Classificação

7.4
Interpretação
7.3
Argumento
7.4
Realização
7.4
Banda Sonora

Atenção: esta review contém spoilers!

Mais uma semana que passou e, com ela, um novo episódio de Grey’s AnatomyHead Over High Heels é o nome deste episódio – o 22.º da 15.ª temporada da série.

Neste episódio, Meredith tem alguma dificuldade em lidar com uma situação inesperada na sua vida pessoal. Enquanto isso, Richard é reunido com uma velha amiga, Jo enfrenta dificuldades em voltar à rotina e Owen tenta terapia.

Comecemos, então, por falar sobre Jo. Como já sabemos, a médica não tem estado na sua melhor forma desde que visitou a sua mãe e descobriu a verdade sobre o seu passado, em Silent All These Years. Nestes últimos episódios, Jo tem recusado falar sobre o assunto quer com os seus amigos, quer com Alex, o que está a causar tensão nestas suas relações.

Se, por um lado, é inegável que Jo precisa de tempo e espaço, por outro também é compreensível que as pessoas à sua volta estejam a chegar ao seu limite. Se até agora foram pacientes, essa paciência começa então a esgotar-se quando Jo não oferece qualquer tipo de retorno. A grande discussão entre Alex e Jo vem demonstrar isso mesmo, e estaria a mentir se dissesse que não tenho receio de ver onde nos levará. O historial de relacionamentos de Alex não é o melhor, é um facto, mas concordo com Meredith quando esta o relembrou que Jo não é nenhuma das suas ex. Acredito que, eventualmente, o par resolverá os seus problemas, mas cada vez mais se torna claro que Jo precisa de ajuda profissional (e com urgência).

Já para Meredith e DeLuca, as coisas não podiam estar a correr melhor. Após Andrew ser apanhado por Zola na sua casa a meio da noite, Meredith vê-se forçada a contar aos seus filhos sobre a sua relação com o médico. Aquilo que, durante todo o episódio, é visto como um bicho-de-sete-cabeças, acaba por ser lidado com facilidade. Novamente, as crianças vêm a provar aquilo que já sabemos: que são muito mais abertas à mudança e à novidade que os adultos.

Passando agora para Owen, este segue o conselho que lhe é dado por Megan em The Whole Package e resolve procurar ajuda para lidar com o seu trauma. Com tantas personagens a precisar de apoio, pergunto-me se Grey’s se prepara para lidar de forma mais séria com a saúde mental nestes próximos episódios.

Como seria de esperar, o Dr. Hunt não é o maior fã deste tipo de medicina e, durante uma porção do episódio, tornou-o bastante claro. Ainda assim, o médico mantém a promessa que fez à sua irmã e vai em frente com a sessão. Como sabem, a minha opinião pessoal é que o problema de Owen não é realmente aquele que Grey’s pintou. Assim sendo, tive alguma dificuldade em interessar-me pela história de Owen, apesar da boa performance de Kevin McKidd.

Também desinteressante foi a storyline de Richard e Jemma (Jasmine Guy). Grey’s continua a mostrar que já não sabe bem o que fazer com determinadas personagens, e tende a cair no erro de criar narrativas algo repetitivas. Não é a primeira vez que vemos Richard a ultrapassar os limites que vêm com a sua profissão no que toca a determinados pacientes, e certamente não será a última. Até agora, estes confrontos não têm tido grandes impactos negativos no médico, mas pergunto-me se esse dia chegará.

Ainda neste episódio, Nico comete um erro que custa a vida ao seu paciente. Este é suposto ser um dos grandes momentos do episódio, mas fica aquém dos restantes por uma simples razão. Desde a sua introdução à série, Nico nunca foi tido ou tratado como algo mais do que o interesse amoroso de Levi. Ao contrário de Link, o médico nunca teve nenhum momento de destaque, nem se inseriu no círculo de personagens importantes para Grey’s.

Por esta razão, a perda do paciente de Nico não teve qualquer impacto em mim – e, aparentemente, nem mesmo o médico ficou afetado. A atitude demonstrada pelo mesmo foi, no mínimo, incomodativa, quer na forma como lidou (ou melhor, não lidou) com a situação, quer na forma como tratou Levi após o acontecimento. Percebemos que o médico tem objetivos de vida a alcançar, mas a aparente frieza que demonstrou neste episódio não lhe faz grandes favores.

Finalmente, não posso dar esta review por terminada sem antes mencionar Amelia e Tom. Gostei de ter, por fim, uma nova cena entre os dois, mas o diálogo partilhado não foi dos meus favoritos. Se adorei o discurso de Amelia sobre escolher algo de bom, não gostei da comparação feita entre a relação da médica com Link e a de Tom com Teddy. Não me parece que as situações sejam de todo semelhantes, e espero que não tenha sido foreshadowing para o fim de Koracick e Altman.

No geral, este tratou-se de mais um episódio mediano para Grey’s. Lentamente, o plot continua a avançar mas ainda assim não consigo perceber onde este quer chegar. Com a season finale a aproximar-se, resta-me esperar que a série se foque em começar a preparar o caminho para a mesma de forma mais significativa.

Inês Salvado