Classificação

10
Interpretação
9.5
Argumento
9.5
Realização
9.5
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Baseada no livro de Neil Gaiman, Good Omens: The Nice and Accurate Prophecies of Agnes Nutter, WitchGood Omens, a mais recente estreia da Amazon, relata de forma satírica a chegada do Apocalipse e os esforços de um anjo, Aziraphale (Michael Sheen), e de um demónio, Crowley (David Tennant), para encontrarem o Anticristo e impedirem que o dia do Juízo Final chegue à Terra.

Não é segredo nenhum que este tema está mais do que batido nas séries. Já todos conhecemos a típica história bíblica em que o Bem luta contra o Mal para impedir que a casa dos humanos seja destruída. Contudo, é precisamente aí que esta adaptação envereda por outro caminho: apesar de ser um tema cliché, a abordagem feita nesta adaptação torna a história numa versão leve, interessante, cómica, encantadora e definitivamente viciante.

A escolha dos atores para dar vida aos personagens principais, Aziraphale e Crowley, não poderia ter sido melhor. Confesso que grande parte do que me levou a ver este piloto desde que a produção da série foi anunciada foi o facto de Tennant interpretar o demónio (fã eterna de Doctor Who e, sim, Ten é o meu preferido). O personagem está simplesmente perfeito e é tudo aquilo que poderia imaginar de um demónio chamado Crowley: sarcástico, despreocupado, não tão maléfico como gostaria de ser e mais inclinado para o lado do Bem do que quer admitir. Tennant não desilude e demonstra como consegue ser um artista versátil que não fica preso a um personagem para o resto da carreira. Creio que o Crowley de Supernatural foi inspirado neste de Gaiman, mas não posso afirmar com toda a certeza.

Também gostava do trabalho de Sheen antes de ver In The Beginning, o piloto desta série fantástica, mas agora admiro-o ainda mais. O contraste entre o anjo e o demónio faz-se não só pela caracterização, que está brilhante, mas também pelas interpretações deste duo. As interações entre eles ao longo do episódio e, parece-me, dos restantes cinco que constituem esta 1.ª temporada, são o foco principal da narrativa e não podia ser melhor. A cooperação entre duas entidades completamente opostas é, lá está, algo cliché, mas o lado cómico das suas falas e das suas ações transforma por completo o cenário.

Os efeitos especiais não são do melhor que já vi, mas creio que se encaixam perfeitamente no ambiente de Good Omens: algures entre a realidade e a ficção e entre o sobrenatural e o mais humano possível. Sem dúvida que será possível retirar daqui uma ou outra lição para a vida, como costuma acontecer em séries que tratam a dualidade Bem/Mal. Talvez essa lição seja para ver tudo com um filtro sarcástico, como Crowley faz, característica essa com a qual me identifico muito.

Fiquei presa ao ecrã do início ao fim. Ri-me com vontade algumas vezes. Fiquei ansiosa por ver os restantes episódios o mais depressa possível. Toda a produção está de deixar de boca aberta. Há mais na história do que apenas estes dois personagens, mas como não gosto de spoilar os pilotos a quem procura uma opinião para decidir se vê ou não, digo apenas que vale mesmo muito a pena ver. Todo o conjunto da produção fará de Good Omens, com certeza, uma das estreias do ano.

Beatriz Caetano