Classificação

9.5
Interpretação
9.6
Argumento
9.7
Realização
10
Banda Sonora

Ora bem e chegámos ao fim da penúltima desta série que tanto adoramos. Passou tão depressa! Tanta coisa aconteceu. E neste episódio então! Desta vez não houve nada a explodir com fogovivo, mas algo desabou, desabou. Também tivemos a maior reunião de personagens principais de SEMPRE. Os próprios atores disseram que foram os melhores dez dias de filmagem que tiveram. E, pronto, bem… tivemos umas cambalhotas no vale dos lençóis que nos fizeram ter alguns dilemas éticos e morais.

Foram sete episódios a um ritmo alucinante, com tudo a acontecer ao mesmo tempo. Se por um lado não houve qualquer engonhice, também houve muita coisa que faltou, coisas que foram apressadas. Se nos primeiros quatro episódios o maior foco foi a guerra entre Cersei e Daenerys, as coisas mudaram drasticamente no quinto episódio e subitamente tudo se virou para norte. Compreende-se a mudança, mas de um momento víamos Daenerys, Drogon e os dothraki contra os Lannister e os Tarly e do outro Daenerys rumou a norte com Drogon, Rhaegal e Viserion.

Portanto, Game of Thrones acaba a sua temporada com o melhor episódio que teve (a par, talvez, com The Spoils of War) no seu sétimo ano.

Porto Real

Pela primeira vez esta temporada, Porto Real é o verdadeiro foco e tem uma das cenas mais icónicas de sempre da série, juntando quase todas as personagens principais no mesmo local. Daenerys Targaryen, Jon Snow, Cersei, Jaime e Tyrion Lannister, Euron e Theon Greyjoy, Varys, Brienne de Tarth, Sandor e Gregor Clegane, Bronn, Podrick, Qyburn, Jorah Mormont, Davos Seaworth, Missandei… Verme Cinzento estava do outro lado das muralhas (como é que ele e os Imaculados saíram de Rochedo Casterly intactos? Um bocado de contextualização teria sido porreira). Personagens que costumavam andar cada um do seu lado do país ou do mundo juntam-se numa reunião histórica num local histórico… o Poço do Dragão, um sítio mais afastado onde os Targaryen costumavam guardar os seus dragões.

Mais uma vez, as conversas paralelas foram um dos pontos fortes. Vimos Tyrion a reunir-se com os velhos companheiros Bronn e Podrick e foi lindo! Tyrion a tentar aliciar Bronn para o seu lado, a reunir-se com Podrick e até fiquei emocionada. Até o instrumento mágico de Podrick é mencionado. Ah, a melancolia!

Também o Cão de Caça e Brienne se reúnem e falam de Arya como se fosse filhas deles e foi igualmente lindo. Mesmo sem querer, Sandor afeiçoou-se à jovem Stark e o mesmo se pode dizer dela.

Mas para mim, o reencontro com mais impacto teve como protagonistas dois personagens que se odeiam, mas que são fantásticos em cena. E eles são Tyrion e Cersei, após a primeira ter recusado a ajuda pela primeira vez. Primeiro, Tyrion é a única pessoa que acompanha Cersei nos copos de vinho. E segundo… Sempre adorei as cenas deles.

Claro que Daenerys não ia nos navios com o resto da plebe. Ela é a Mãe dos Dragões, até ficaria desiludida se ela não tivesse aparecido no Poço do Dragão montada em Drogon. E só mesmo Cersei para não se deixar impressionar com a chegada dela.

A cena foi marcada pela desconfiança, pela tensão. Aquelas pessoas andam em guerra e estavam ali para arranjar uma maneira de se entenderem para salvar a humanidade. O problema é que Cersei não tem um pingo de humanidade nela. Só se preocupa com ela e com a família. Ela é rainha dela própria. Não podia querer saber menos das suas pessoas. Euron abandonou o Poço mesmo antes de Jon ter confessado que apoiava Daenerys. Cersei nunca planeou ajudar ninguém. Ela é o completo oposto de Jon, de Dany. E até de Jaime. Desta vez, nem a criança por nascer (?) o fez ficar. Jaime viu que a irmã era realmente um monstro sem salvação possível. E foi-se embora, desta vez (parece-me) para sempre. O pomposo uniforme Lannister que envergava desde a morte de Tywin ficou para trás. Jaime juntou-se à luta contra os mortos.

Pedra do Dragão

Finalmente Theon acordou para a vida! Finalmente deixou de se esconder como um cãozinho assustado e reuniu alguma coragem e honra e convenceu os homens da irmã a ajudá-lo a salvá-la. Depois de tudo o que Yara fez pelo irmão, já era hora de o irmão fazer o mesmo por ela. Ainda por cima com Euron em Essos pode ser que seja mais fácil entrar nas Ilhas de Ferro.

Winterfell & Mar Estreiro

Okay, como metade das cenas de Wintefell e no Mar Estreito se entrelaçam, resolvi incluí-las no mesmo tópico.

Sam chegou finalmente a Wintefell, decidido a ajudar Jon na luta contra os Caminhantes Brancos. E que coincidência… Traz consigo informações essenciais que completam o puzzle sobre a verdadeira identidade de Jon Snow. Desde a temporada passada que sabemos que Jon era filho de Lyanna Stark e Rhaegar Targaryen. E desde há uns episódios atrás sabemos que possivelmente ele nem é bastardo de ninguém. Agora tivemos a confirmação. Tivemos a confirmação de tanta coisa.

