Classificação

7.5
Interpretação
7.3
Argumento
7.4
Realização
7.6
Banda Sonora

Atenção: esta review contém spoilers!

Esta semana, Grey’s Anatomy trouxe-nos I Walk The Line, o 13.º episódio desta sua 15.ª temporada.

Neste episódio, o hospital é invadido por pacientes após um tiroteio numa parada. Uma pessoa do passado de Maggie regressa e abala a médica no mesmo dia em que Meredith tenta contar-lhe sobre a sua relação com DeLuca. Entretanto, Owen e Amelia recebem notícias que podem vir a mudar as suas vidas.

Comecemos, então, por falar um pouco de um dos nossos principais pacientes deste episódio. Colin é um rapaz de 15 anos que foi alvejado acidentalmente durante uma parada. Isto leva a que, uma a uma, as várias personagens se vão questionando sobre quem no seu perfeito juízo levaria uma arma para um evento deste género, trazendo ao de cima a polémica questão da posse e uso de armas nos Estados Unidos.

Este episódio, como vim a saber mais tarde, foi para o ar no aniversário do massacre ocorrido no ano passado numa escola secundária em Parkland (E.U.A.), na qual 17 pessoas perderam a vida às mãos de um atirador. Na minha opinião, o episódio não aparece como um tributo a essas mesmas vítimas. Pessoalmente, acho que Grey’s não deu a devida importância ao assunto e gostaria que este tivesse sido abordado num episódio só seu, sem que os espectadores tivessem a possibilidade de dividir a sua atenção entre as outras narrativas, mas, ainda assim, aplaudo a série por mais uma vez tentar abordar questões polémicas da atualidade. Não é um tópico confortável, mas é sem dúvida alguma um que merece ser discutido e representado na televisão.

Outra das pacientes deste episódio é Kimberly, cujo problema cardíaco a levou a procurar Maggie, sua ex-colega de turma. Rapidamente aprendemos que Maggie ODEIA Kimberly por esta ter feito da sua vida universitária um autêntico inferno. Grey’s utiliza esta história para nos relembrar de algumas coisas: primeiramente, que nem sempre temos que perdoar alguém por nos ter tratado mal; depois, que lá porque não gostamos de alguém, não quer dizer que não consigamos trabalhar juntos; por fim, que o karma existe e eventualmente nos atinge a todos. Bom, talvez não fossem exatamente estas as lições a tirar, mas não é relevante.

A nossa Dr.ª Pierce colocou uma questão durante o episódio que, pessoalmente, achei bastante relevante: se os médicos estão proibidos de tratar pessoas de quem gostam, porque raio é que não estão, de igual forma, impedidos de tratar pessoas de quem não gostam? De vez em quando Grey’s tem saídas destas que me deixam a pensar…

Uma das principais narrativas deste episódio foi ainda o aparecimento dos pais de Betty, que passaram então a saber da existência de Leo e querem agora levar a criança com eles. São várias as vezes em que me vejo dividida quando as séries que vejo apresentam situações complicadas e complicado é definitivamente um adjetivo que se aplica à situação em questão. Se, por um lado, é verdade que os pais de Betty – uh, Britney – são os verdadeiros familiares de Leo, também é verdade que, até este episódio, a criança foi criada por Amelia e, principalmente, Owen. Esta é uma narrativa que vai dar pano para mangas e estou verdadeiramente curiosa em ver qual será o resultado da mesma. É claro que gostava que Owen continuasse o guardião legal de Leo, mas tenho sérias dúvidas sobre o que irá acontecer. A verdade é que Amelia tem razão e o nosso médico devia ter-se preparado para esta possibilidade, mas percebo o seu lado. Odiei, no entanto, a forma como Owen tratou Amelia neste episódio. Após toda uma jornada para me fazer gostar destes dois enquanto casal, eis que Grey’s complica novamente as coisas e me faz questionar se realmente gosto dos dois juntos (de momento, a resposta inclina-se para não).

Para além disto, este episódio trouxe-nos ainda avanços para outras relações da série. Este é o caso de Meredith e DeLuca, assim como de Teddy e Koracick (de quem tenho vindo a gostar mais e mais ao longo desta temporada). Estes últimos são um casal que não esperava, de todo, ver em Grey’s, mas, contra todas as minhas expectativas, “entranharam-se”.

Por fim, gostei também de Alex manter a sua posição enquanto chefe temporário do hospital. Por mais que goste de Miranda, Alex continua a ser dos meus favoritos (apesar de Grey’s não lhe prestar grande atenção) e acredito que tem feito um bom trabalho como chefe. Acho que o médico fez bem em exigir a Bailey que o deixasse continuar o seu trabalho até ao final do contrato e agradou-me que a médica não tenha levado a situação a peito e tenha, em vez disso, admitido que está orgulhosa de onde Alex chegou.

No geral, I Walk The Line foi um episódio razoável, com potencial para ser muito mais do que isso. Parece-me que Grey’s está a deixar de investir em episódios que realmente significam algo e que tratam de coisas sérias, o que me entristece bastante. Cheguei a um ponto em que preferia ter episódios onde acontecessem menos coisas, mas em que aquelas que efetivamente acontecem são abordadas profundamente. Questiono-me se Grey’s alguma vez voltará aos seus glory days.

Inês Salvado