Classificação

8.5
Interpretação
6
Argumento
7
Realização
10
Banda Sonora

[Contém SPOILERS!]

Há cinco anos atrás comecei a escrever reviews de Game of Thronepara vocês. Nem acredito que esta será a última. Game of Thrones entrou na minha vida quando tinha apenas 20 anos, em 2012. Era uma miúda a meio da licenciatura e demasiado obcecada por séries (ainda sou, mas com muito menos tempo para as ver).

A série acompanhou-me durante muitas fases da minha vida e, apesar de saber que o final chegaria eventualmente, sempre pensei que fosse muito lá para a frente (fogo, a série é tão popular que só daqui a muitos anos vai acabar!). Bom, esses muitos anos chegaram em 2019. Só que nunca pensei que o final me deixasse um sabor tão amargo na boca.

Se têm acompanhado as minhas reviews esta temporada, conhecem bem o meu descontentamento em relação ao rumo que D.B. Weiss e David Benioff deram à série. Não tem nada, nada a ver com o facto de eu achar que o final devia ter acabado com Jon e Dany juntos, lindões e felizes no Trono de Ferro com bebés, dragões e Tyrion como Mão da Rainha/Rei/Reis – sei lá. A romântica em mim teria adorado, mas não foi por uma série com finais felizes que me “apaixonei”. Foi por jogos de poder, intriga, conspirações e magia e dragões. Finais felizes existem noutras séries que adoro e em que faz mais sentido que existam.

Quando os produtores da série resolveram destruir o Rei da Noite e os seus Caminhantes Brancos logo no terceiro episódio pressenti que o resto da temporada iria ser uma desilusão. Tantos avisos, tanto hype para isto? Tantos: “Winter is Coming”, “A verdadeira luta não é pelo Trono de Ferro” para quê? Depois resolvem matar Rhaegal e Missandei como justificação para Daenerys enlouquecer de um episódio para o outro e incendiar Porto Real de uma ponta à outra. Continuo a dizer, esta temporada foi todo um lazy writing ao mais alto nível.

Sabem o que eu acho sinceramente? Que Dan e Dave aprenderam a andar de bicicleta e durante alguns anos tiveram ao seu lado George R.R. Martin para os equilibrar na bicicleta com um punho de ferro. Depois, à medida que foram crescendo deixaram de poder contar com tanta ajuda de George. Durante uns tempos conseguiram-se equilibrar mais ou menos – na 6.ª temporada. Entretanto passaram por um caminho com mais obstáculos – a 7.ª temporada -, mas apesar de a bicicleta ainda não ter cedido e de quase se terem espatifado no chão, a verdade é que é se mantiveram lá em cima. A 8.ª temporada é como se tivesse apanhado com toda uma estrada de pedregulhos, caído no chão e rebolaram até ao fim da rua porque acharam que já não valia a pena subir lá para cima outra vez.

Toda, toda a gente sabia que Daenerys Targaryen ia morrer no último episódio. Havia a teoria de que seria Arya a matá-la pela profecia de Melisandre (os últimos eram os olhos verdes), mas Daenerys tem os olhos azuis (ao contrário da Daenerys e de todos os Targaryen no livro, que os têm violeta). Tinha de ser Jon Snow a matá-la. É inegável o amor que Jon tem a Dany e a dor no seu olhar quando Tyrion o fez perceber que era impossível pará-la de outra maneira. Depois do episódio anterior não havia como arranjar justificações para os atos da Mãe dos Dragões. Jon foi igual a si próprio, a colocar o dever acima do amor.

Emilia Clarke merece uma salva de palmas e uma vénia pela sua prestação como Daenerys e especialmente por ter evoluído tanto ao longo das temporadas. O seu discurso aos Imaculados e aos Dothraki (como é possível haver TANTOS ainda??? Nossa, mas eles espirram e multiplicam-se? Pensava que os Dothraki tinham morrido todos na Batalha de Winterfell e o ataque de Euron quando matou Rhaegal chacinou muitos Imaculados!) foi arrepiante. Eram as palavras de uma tirana, uma ditadora, uma Targaryen como tantos outros antes dela, mas mais poderosa com a ajuda de Drogon.

Não havia raiva nem ódio no olhar de Daenerys ao ser esfaqueada por Jon. Apenas dor e aceitação. Custou-me muito ver um Jon destruído a assistir à morte da mulher que amava. No entanto, as lágrimas caíram-me quando Drogon chegou e tentou acordar Dany com o focinho. Tive de colocar o episódio em pausa para poder chorar com Jon e com Drogon a morte da Mãe dos Dragões. Ela não merecia ter um final assim. Não devia ter morrido como vilã, não desta maneira. Devia ter havido mais, mais desenvolvimento da personagem, mais episódios, mais tudo. Dan e Dave traíram Emilia Clarke e agora entendo o porquê de a atriz ter deambulado durante horas pelas ruas de Londres após saber o destino que aguardava a sua personagem.

