Classificação

6
Interpretação
6.8
Argumento
7
Realização
7
Banda Sonora

Grand Hotel é uma das apostas da ABC para a temporada de verão. Produzido por Eva Longoria, a série é baseada numa série espanhola com o mesmo nome. Por coincidência, encontro-me de momento a ver a versão espanhola (disponível na Netflix), que me faz recordar Downton Abbey e me enche o coração com tanto drama. No entanto, as séries são bem diferentes. A espanhola passa-se no início do século XX e a americana em pleno 2019. Só por aí já são distintas desde o guarda roupa até ao diálogo e ao argumento em si.

Confesso-vos que quando vi o trailer o meu primeiro pensamento foi: que horror, o que é que eu acabei de ver. Como tal, comecei a ver o episódio piloto com as expectativas lá bem no fundo. Tenho sempre muitas dúvidas em relação a adaptações americanas de séries europeias (Shameless The Office são dos raros casos de sucesso). Apesar de o episódio não ter sido o desastre que esperava, houve algumas coisas que deixaram a desejar.

Ora bem. Passada na solarenga e exótica cidade de Miami, o hotel é dos mais glamorosos da cidade (tipo, tem praia privada!) e gerido há muitos, muitos anos pela família Mendoza e considerada casa pelos filhos, Javi (pena que o filho não tenha nem o terço da piada do Javier da série original) e Alicia. Honestamente, e perdoem-me as comparações, porque a este ponto são inevitáveis, achei esta Alicia um pãozinho sem sal. Alicia é uma mulher cheia de personalidade, inteligente e destemida, mas uma mulher discreta, fria e fechada. Amaia Salamanca conseguia tornar a sua Alicia Alarcón num personagem extremamente interessante. Denyse Tontz, lamento, mas só consegue tornar Alicia Mendoza numa miúda chata. Pelo menos aqui. Estou muito confiante que conseguia elevar e melhorar o seu personagem.

Grand Hotel é sinónimo de luxo e drama e nisso a série americana não falhou. Os dramas familiares são os melhores e esta série tem que se farta. Uma mulher que casa com o viúvo da melhor amiga. Cada um tem dois filhos adultos. Só isto chega para rios e rios de história. Se for bem feita, claro. Mesmo que uma série não seja propriamente original (ou de todo), se conseguirem jogar bem com os seus personagens, os resultados serão ótimos. Custa-me um bocado a crer que o consigam como a série merece, mas pronto. Agradou o povo, visto a ABC ter sido a estação televisiva com mais audiência nessa noite.

Um dos pontos fortes da série é sem dúvida o cenário. Latino, quente, luxuoso. Para uma série de verão realmente não podemos pedir muito mais, pois não? Porém, isso não consegue disfarçar o elenco para lá de pobre da série. Como é que é possível com tanto poder de escolha a América ainda consiga escolher atores maus para as séries, especialmente dos canais principais? Juro-vos, Demián Bichir (que já foi nomeado para um Oscar) e Roselyn Sanchez são os melhores atores da série e ofuscam os outros com uma facilidade assustadora. São também os personagens mais complexos, mais misteriosos e intrigantes. As gémeas são aquelas básicas Kardashians que têm piada mas já sabemos o que esperar dali. Alicia, pronto, já se sabe que vai ter uma relação super romântica – menina rica e “rato de rua”. E posso ser só eu a ser implicativa, mas não estou a sentir a química entre Alicia e Danny.

No fim disto tudo, só tenho de dizer que Grand Hotel cumpre o seu objetivo: entreter. Não temos de pensar muito, é só desfrutar, rir e deixar-nos levar pelas maluqueiras e vida de luxo.

Maria Sofia Santos