Classificação

7.5
Interpretação
7.4
Argumento
7.4
Realização
7.4
Banda Sonora

Atenção: esta review contém spoilers!

Após uma curta pausa, Grey’s Anatomy regressa com What I Did For Love, realizado por Jesse Williams, o 23.º episódio desta 15.ª temporada.

Neste episódio – o qual faz crossover com Station 19 –, Maggie tem a seu cuidado um dos bombeiros de Seattle, enquanto Jo aprende uma dura lição. Entretanto, ao trabalhar com uma família que procura asilo, Meredith toma uma decisão que pode vir a colocar em perigo a sua carreira.

Começando por Maggie, esta assumiu o encargo de tratar Ripley (Brett Tucker), o chefe da 19.ª Estação, após este ter colapsado numa florista. Se, tal como eu, não seguem Station 19, este caso não foi de grande interesse, uma vez que o investimento no personagem simplesmente não estava lá.

Ainda assim, Grey’s deu a entender que a situação pessoal de Ripley possui grandes semelhanças com a de Maggie, no sentido em que a indecisão de ambos está a prevenir o avanço das suas relações amorosas. A interação com Ripley impulsiona Maggie a falar com Jackson e os dois partilham uma cena de que gostei bastante.

Nesta cena, Maggie finalmente dá uma resposta a Jackson, mas aquilo de real valor foi o facto de esta não pedir desculpa por ser da maneira que é. Maggie mantém-se fiel a si mesma, com todas as suas particularidades, e o médico aceita-a tal como é (não que tivesse qualquer tipo de dúvida de que o fizesse).

Passando agora para Meredith, a médica recebe o caso de Gabby, uma menina de apenas quatro anos que se reuniu com o pai após estar detida na fronteira do país. Por várias razões, todas elas lastimáveis, o pai de Gabby não consegue arcar com as despesas médicas da sua filha, o que não assenta bem a Meredith.

Movida pela situação, a médica decide fazer algo em relação ao problema e toma a decisão (louvável, mas imprudente) de falsificar os papéis do seguro para que Gabby receba o tratamento de que necessita. Ainda que admire a decisão de Meredith, acredito que havia caminhos alternativos muito mais seguros – afinal de contas, da última vez que verifiquei, a Dr.ª Grey ainda era dona de parte do hospital.

Percebo o porquê de Grey’s ter seguido esta opção, sendo aquela com maior potencial dramático, mas acho a situação desnecessária. Se é verdade que as nossas personagens já se desviaram de muitos processos e punições sérias pelas suas transgressões, também é verdade que são várias as personagens que deviam ter sido vítimas de processos muito antes de Meredith (por exemplo, Richard).

Outra personagem que se colocou numa posição suscetível a ações disciplinares neste episódio foi, sem grandes surpresas, Jo Karev. A situação da médica tem-se vindo a degradar ao longo dos episódios, de maneira tal que custa-me perceber o porquê de a deixarem continuar a exercer no estado em que se encontra.

O sucedido não foi só sua culpa, foi um simples mal-entendido, tanto da sua parte como da parte da outra médica que entrou em contacto com o hospital. Jo deveria ter sido mais cuidadosa, é um facto, mas percebo que, sendo esta uma das poucas notícias que lhe trouxe algum tipo de alegria em episódios recentes, se tenha precipitado.

O seu meltdown era inevitável e tenho apenas a agradecer que tenha sido com pacientes minimamente compreensivos. Com a quantidade de pessoas seriamente preocupadas com Jo, espero que, por fim, a médica consiga receber a ajuda de que claramente precisa para voltar ao seu estado normal.

Por fim, vale a pena mencionar que Owen começa a assumir os seus erros passados e a pedir desculpas pelas suas ações. Gostei da cena entre este e Amelia, mas preocupa-me o facto de Owen possivelmente resolver ir atrás de Teddy. Para minha surpresa, tenho gostado bastante desta relação e não me agrada a ideia de mais drama neste departamento.

Inês Salvado