Contém SPOILERS!

Humans, a mais recente série do C4 e da AMC, já estreou por terras de sua majestade… alegrem-se aqueles que esperavam ansiosamente por dia 28 pela estreia americana! A série ocorre num presente muito semelhante ao nosso, contudo, há uma grande diferença: existem os synths, androides altamente inteligentes, criados para servirem os humanos. Temos então aqui um drama fortemente direcionado para a ficção científica.

Joe Hawkins vive com os três filhos e toma conta da casa além do emprego. A sua esposa está a atravessar uma fase complicada e aproveita todas as oportunidades para se ausentar da família, alegando que está a trabalhar. Com a casa transformada num caos, Joe pega na filha mais nova, Sophie, e vai comprar uma synth para cuidar da família e dos afazeres domésticos. A synth é bem recebida pelos quatro, embora Mattie, a filha mais velha, apenas a vê como um objeto para ela experimentar o seu génio informático. Assim que Laura chega a casa, demonstra o seu total desagrado, argumentando que não necessitam de Anita para nada, no entanto, e com bastantes reservas, depressa se apercebe que a synth é bastante útil na vida da família. No decorrer das cenas deste núcleo, Laura vai percebendo que Anita tem reações semelhantes a sentimentos, o que não é normal num synth. Por seu lado, quando todos dormem, Anita pega em Sophie e sai com ela para a rua, violando completamente a sua programação.

Mas que Anita não é um synth normal, nós já sabíamos… ela pertence ao grupo restrito que revela ter inteligência artificial. Sabemos disso pois vemo-la no grupo de Leo, um humano que ajuda synths que sentem a fugir para a liberdade. Anita foi uma das capturadas e, mais tarde, segundo Leo, Anita ama-o!

Noutro núcleo temos George Millican, um idoso solitário que outrora esteve envolvido na criação da primeira geração de synths. Após perder a esposa, resta apenas a George uma pessoa a quem dedicar a sua amizade e amor paternal: o seu synth Odi. Trata-se de um androide já ultrapassado, que os serviços de segurança social querem trocar a todo o custo por um modelo mais recente e eficiente. No entanto, George lutará com todas as forças para consertar Odi, o seu amado filho.

O que à partida poderia ser uma simples série de ficção-científica, revelou-se algo muito mais complexo e intrigante. Humans relata os problemas sociais advindos do salto tecnológico provocado pela comercialização dos synths. Se por um lado uns vêem-nos apenas como máquinas escravas, outros julgam que os androides merecem respeito, dada a sua semelhança física e intelectual que partilham com os seus donos (note-se que Anita assumiu o apelido da família que a comprou, sendo, por isso, automaticamente considerada membro da família). Merecem os synths um lugar na sociedade? Ou teremos apenas mão-de-obra escrava numa sociedade que caminha a passos largos para a perfeição? Outra das problemáticas abordadas neste piloto é a questão dos postos profissionais, já que os synths podem ser programados para desempenharem qualquer tipo de funções, desde agricultores a engenheiros informáticos, sendo que a sua margem de provocarem acidentes de trabalho é praticamente inexistente. Sendo assim, com os synths a desempenharem todas as funções estruturantes da economia, que restará para a população humana? Serão todos poetas, como declarou sarcasticamente Mattie?

A última grande questão levantada por Humans relaciona-se com um dos maiores medos da Humanidade desde tempos primordiais: o aparecimento de uma espécie intelectualmente superior. O relato dos receios do aparecimento da inteligência artificial que levará ao fim do Homem, tem sido largamente explorado em várias séries e filmes, no entanto, Humans demonstrou dar-lhe um toque especial. Terão os receosos razão acerca dos synths? Irão os synths que “sentem” lutar pela sua independência e supremacia? Ou estarão a exagerar?

Fiquei fã do piloto e das promessas feitas para a continuação desta série! Continuarei a ver… e tu?

Nota: 9/10

Rui André Pereira