Classificação

7.9
Interpretação
8.1
Argumento
7.9
Realização
7.8
Banda Sonora

Atenção: esta review contém spoilers!

Mais uma semana que passou e, com ela, um novo episódio de Grey’s Anatomy, o 19.º desta nova temporada. Silent All These Years é o nome deste episódio, o qual facilmente se veio a tornar num dos meus favoritos desta 15.ª temporada, senão mesmo da série.

Tendo como centro a nossa Dr.ª Jo Karev, Silent All These Years vê o seu tempo dividido entre duas linhas de narrativa: uma delas, um flashback, procura explicar a ausência de Jo no episódio anterior, enquanto a outra, já no presente, segue a médica e uma paciente que a força a revisitar o passado.

Falar sobre este episódio não é tarefa fácil, ainda para mais sem mencionar diretamente os seus acontecimentos. Por isso, se por qualquer razão ainda não viram Silent All These Years e gostariam de o fazer sem antes serem bombardeados por spoilers, esta é a vossa oportunidade.

Como sabem, há uns episódios, Jo descobriu a identidade da sua mãe biológica e, em Add It Up, partiu à sua procura. Na altura, estranhei o facto de o episódio não ter tocado, de todo, na questão. Jo foi apenas mencionada por Alex uma mão cheia de vezes e somente apareceu no final do episódio, claramente abalada pelo que quer que seja que aconteceu. Em retrospetiva, ainda bem que assim foi.

Ao contrário daquilo que tem acontecido ao longo desta temporada, onde questões polémicas como o uso de armas, a sexualidade, ou a toxicodependência têm sido abordadas de forma demasiado superficial, Grey’s finalmente pegou numa temática interessante e explorou-a com o devido tempo e respeito.

Silent All These Years lida, na sua totalidade, com o consentimento e, por consequência, com questões de violência doméstica, agressão e assédio sexual – questões que, não sendo recentes, ganharam uma maior importância e visibilidade nestes últimos anos, em grande parte devido a movimentos como o Time’s Up.

Quando Jo encontra a sua mãe, interpretada por Michelle Forbes, fica revoltada ao ver que a vida que havia imaginado para ela não corresponde de todo à realidade. A médica esperava encontrar o estereótipo de alguém capaz de abandonar um filho, mas acaba por descobrir que Vicki leva uma boa vida com a sua família, o que faz com que seja muito mais difícil para Jo aceitar o seu abandono.

A raiva e ressentimento que Jo sente para com a sua mãe são claros – e, na minha opinião, justificados. A conversa entre as duas desenvolve-se de forma tensa, mas natural, até ao momento em que Vicki revela a Jo que esta é o produto de uma violação. Apesar de compreensiva (é mais tarde revelado que a nossa médica interrompeu voluntariamente uma gravidez, quando se encontrava numa relação abusiva), Jo continua magoada com a situação e algo me leva a crer que existe a possibilidade de o seu caminho não se voltar a cruzar com o de Vicki. Conhecendo Grey’s, no entanto, tudo é possível.

Na minha opinião, esta linha de narrativa por si só já foi forte o suficiente. Adoro a forma como foram apresentados os argumentos de ambos os lados, e como não há um certo ou errado. É completamente subjetivo e, ultimamente, o que era melhor para uma iria sempre prejudicar a outra.

De volta a Seattle, Jo é abordada por uma paciente que, após alguma persuasão e muito apoio por parte das médicas do hospital, admite ter sido violada. É aqui que o episódio entra em maior detalhe na questão do consentimento: as médicas só começam a recolher provas quando Abby (Khalilah Joi) o autoriza e nenhum passo é tomado sem o seu consentimento verbal.

Acredito que esta linha teve as melhores cenas do episódio. Em termos de conteúdo, Grey’s não se conteve e mostrou, de forma explícita, a realidade das coisas. A cena onde todas as funcionárias do hospital se encontram alinhadas no corredor foi fortíssima, visual e simbolicamente. Simplesmente fantástico.

A pequena cereja no topo do bolo que arremata toda esta questão e passa de forma clara a mensagem que Grey’s formulou ao longo de Silent All These Years, criando também alguma esperança para um futuro um pouco melhor, é a cena importantíssima entre Tuck e Ben, na qual o nosso bombeiro explica ao jovem o que é o consentimento e o porquê de ser tão importante respeitar o outro.

No geral, não tenho nada de negativo a apontar a este episódio. Como já referi, na minha opinião este foi um dos melhores episódios não só desta temporada, mas também de toda a série. Este é o tipo de episódio que esperava quando, na temporada anterior, Grey’s lançou 1-800-799-7233, e o tipo de episódio que gostava de ver com maior frequência.

Sei que nem todos os episódios podem ser tão “carregados,” mas a série tem deixado de parte tantos temas relevantes, que facilmente poderiam fazer mais episódios como Silent All These Years. Felizmente, parece que o próximo episódio irá continuar neste registo, pelo menos no que toca às cenas de Jo!

Inês Salvado