mais inclusiva, acabando por haver mais abertura para falar de certos assuntos e pretende cada vez mais acabar com o bullying. No entanto, é preciso mudar muitas mentalidades e virar as coisas do avesso porque a sociedade em que vivemos ainda mantém padrões inaceitáveis e difíceis de alcançar. Dito isto, é importante mencionar que nem sempre é fácil gerir certas coisas e a nossa autoestima depende de muita coisa, percebendo-se alguns desses pontos na série.

Margarida Rodrigues Pinhal