Classificação

7.4
Interpretação
7.1
Argumento
7.2
Realização
7.4
Banda Sonora

Atenção: esta review contém spoilers!

Esta semana, em Grey’s Anatomy, temos Caught Somewhere In Time, o 16.º episódio desta 14.ª temporada. Este conseguiu dar-nos de tudo um pouco, desde humor a drama, relações românticas a familiares e até mesmo algum desenvolvimento pessoal para uma ou outra personagem.

No decorrer de alguns episódios menos famosos, Grey’s conseguiu produzir um episódio que, apesar de estar longe da perfeição, tem bastante que se lhe diga. Caught Somewhere In Time foca-se, assim, na relação entre Maggie e Jackson (e o modo como esta afeta Richard e Catherine), no deteriorar do estado mental e psicológico de April e, de certa forma em segundo plano, o polímero de que Meredith e Jo precisam (sim, ainda não vimos o fim a este tópico) e a relação de Arizona com a sua filha.

Começando por Meredith, esta é encontrada por Jo a arrumar o laboratório onde conduziam as pesquisas para o seu projeto. Wilson fica desiludida ao ver Meredith a desistir tão facilmente do seu projeto, mesmo depois de Jo afirmar que encontrou sete outros polímeros que podem usar. Meredith não está para conversas e, à primeira oportunidade, “oferece” Jo a Bailey, que procura alguém para a ajudar com o seu caso. Horas depois, Jo regressa da sua cirurgia e dá um valente sermão a Meredith sobre como esta não devia deixar o que Ellis fez no passado arruinar a sua oportunidade de mudar o futuro. Felizmente, Meredith não discute com Jo e concorda em dar outra oportunidade ao seu projeto.

Após ser descartada por Meredith, Jo assiste Bailey no caso de Marjorie Kersey, uma astronauta que foi esmagada por um íman gigante ao tentar construir uma máquina do tempo. Descobrimos que Miranda é uma autêntica croma no que toca ao espaço e que a médica conhece o trabalho de Marjorie desde a infância. Apesar dos seus esforços, Jo e Bailey (com a ajuda de Maggie) acabam por perder a paciente e, ainda que Bailey e Jo concordem que Marjorie era um pouco doida, não deixam de reconhecer a sua genialidade.

Já Jackson e Maggie veem-se no meio de um ambiente estranho quando são apanhados aos beijos por Catherine e Richard. Inicialmente, Catherine afirma que não tem nada a dizer sobre o assunto, mas é claro que esse não é o caso e a crescente tensão entre a Dr.ª Avery e o seu filho levam a que Michelle, a “cobaia” para o projeto da vaginoplastia no qual estes três médicos trabalham, adie a sua cirurgia até que os dois se entendam. São, assim, forçados a falar e Catherine acaba por revelar que tem algum receio que a relação entre Maggie e Jackson venha a complicar a sua relação com Richard. Compreensivo, Jackson conforta-a, afirmando que Richard não é nada como o seu pai (na melhor forma possível). Os dois acabam por seguir em frente com a cirurgia, que, por sua vez, é um sucesso.

Se é verdade que o futuro parece promissor para Jackson e Maggie, o mesmo não pode ser dito sobre a relação de sexo casual de Amelia e Owen. Honestamente, todos sabíamos que era apenas uma questão de tempo até que os problemas do seu passado os levassem a perceber que isto não ia resultar e foi isso mesmo que se verificou neste episódio. Isto culmina com Amelia a afirmar que Teddy é o tumor de Owen, que o impede de ter relações bem-sucedidas. A médica encoraja-o ainda a procurar uma relação com Teddy, uma vez que os dois já não estão casados e não há nada no seu caminho.

Falando agora sobre Arizona, esta convida Sofia a passar o dia com ela no hospital, ao reparar que a sua filha sente saudades das pessoas que deixa em Nova Iorque quando regressa a Seattle (incluindo, obviamente, a sua outra mãe). No hospital, Arizona acaba por descobrir que algo de muito errado se passa com o filho da sua paciente. Arizona acredita que os ataques de riso do rapazinho são manifestações de convulsões e pede a Amelia que lhe faça um exame nesse mesmo dia. Como seria de esperar, as suas suspeitas são confirmadas por Alex e Amelia, que acreditam que o rapaz é o candidato perfeito para o seu ensaio clínico. No final do episódio, parece claro que estar rodeada por crianças doentes todos os dias começa a afetar Arizona, uma vez que a leva a pensar sobre a sorte que tem em ter uma filha saudável. A médica parece ainda arrepender-se de passar tão pouco tempo com Sofia, chegando mesmo a sugerir tirar um dia de folga para estar com a sua filha. Isto leva-me a pensar que o desejo de estar com Sofia possa ser a razão que leva a nossa Dr.ª Robbins a sair de cena.

Finalmente, não poderia dar esta review por terminada sem antes falar sobre April. Neste episódio, Kepner está encarregue do certificado de trauma, onde os internos são emparelhados com pacientes fictícios (bonecos) que têm de salvar. Isto, só por si, já soa a uma ideia terrível – April não devia estar encarregue de nada nem ninguém, tendo em conta o seu estado. E a verdade é que a médica não tarda a descarrilar, complicando os casos para além dos limites do razoável e levando os internos ao ponto de rutura. Apesar de Owen testemunhar o sucedido, faz pouco ou nada para parar April, que só cessa a sua tortura quando é chamada à unidade de cuidados intensivos. Quando regressa, descobre que a sua ida à UCI não passou de uma estratégia de Casey para se ver livre dela. O interno afirma que, de entre todos os perigos que os seus “pacientes” enfrentavam, April era o maior deles, pelo que tinha que remover a médica da equação. É nesta altura que April perde completamente as estribeiras e começa a tentar ressuscitar um dos bonecos, só parando quando Andrew a traz de volta à realidade. Já dentro do hospital, Jackson repara no estado de Kepner e puxa-a para o armário para tentar perceber o que se passa, mas April não está para conversas e beija-o. Jackson rapidamente põe um fim ao beijo e diz a April que esta tem que encarar o que quer que seja que está errado.

Pessoalmente, acho que este episódio foi um upgrade dos que o precederam. Apesar de não ser de todo um episódio perfeito, conseguiu produzir várias storylines minimamente interessantes e não ignorou o deteriorar do estado de April. Acho ridículo que nenhum dos outros médicos tenha tomado a iniciativa de perceber o que se passa com Kepner e temo que esta só venha a piorar. No geral, Caught Somewhere In Time foi um episódio razoável.

Inês Salvado