Já foi mencionado várias vezes que os dragões são mais inteligentes que os humanos em Game of Thrones. Drogon sabia que o culpado da morte de Jon não fora ele. Jon é um Targaryen e eles têm uma ligação natural. Drogon destruiu o verdadeiro culpado da morte da mãe, o Trono de Ferro. Um símbolo de tirania, poder e ambição desmesurada foi erguido com o fogo de Balerion e destruído por Drogon. Era o único desfecho que fazia sentido.

Como seria de esperar, ao descobrirem da morte de Daenerys, Jon foi imediatamente preso.

Eu já sabia que Tyrion ia ter um julgamento, graças ao spoiler de um amigo que esteve presente nas filmagens em Sevilha (sim, quase que o matei!). O anão esteve em cativeiro depois da traição ao ter libertado Jaime. Tyrion a afastar as pedras e a descobrir Jaime e Cersei abraçados e mortos foi um dos momentos altos do episódio, com Peter Dinklage a ter uma performance magnífica.

Tyrion sendo Tyrion consegue safar-se da morte, assegurar um novo rei de Westeros e ainda voltar a ser Mão do Rei. O julgamento foi presenciado pelos chefes das Casas principais de Westeros (nossa, como Robyn Arryn está diferente! E quem raio é o novo príncipe de Dorne??) O pobre Sam ainda tenta tornar Westeros numa democracia (ah, comunista de um raio!) mas o rapaz está demasiado à frente no tempo. O rei de Westeros? Brandon Stark, o rapazinho que recusou o título de Rei no Norte por a sua condição já “não querer nada”. Logicamente, Bran é a melhor escolha. Frio, racional, com o poder de saber tudo, passado e, quem sabe, futuro. Mas é um rei sem paixão, sem luz.

Bran ter sido eleito rei só me deixou mais frustrada. Qual foi o objetivo de Jon Snow a.k.a Aegon Targaryen? Porque é que o ressuscitaram (okay, ele foi imprescindível na Batalha dos Bastardos, mas só), porque é foi revelado que é filho de Rhaegar e Lyanna? A única coisa que serviu foi para aumentar a loucura de Daenerys mas ela até aceitou isso e quando falou com ele antes da morte nem dava indícios de o querer matar! Qual foi o objetivo da profecia do Príncipe que foi Prometido? Nada! Jon Snow tornou-se inútil, todas as profecias nãos serviram para absolutamente nada (nem a da Cersei!!). Outro personagem que foi totalmente ignorado por Dan e Dave!

Quando foi anunciado que Jon iria voltar para a Muralha só me apeteceu dar um murro na parede. Como assim? Jon sendo Jon com certeza que aceita esse castigo por ter matado Dany. Mas a Muralha outra vez? Pelo amor de Deus! Jon devia ter sido rei. Se não foi Daenerys, então ele. Mostrou vezes e vezes que é um bom líder e que não se deixa corromper. Pronto, olhem, ao menos reuniu-se com Fantasma e isso deixou-me super, super contente. Jon e Daenerys são tão especiais que foram os únicos a terem animais que os amavam incondicionalmente.

Por outro lado, fiquei muito, muito contente por Sansa ter ficado como Rainha no Norte e finalmente ter cumprido o desejo de Robb e Catelyn e ter tornado o Norte independente. Muita gente acha que ela devia ter ficado como rainha de Westeros, mas Sansa passou demasiado em Porto Real para isso. O lugar de Sansa Stark é no norte.

Arya foi igual a ela própria e, qual pulga inquieta e Cristóvão Colombo, arranjou um navio e zarpou de Westeros à procura de novas terras. Acho que tanto ela como Sansa tiveram os melhores finais da série.

A série acaba com Tyrion a reunir o Pequeno Conselho. Bronn, Ser Davos, Brienne e Sam fazem parte dele e acho que Bran não podia ter melhores pessoas a seu lado (exceto talvez Bronn).

Apesar de tudo, ficou-me um sabor amargo na boca. Amargo por Dan e Dave se terem desleixado e terem optado pela via fácil de concluir a série. Pensar em Game of Thrones ainda me deixa com um sorriso no rosto e aí sei que esta última temporada não estragou a série para mim. Continua a ser a minha série favorita e uma das melhores de sempre. Só não foi perfeita.

Adeus, pessoal. Foi um prazer. Vemo-nos nas prequels?

Maria Sofia Santos