Bran: “Rhaegar não raptou a minha tia, nem a violou. Ele amava-a. E ela amava-o a ele”

Lyanna e Rhaegar estavam apaixonados. Não houve rapto, não houve violação. Lyanna fugiu porque quis. Foi o primeiro casamento a que assistimos em Game of Thrones em que se vê que existe um amor puro e genuíno. Ela não queria Robert Baratheon e a mulher pela qual o falecido rei andou a chorar durante quase vinte anos tinha dado o coração a outra pessoa. É irónico, não é? De qualquer das maneiras, Rhaegar errou. Tudo porque era um tolinho apaixonado. Lyanna estava prometida ao herdeiro da Ponta Tempestade e ele casado com uma Martell. Quando anulou o casamento com Elia só estava a pensar nele e não nas consequências dos seus atos e isso levou-o à morte, mas não sem antes deixar um herdeiro.

Lyanna: “O nome dele é Aegon Targaryen.”

Nos livros, Aegon é o nome de um dos filhos de Rhaegar e Elia. Nunca mencionaram o nome dele na série. Mas Aegon I Targaryen, o Conquistador, foi o primeiro monarca da sua Casa em Westeros e que conquistou o país com a ajuda das irmãs. Não sei se isto quer dizer algo, mas…

E, feliz ou infelizmente, Jon e Daenerys, tal como Rhaegar e Lyanna, estão apaixonados. Claro que estão. Drogo foi o primeiro amor de Dany e Ygritte fez Jon quebrar os votos da Patrulha da Noite. Ambos amaram e ambos perderam. E por muito que gostasse dos antigos apaixonados deles, tenho de admitir que isto faz sentido. Sim, é errado, eles são tia e sobrinho e muito em breve vão ficar de costas voltadas quando Daenerys descobrir que é Jon o verdadeiro herdeiro do Trono de Ferro (é mais velho do que ela!). Contudo, Jon e Dany são pessoas muito parecidas. E por muito que Jon tenha ficado impressionado com a beleza de Daenerys quando a conheceu, os seus sentimentos só mudaram à medida que a foi conhecendo. E Dany fica encantada com a honra do Rei no Norte. Eles reveem-se um no outro. Lutam por um bem maior. Há respeito e admiração. E paixão no olhar. Se não fossem família, seriam o casal perfeito de Game of Thrones. Porque a série começou devido à relação entre um Dragão e um Lobo. Fogo e Gelo. E é provável que acabe da mesma maneira, mesmo que não seja como esperamos. Acho que os dois são a chave de tudo, seja o que for que isso signifique.

E o olhar de Tyrion? Alguns podem interpretar como ciúmes a fúria no seu olhar, mas eu vejo mais preocupação e apreensão. Daenerys não se podia ter apaixonado na pior altura. E isso pode prejudicar o seu discernimento daqui para a frente, coisa que já sabemos que vai acontecer mal Sam e Bran pedirem uma palavrinha a Jon, er… Aegon.

Agora passemos para as manas Stark, que voltaram a mostrar que não são as meninas que rumaram a Porto Real na primeira temporada. Elas fizeram a escola toda. Mindinho conheceu finalmente o seu fim depois de apostar tudo em separar a família Stark. Pensava que tinha Sansa domada, que as suas palavras para ela eram lei. Mas o tiro saiu-lhe pela culatra quando Sansa expôs todos os seus crimes, desde a morte de Lysa e Jon Arryn à traição a Eddard Stark. Gostava de ter pormenores ou de saber como é que Arya e Sansa descobriram que estavam a ser enganadas por Baelish. Foi tudo muito feito em bastidores e faltou algo para ter um verdadeiro impacto. E não sei quando é que as palavras de Bran começaram a ser universalmente aceites em Winterfell. Outra coisa que fica a faltar!

Foi um bocado patético assistir aos apelos desesperados de Petyr Baelish. Um homem tão seguro de si, sem se deixar abater ou intimidar. Morre de joelhos quando nunca se deixou rebaixar por ninguém na vida. Mas a série já não tem lugar para personagens como ele. Varys luta pelo bem do reino. Baelish, tal como Cersei, luta por si próprio. Mais uma vez, vemos um vilão morrer.

Atalaialeste do Mar

No season finale da temporada passada eu pensei que tudo acabasse com os Caminhantes Brancos a destruir a Muralha por Bran se ter deixado tocar pelo Rei da Noite. Mas nada aconteceu. Até ao episódio passado, eles tinham-se limitado a aumentar o seu exército, sem dúvida um perigo, mas sem uma maneira de derrubar a Muralha, que continha magia que os mantinha afastados do mundo dos vivos.

Como tal, se não fosse a expedição de Jon e companhia a Norte e o aparecimento de Dany e dos dragões para os salvar, o Rei do Norte nunca teria morto Viserion e nunca o teria ressuscitado e usado para derrubar a Muralha. É irónico que os dois personagens mais humanitários, os salvadores da pátria, os altruístas de serviço sejam os causadores da destruição da Muralha, de o exército dos mortos ter recrutado o seu mais valioso aliado e de a luta contra eles ter ficado um milhão de vezes mais complicada.

Foi uma cena do caneco, desculpem a expressão! Assisti horrorizada com o que isto significa, maravilhada pela cena em si e sem palavras ao ver a Muralha, a indestrutível Muralha, a cair em pedacinhos com a chama de gelo de Viserion.

É o salve-se quem puder, o maior cliffhanger de final de temporada de sempre. Westeros foi invadido pelos mortos com um exército de cem mil zombies e um dragão. O inverno chegou mesmo aos Sete Reinos. Será que Jon, Daenerys e companhia triunfarão? Quero acreditar que sim. Mas as palavras de Ramsay a Theon há tantas temporadas atrás assombram-me…

Ramsay: “Se achas que isto vai ter um feliz, não tens andado a prestar atenção”.

Maria Sofia Santos